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Audiência Geral: a Igreja caminha na história orientada para a pátria celeste

Dando continuidade ao seu ciclo de catequeses sobre a releitura da constituição dogmática Lumen Gentium, Leão XIV abordou, nesta quarta-feira, durante a audiência geral, a dimensão escatológica da Igreja.

Foto: Vatican Media

Foto: Vatican Media

Redação (06/05/2026 08:51, Gaudium Press) Na audiência geral desta quarta-feira, o Papa Leão XIV deu continuidade ao ciclo de catequeses sobre os documentos do Concílio Vaticano II, aprofundando a reflexão sobre a Constituição dogmática Lumen Gentium, com foco especial no capítulo VII, que trata da dimensão escatológica da Igreja.

Diante de milhares de fiéis reunidos na Praça São Pedro, mesmo com o tempo instável, o Santo Padre destacou que a Igreja “caminha nesta história terrena sempre orientada para a meta final, que é a pátria celeste”. Segundo ele, esta é uma dimensão essencial da vida cristã, mas que “muitas vezes negligenciamos ou minimizamos”, por estarmos excessivamente concentrados “no que é imediatamente visível e nas dinâmicas concretas da comunidade cristã”.

O Povo de Deus a caminho do Reino

Citando Lumen Gentium, o Papa recordou que a Igreja é o “Povo de Deus a caminho na história”, cuja meta final é o Reino de Deus. Jesus deu início a Igreja precisamente anunciando esse Reino de amor, justiça e paz. Por isso, os cristãos são chamados a considerar “a dimensão comunitária e cósmica da salvação em Cristo” e a avaliar todas as coisas à luz dessa perspectiva final.

“A Igreja vive na história a serviço da vinda do Reino de Deus no mundo”, afirmou o Pontífice. Ela anuncia a promessa da salvação, recebe uma garantia na celebração dos Sacramentos — especialmente na Eucaristia — e vive essa lógica nas relações de amor e serviço ao próximo.

Entre o “já” e o “ainda não”

O Papa explicou que a Igreja é “sacramento universal de salvação”, ou seja, sinal e instrumento da plenitude de vida e paz prometida por Deus. No entanto, ela “não se anuncia a si mesma”: tudo nela deve remeter à salvação em Cristo. Assim, “os crentes em Cristo caminham nesta história terrena, marcada pelo amadurecimento do bem, mas também por injustiças e sofrimentos, sem se deixar iludir nem desesperar; eles vivem orientados pela promessa” recebida de Jesus.

A missão da Igreja se realiza exatamente entre o “já” — o Reino iniciado em Jesus — e o “ainda não” — a plena realização que esperamos. “Ela é guardiã de uma esperança que ilumina o caminho”, disse Leão XIV, ressaltando que “a Igreja deve pronunciar palavras claras para rejeitar tudo o que mortifica a vida e impede o seu desenvolvimento, e de tomar posição a favor dos pobres, dos explorados, das vítimas da violência e da guerra e de quantos sofrem no corpo e no espírito”.

Uma Igreja em contínua conversão

Reconhecendo a fragilidade humana, o Papa alertou que nenhuma instituição eclesial pode ser absolutizada. Todas carregam “a marca passageira deste mundo” e, por isso, estão chamadas a uma conversão contínua, à renovação das formas e à reforma das estruturas e à constante regeneração das relações, para que correspondam fielmente à sua missão.

A comunhão dos santos

Encerrando a catequese, Leão XIV destacou a profunda comunhão que une a Igreja terrena e a Igreja celeste. “Todos os cristãos formam uma única Igreja”, lembrou, destacando a “comunhão dos santos que se experimenta em particular na liturgia”.

“Rezando pelos falecidos e seguindo as pegadas de quantos já viveram como discípulos de Jesus, também nós somos amparados no caminho e fortalecidos na adoração a Deus”, afirmou.

O Papa concluiu, pedindo aos fiéis que sejam gratos aos Padres conciliares por terem recordado esta dimensão “tão importante e tão bela de ser cristão e procuremos cultivá-la na nossa vida”.

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