Audiência Geral: santidade no centro da missão da Igreja
Durante a audiência geral na Praça de São Pedro, o Pontífice aprofundou o capítulo da Constituição pastoral Gaudium et spes dedicado à missão da Igreja no mundo contemporâneo.

Foto: Vatican Media
Redação (07/10/2026 10:27, Gaudium Press) Na Audiência Geral desta quarta-feira, 7 de outubro, o Papa retomou sua catequese sobre a Gaudium et spes e destacou a missão da Igreja no mundo, ou seja, ajudar as pessoas a refletirem sobre as questões fundamentais da vida e a contribuírem para a construção da cidade terrena.
Em uma nova reflexão sobre o Concílio Vaticano II, o Papa Leão XIV afirmou que a Igreja não está “acima” nem “ao lado” do mundo, mas encontra-se “como que inserida nele”. Leão XIV recorreu a uma expressão de Santo Agostinho — Mundus reconciliatus Ecclesia — para explicar que a “Igreja é o mundo já reconciliado com Deus; somos peregrinos na terra e com este mundo partilhamos a fragilidade e a beleza”.
“Assim como o Filho de Deus se encarnou para dar vida ao mundo e para o reconciliar com o Pai, também a Igreja habita no mundo como sinal da encarnação de Deus para manifestar o seu desígnio de tornar todos nós seus filhos numa única e grande família humana. A Igreja caminha na história, no meio dos povos e das culturas”, afirmou o Papa.
Para Leão XIV, essa presença não é apenas circunstancial. A convivência da Igreja com os diferentes povos e realidades sociais implica uma responsabilidade concreta diante da maneira como são construídas as relações humanas. O Pontífice relacionou essa missão ao ensinamento de sua encíclica Magnifica humanitas, segundo a qual a presença histórica da Igreja a leva a se preocupar também com a forma como a sociedade é organizada.
Uma Igreja atenta às profundas perguntas da vida
Ao desenvolver sua catequese, o Papa destacou que uma das primeiras missões da Igreja é ajudar homens e mulheres a não perderem de vista as questões fundamentais da existência: a origem e o destino da pessoa, o significado do amor e o sentido da dor.
Nesse contexto, Leão XIV chamou atenção para os riscos de uma sociedade dominada pela busca do lucro e pela manipulação da informação. Segundo ele, essas dinâmicas podem pressionar as pessoas a adotar um modo de vida concentrado no consumo e nos bens materiais. “Mas o nosso coração foi feito para olhar para o alto”, afirmou o Pontífice, frisando que a dimensão espiritual está acima das necessidades materiais. Leão XIV também ressaltou que a missão da Igreja inclui a contribuição para a construção da cidade terrena. Essa atuação, porém, não se confunde com uma finalidade essencialmente política. Conforme explicou, a contribuição cristã nasce do testemunho da fé e da caridade e se expressa no compromisso com “a justiça, a paz e a fraternidade”.
A Doutrina Social da Igreja ocupa, nesse sentido, um papel importante. O Papa recordou que o cristão não pode permanecer indiferente diante da opressão dos pobres e dos pequenos nem diante de estruturas que perpetuam situações de dependência e injustiça. A Igreja, acrescentou, “nada deseja mais ardentemente do que, servindo o bem de todos, poder desenvolver-se livremente sob qualquer regime que reconheça os direitos fundamentais da pessoa e da família, e os imperativos do bem comum”.
A responsabilidade dos batizados
Outro ponto destacado pelo Papa foi a responsabilidade de cada batizado de cooperar com a graça do Espírito Santo. Para que a missão evangelizadora seja efetiva, afirmou, é necessário que a fé não permaneça apenas no âmbito das palavras, mas se manifeste em escolhas e comportamentos coerentes.
Leão XIV retomou uma preocupação expressa pelo Concílio Vaticano II: a separação entre a fé professada e a vida cotidiana está entre os “mais graves erros do nosso tempo”.
Nesse contexto, os fiéis leigos possuem uma missão particular. Em razão do Batismo, são chamados “a animar o mundo com espírito cristão e a visão do Evangelho”, exercendo sua ação nos diversos ambientes da sociedade, especialmente na família e no trabalho, mas também em todos os espaços em que a vida humana se desenvolve.
A perspectiva apresentada pelo Pontífice reforça uma dimensão essencial do ensinamento conciliar: a evangelização não é responsabilidade exclusiva dos ministros ordenados. Todo batizado é chamado a testemunhar o Evangelho no lugar onde vive e atua.
Discernir sem seguir as modas culturais
Leão XIV também falou sobre a relação da Igreja com as transformações culturais. A Igreja, explicou, deve permanecer atenta ao que acontece na sociedade, mas cabe a todo o Povo de Deus — especialmente aos pastores e teólogos — discernir “o que é digno de consideração nas culturas do nosso tempo, tendo sempre como critério supremo de discernimento a Palavra de Deus e a Tradição da Igreja”.
Isso exige, acrescentou, “um espírito equilibrado e livre das modas culturais, capaz de olhar para o mundo de modo positivo e, ao mesmo tempo, firme na preservação e apresentação da mensagem evangélica na sua integralidade”.
Nesse sentido, Leão XIV advertiu que o cristianismo não se torna mais atraente “diluindo os conteúdos e suavizando as exigências”.
Em busca da santidade
Ao concluir a catequese, o Papa colocou a santidade no centro da missão da Igreja. O objetivo último de sua presença na história, recordou, é o advento do Reino de Deus e a salvação de todo o gênero humano.
Esse caminho passa, sobretudo, pela santidade pessoal e pelo amor fraterno. Leão XIV citou São Paulo VI para recordar que, sem o testemunho de uma vida santa, a palavra da Igreja corre o risco de não alcançar o coração das pessoas e de “permanecer vã e infecunda”.
“Portanto, tornemo-nos dóceis à ação do Espírito Santo”, exortou o Pontífice, “a fim de que nos ajude a viver em santidade e caridade, para que o mundo possa acreditar e esperar”.
Ao final da audiência, Leão XIV dirigiu uma saudação especial aos peregrinos de língua portuguesa, mencionando grupos do Brasil e de Portugal. Recordou ainda a proximidade da festa de Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil, celebrada em 12 de outubro, e confiou os brasileiros e suas famílias à intercessão maternal da Virgem Maria.




Deixe seu comentário