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Áustria: jovens muçulmanos interrompem missa em Viena com gritos de “Allahu Akbar”

Casos semelhantes de interrupção da missa em sua paróquia já não são episódios isolados e ocorrem com regularidade.

Foto: Jacek Dylag/ Unsplash

Foto: Jacek Dylag/ Unsplash

Redação (12/10/2026 11:26, Gaudium Press) Na noite da última terça-feira 6 de outubro, um grupo de adolescentes interrompeu a missa em uma igreja paroquial no oeste de Viena, na Áustria. Segundo o pároco responsável, que conversou com o jornal Die Presse na sexta-feira, os jovens — estimados em cerca de 14 ou 15 anos — ficaram no limiar da entrada da igreja, riram alto, fizeram barulho e gritaram várias vezes “Allahu Akbar” (“Deus é o maior”, em árabe). Em pouco tempo, desapareceram.

O padre, que atua na paróquia há 20 anos, classificou o episódio com cautela: “Não houve perigo, não foi um cenário de ameaça: quero deixar isso claro”. Ele disse nunca ter vivido algo semelhante em seu distrito e admitiu ter ficado “desagradavelmente surpreso”, embora não quisesse “aumentar o caso além do que foi”. Por pedido expresso do religioso, o jornal não divulgou o nome da paróquia nem detalhes de localização, para evitar que a comunidade se tornasse alvo de islamistas. “Não quero aquecer ainda mais a situação”, afirmou.

O sacerdote não registrou queixa na polícia. “Para que serviria?”, perguntou. Apesar disso, o caso o deixou preocupado. Um sacerdote de outro distrito de Viena contou-lhe que casos semelhantes de interrupção da missa em sua paróquia já não são episódios isolados e ocorrem com regularidade.

Desde 2015, a comunidade paroquial tem apoiado ativamente refugiados muçulmanos: ajuda na busca de moradia, acompanhamento em órgãos públicos, orientação para emprego e cursos de alemão. O sacerdote relatou boas relações com famílias muçulmanas de origem turca da região (“me dou muito bem com eles”). Sobre os autores da interrupção, ele suspeitou tratar-se de jovens de origem árabe, não ligados a essas famílias.

“Allahu Akbar” é uma expressão religiosa central no islã, usada em orações, no chamado à oração e em contextos cotidianos de fé. Em alguns casos de violência ou provocação na Europa, no entanto, o grito foi associado a intimidação ou radicalismo, o que gera preocupação quando ocorre dentro de uma igreja.

A deputada federal Gudrun Kugler (ÖVP) reagiu com uma nota oficial. Ela falou em “dois jovens” e declarou: “Quem interrompe conscientemente um culto e intimida fiéis ultrapassa um limite claro. Na Áustria, toda pessoa deve poder exercer sua fé de forma livre e sem perturbações. Isso vale para toda religião e em qualquer lugar. O respeito aos nossos valores fundamentais não é questão de atitude pessoal, mas uma obviedade que esperamos de todos”.

Kugler acrescentou que viver no país implica cumprir as leis, respeitar valores e tradições religiosas e as regras da convivência. “Integração também significa assumir responsabilidade pela convivência pacífica. Não toleraremos provocações e tentativas de intimidação direcionadas contra pessoas de fé. A liberdade religiosa não é via de mão única: significa não apenas poder exercer a própria fé, mas também respeitar a dos outros”. Ela concluiu que as igrejas são lugares de fé, comunidade e convivência pacífica, e que usá-las para provocações é desrespeito aos fiéis e aos princípios básicos da sociedade.

Alguém imaginaria jovens católicos entrando em uma mesquita e perturbando as pessoas com gritos?

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