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Assunção, festa de todas as alegrias

Nossa Senhora foi levada aos Céus em corpo e alma, houve a maior celebração realizada no Paraíso depois dos esplendores da Ascensão de Nosso Senhor Jesus Cristo.

 Nossa Senhora foi levada aos Céus em corpo e alma, houve a maior celebração realizada no Paraíso depois dos esplendores da Ascensão de Nosso Senhor Jesus Cristo.


Redação (14/08/2020, 8:05 – Gaudium Press)
 Nossa Senhora, nos últimos anos de sua vida, foi residir com São João Evangelista numa casa em Éfeso, atual Turquia.

Em Éfeso, Nossa Senhora dava orientações aos Apóstolos

Essa cidade é bastante distante de Jerusalém, de modo que a Santíssima Virgem ficava protegida das perseguições dos judeus.

Além dessa razão, esse fato atestava “a mudança de fase iniciada para a humanidade com a apostasia das autoridades do povo eleito, já decididas a destruir a Igreja em seu berço.

“Ademais, do ponto de vista geográfico Éfeso ficava no coração do campo de apostolado dos discípulos, uma vez que alguns foram para a atual Europa, outros para a África e outros ainda para o longínquo Oriente, em regiões que hoje compõem a Índia ou Rússia. Ao se deslocarem de um lugar para outro, Maria podia Se encontrar com eles, dar-lhes orientações e estimulá-los a seguirem com ânimo redobrado suas missões.

“Também no âmbito místico, dali a ação de presença de Nossa Senhora se irradiava mais facilmente sobre as diferentes áreas onde o apostolado se desenvolvia.”

Nessa casa, a Santíssima Virgem rezava e tomava refeições com São João. E “era visitada diariamente por seu Divino Filho e São José, acompanhados de incontáveis espíritos angélicos.

“Por vezes Ela reunia as crianças da região e lhes narrava com vivacidade os episódios da vida de Jesus.

 Nossa Senhora foi levada aos Céus em corpo e alma, houve a maior celebração realizada no Paraíso depois dos esplendores da Ascensão de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Ela preferiu passar pela morte

“Quando Nossa Senhora Se aproximava dos sessenta e cinco anos, refulgente de formidável beleza apesar da avançada idade, soou a hora de sua partida desta terra…”

A cada dia, Ela crescia no amor a Deus até o momento em que não era mais possível aumentá-lo.

“Nesse ápice, Nosso Senhor comunicou à sua Mãe ter chegado a hora de Ela deixar esta terra e rumar para o Reino dos Céus. Consultou-Lhe, então, se preferia partir sem passar pela morte ou seguir o caminho de todos os homens, aquele por Ele trilhado.”

Tendo Ela escolhido a via da morte, “Nosso Senhor disse-Lhe que sua vontade seria respeitada; porém, Ele determinava uma morte sem dor, pois não Lhe permitiria sofrer mais do que já padecera no decurso da vida, notadamente durante a Paixão, a qual, suportada com extremos de coragem, valera-Lhe os títulos de Rainha dos Mártires e Corredentora do gênero humano.”

Concebeu em seu espírito cada um dos filhos de seu Reino

Certo dia, apresentaram-se diante da Santíssima Virgem “os sete espíritos angélicos supremos, que assistem sempre junto ao trono de Deus (cf. Ap 1, 4). Após uma reverente saudação, o Arcanjo Gabriel tomou a palavra e Lhe disse:

— Rainha e Soberana nossa, vimos da parte do Altíssimo apresentar à vossa misericordiosa Majestade um pedido. É vontade da eterna e indivisa Trindade gerar espiritualmente em vosso claustro virginal os filhos que hão de constituir vosso ‘corpo místico’ nos bem-aventurados tempos de vossa glorificação na terra. O Divino Espírito Santo deseja vir sobre Vós, em nova união esponsal, para engendrá-los segundo a vossa palavra.

Cheia de gáudio, a Santíssima Virgem acedeu. “A partir de então Ela passou a conceber em seu espírito, um por um e conforme seus desejos, os filhos de seu Reino.

“Seu desvelo materno se debruçou com ainda maior afeto sobre as almas chamadas a constituírem os alicerces dessa era marial, aqueles que seriam os apóstolos de seu Sapiencial e Imaculado Coração.

“Quando Nossa Senhora terminou de gerar em seu Coração, pela ação do Espírito Santo, o plano de Deus para os últimos tempos, sua missão nesta terra estava encerrada. A Trindade Beatíssima A chamava para junto de Si, a fim de com Ela governar a História e iniciar a realização de tudo quanto havia concebido.”

 Nossa Senhora foi levada aos Céus em corpo e alma, houve a maior celebração realizada no Paraíso depois dos esplendores da Ascensão de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Adormeceu no Senhor, tendo à cabeceira de seu leito Jesus e São José

Desejosa de se despedir dos Apóstolos, Maria Santíssima pediu a Nosso Senhor que os avisasse. Ele enviou Anjos que cumpriram essa missão. E quando todos eles, exceto São Tomé que chegou atrasado, estavam em seu redor Ela deu a bênção e Se despediu de cada um em particular.

Então, “Ela adormeceu no Senhor, tendo à cabeceira do leito seu Divino Filho e São José! Uma multidão de Anjos cantava e graças superabundantes se faziam sentir”.
Pouco depois, Ela ressuscitou.

“O virginal corpo de Maria espargia luz e ostentava dois fenômenos sobrenaturais reservados por Deus para sua ressurreição. Ao abrir as mãos, que antes repousavam sobre o peito, apareceu seu Imaculado Coração circundado por uma coroa de flores. Estava tão dilatado de amor que já não cabia dentro do corpo.

“Ademais, Nossa Senhora portava na mão esquerda a vara florida de São José, cujos lírios simbolizavam a perfeita identidade entre Ela e o Corpo Místico de Cristo, ao qual Se uniu em desponsório espiritual.

“A seguir Ela fez uma exortação aos Apóstolos, encorajando-os a retornarem aos lugares onde exerciam seu ministério.

“Ao término da exortação, miríades de Anjos começaram a cantar músicas inefáveis. Em meio a uma feeria de manifestações sobrenaturais e na companhia de Nosso Senhor e São José, teve início a Assunção.

São Tomé confiou até o último instante e foi premiado

“Quando Ela já Se encontrava a certa distância do solo, chegou São Tomé, sôfrego por contemplar sua Mãe e Rainha pela derradeira vez. Ao vê-lo

Nossa Senhora sorriu e, desatando seu cinto, lançou-o para ele.

“O atraso do Apóstolo não se deveu a uma negligência ou falta de fé de sua parte, mas consistiu numa prova permitida pela Providência, pois ele estava chamado a comprar graças na linha da confiança e da fé para todo o Colégio Apostólico. Em consequência, o maternal gesto de Maria foi o prêmio que ele recebeu por confiar até o último instante.”

Tendo Nossa Senhora entrado no Céu, “o que não terá preparado a Santíssima Trindade para glorificar Aquela que é o seu próprio Paraíso?

“Por isso, pondera Dr. Plinio , a Assunção deve ser considerada como ‘a festa de todos os gáudios e todas as alegrias, a festa do dia em que Nossa Senhora, ressurrecta, foi levada aos Céus em corpo e alma. Terá sido a maior celebração realizada no Paraíso depois dos esplendores retumbantes da Ascensão de Nosso Senhor Jesus Cristo: Maria Santíssima, a obra-prima da mera criação, ocupará seu lugar ao lado do trono de seu Divino Filho!’”

 

Por Paulo Francisco Martos

(in “Noções de História da Igreja – 14)

 

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1 – CORRÊA DE OLIVEIRA, Plinio. Festa de todas as alegrias. In: Dr. Plinio. São Paulo.
Ano IX. N.101 (agosto 2006); p.36.

2 – CLÁ DIAS, João Scognamiglio, EP. Maria Santíssima! O Paraíso de Deus revelado aos homens. São Paulo: Arautos do Evangelho. 2020, v. II, p. 541.548.557 passim.

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