Gaudium news > Bangladesh: há mais de mil novos batismos todos os anos

Bangladesh: há mais de mil novos batismos todos os anos

A Diocese de Dinajpur, localizada no norte de Bangladesh, se consolida como um dos principais polos da presença católica no país, especialmente entre as comunidades indígenas.

Foto: Dinajpur Diocese/ Facebook

Foto: Dinajpur Diocese/ Facebook

Redação (21/07/2026 09:31, Gaudium Press) Com aproximadamente 100 mil católicos, distribuídos em mais de 30 paróquias e diversas estações missionárias em aldeias indígenas, a diocese de Dinajpur, no norte de Bangladesh, vive um momento de expansão significativa. A maior parte dos fiéis pertence aos povos Santal, Orao (Oraon) e a outras comunidades indígenas da região. Esses grupos étnicos convivem em harmonia no território de Dinajpur, formando um rico mosaico cultural.

Fundada em 1927, a diocese conta hoje com aproximadamente 0,6% da população em um país de maioria muçulmana. Padres, religiosos, religiosas e catequistas atuam intensamente na evangelização, educação e promoção humana.

 “Diversas comunidades tribais vivem juntas na área de Dinajpur. É uma das dioceses onde a presença católica é particularmente forte, especialmente entre esses grupos”, ressaltou o bispo local, Dom Sebastian Tudu à agência de notícias Fides. “Entre os Santal e Orao, vemos um grande potencial de evangelização. A Igreja em Dinajpur está crescendo e se expandindo ano após ano.”

Uma evangelização que nasce do próprio povo

Dom Tudu explica que o crescimento não é imposto de fora, mas surge por iniciativa das próprias comunidades: “Nossa abordagem de evangelização consiste principalmente em levar a primeira evangelização e o primeiro testemunho da fé a áreas remotas. Enviamos catequistas, padres e irmãs para aldeias onde ainda não há cristãos. Muitas vezes, os próprios moradores nos convidam. Eles querem conhecer melhor a fé cristã e expressam o desejo de ouvir o Evangelho.”

Após o primeiro contato, inicia-se um catecumenato cuidadoso, que exige tempo e preparação: “Os sacerdotes e catequistas visitam a aldeia regularmente, e alguns moradores se tornam oficialmente ‘catecúmenos’. Depois de cerca de um ano, eles podem receber o batismo; às vezes demora mais, porque queremos que estejam bem preparados. Eles aprendem a liturgia, as orações, compreendem e vivenciam a vida cristã. Dessa forma, preparamos o nascimento de uma comunidade cristã naquela aldeia”.

Não se trata de conversões individuais, mas frequentemente coletivas. “Às vezes batizamos dez, quinze ou vinte famílias de uma vez, ou uma aldeia inteira abraça o Evangelho”, relata o bispo. “A comunidade católica continua crescendo de forma constante, graças a Deus.”

Esse dinamismo se reflete na estrutura pastoral: “Quase todo ano abrimos uma nova paróquia. Todos os anos temos mais de mil novos batismos.” Apesar das dificuldades econômicas para construir igrejas e casas paroquiais, o bispo vê um grande sinal de esperança: “O povo está aí.”

O Evangelho atrai

Dom Sebastian Tudu, ele próprio de origem Santal (“Eu sou Santal. Meu pai já era batizado e herdei a fé da minha família”), destaca que a Igreja em Bangladesh cresce especialmente entre os povos tribais. “A maioria dos católicos do nosso país, que é predominantemente muçulmano, pertence a essas comunidades. Por isso dizemos que a esperança e o futuro da Igreja estão precisamente com os povos indígenas.”

Embora a Constituição garanta liberdade religiosa, a conversão de muçulmanos pode gerar forte pressão social. Por isso, o anúncio do Evangelho se concentra principalmente nas populações indígenas não muçulmanas.

O bispo explica a abertura desses povos: “Certamente existem fatores culturais que facilitam o encontro com nossa fé, mas esse não é o motivo principal. Quando recebem educação, quando aprendem a pensar e julgar, eles redescobrem sua dignidade. A Igreja promove a educação, e por isso eles são profundamente gratos.”

No entanto, o que mais atrai é o próprio Evangelho. “As palavras de Jesus, como ‘Bem-aventurados os pobres’, falam diretamente ao coração deles. No Evangelho, eles encontram uma Palavra de vida. Essas pessoas ainda praticam religiões tradicionais e formas de animismo e descobrem na Palavra de Deus um guia para suas vidas. Para eles, é um ótimo presente e um ponto de referência sólido, um guia seguro”.

Vocações, convivência pacífica e gratidão

O crescimento também se reflete no aumento de vocações: “Entre as populações tribais, há muitas vocações ao sacerdócio e à vida religiosa. O entusiasmo é grande porque essas comunidades descobriram a fé há pouco tempo. Vemos Deus agindo nelas. É um grande dom para nós.”

Nas aldeias, reina um clima de convivência pacífica. “Não temos problemas nem com os muçulmanos nem com os membros não convertidos dos grupos indígenas. Todos vivem juntos em paz”, assegura Dom Tudu. Muitas famílias vivem da agricultura em áreas rurais próximas às florestas, e a Igreja investe fortemente em educação, que ainda é um grande desafio. “O nível de escolaridade — ressalta ele — continua baixo. Por isso, uma parte fundamental da missão da Igreja consiste em promover a educação e acompanhar as crianças e os jovens em seu processo de formação. As famílias valorizam muito esse serviço”.

O bispo expressa profunda gratidão aos missionários que lançaram as bases da Igreja local, especialmente os do Pontifício Instituto para as Missões Estrangeiras (PIME). “Muitos deles já são idosos ou já faleceram. Sentimos uma imensa gratidão por eles. Não só fundaram nossa Igreja, como também contribuíram para o desenvolvimento humano, social e educacional de nossas comunidades”.

Olhando para o futuro, Dom Sebastian Tudu demonstra confiança: “Tenho muita confiança. Esperamos que a Igreja universal continue apoiando nossa pequena comunidade. Ainda precisamos desse apoio porque a missão continua, e o Senhor continua chamando novas pessoas para a fé.”

Com informações Agência Fides

Deixe seu comentário

Notícias Relacionadas