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Audiência Geral: a Igreja é comunidade terrena e ao mesmo tempo Corpo Místico de Cristo

“A Igreja é um organismo bem articulado, no qual as dimensões humana e divina coexistem, sem separação ou confusão”, destacou o Papa em sua catequese, nesta quarta-feira, 4 de março.

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Redação (04/03/2026 09:56, Gaudium Press) Dirigindo-se a diversos grupos de peregrinos na Praça de São Pedro, Leão XIV prosseguiu suas reflexões sobre a Constituição Dogmática Lumen Gentium, sobre a Igreja, nesta primeira quarta-feira de março.

“No primeiro capítulo, onde se tenciona responder sobretudo à pergunta sobre o que é a Igreja, ela é descrita como ‘uma realidade complexa’”, Leão XIV convidou a considerar essa complexidade. “Em que consiste?” As respostas podem variar de pessoa para pessoa: “Alguém poderia responder que a Igreja é complexa porque “complicada” e, portanto, difícil de explicar”; outros, continuou o Papa, “poderiam ​​pensar que a sua complexidade decorre do fato de ser uma instituição com dois mil anos de história, com características diferentes em relação a qualquer outra agregação social ou religiosa”. Em latim, porém, explicou Leão XIV, a palavra “complexo” refere-se mais à “união ordenada de diferentes aspectos ou dimensões no seio de uma única realidade”. É por isso que a Lumen Gentium afirma que “a Igreja é um organismo bem articulado, no qual coexistem a dimensão humana e a dimensão divina, sem separação nem confusão”.

Dimensão humana e divina

A Igreja é “uma comunidade de homens e mulheres que partilham a alegria e o esforço de ser cristãos, com suas qualidades e seus defeitos, anunciando o Evangelho e tornando-se sinal da presença de Cristo que nos acompanha ao longo do caminho da vida”. Essa é uma dimensão humana que envolve “pessoas concretas”, entre as quais algumas podem “lutar ou errar como qualquer outra pessoa”.

No entanto, o Santo Padre ressaltou que isso não descreve “a verdadeira natureza da Igreja, dado que ela possui também uma dimensão divina”. Com efeito, a “Igreja é gerada pelo desígnio de amor de Deus para a humanidade, realizado em Cristo. Por isso, a Igreja é comunidade terrena e ao mesmo tempo corpo místico de Cristo, assembleia visível e mistério espiritual, realidade presente na história e povo peregrino rumo ao céu”.

Desse modo, a “dimensão humana e a dimensão divina integram-se harmoniosamente […]; é uma realidade humana e ao mesmo tempo divina que acolhe o homem pecador, conduzindo-o a Deus”.

Leão XIV exemplificou com a vida de Nosso Senhor. “Quem encontrava Jesus ao longo das estradas da Palestina, experimentava a sua humanidade, os seus olhos, as suas mãos, o som da sua voz”; e decidiam segui-Lo, abrindo-se ao encontro com Deus. “Sim, a carne de Cristo, o seu rosto, os seus gestos e as suas palavras manifestam de modo visível o Deus invisível”.

Por meio dessa comparação, o Papa retornou à Igreja: “é precisamente através de seus membros e de seus aspectos terrenos limitados que a presença de Cristo e sua ação salvífica se manifestam”. Como disse Bento XVI, “não há oposição entre o Evangelho e a instituição; aliás, as estruturas da Igreja servem precisamente para a realização e a concretização do Evangelho no nosso tempo” (Discurso aos Bispos da Suíça, 9 de novembro de 2006). “Não existe uma Igreja ideal e pura, separada da terra, mas apenas a única Igreja de Cristo, encarnada na história.”

Em síntese, o Papa explicou que a santidade da Igreja reside “no fato de Cristo habitar nela e continuar a se doar através da pequenez e fragilidade de seus membros”. Deus “se faz visível através da debilidade das criaturas, continuando a se manifestar e a agir”, declarou Leão XIV, exortando a todos a construir “o edifício espiritual que é o Corpo de Cristo, através da comunhão e da caridade entre nós”.

“A caridade, com efeito, gera constantemente a presença do Senhor Ressuscitado. ‘Queira o Céu, afirmava Santo Agostinho, ‘que todos prestem atenção unicamente à caridade: sim, só ela vence tudo, e sem ela, todas as coisas não valem nada; onde quer que ela esteja, atrai tudo a si’”.

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