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Assassinato e sequestro: novos ataques contra a Igreja Católica na Nigéria:

A onda de violência na Nigéria resultou em dois novos ataques contra a Igreja Católica em menos de uma semana. Um sacerdote foi assassinado e, poucos dias depois, um grupo de homens armados invadiu a missa de domingo e sequestrou três pessoas.

Foto: Catholic Diocese of Lokoja/ Facebook

Foto: Catholic Diocese of Lokoja/ Facebook

Redação (03/08/2026 12:02, Gaudium Press) A comunidade católica nigeriana enfrenta mais um momento de dor e insegurança. Em menos de sete dias, dois ataques graves atingiram fiéis e clérigos no país. No dia 29 de julho, o padre Samuel Opeyemi Oyetoro foi encontrado morto com ferimentos graves de facão. Poucos dias depois, em 2 de agosto, homens armados invadiram uma igreja durante a missa dominical e sequestraram três pessoas.

O assassinato do padre em Kogi

O presbítero Samuel Opeyemi Oyetoro pertencia à Diocese de Lokoja, no estado de Kogi, na região central da Nigéria. Ele servia na paróquia de São Paulo, em Ayetoro Gbede (área de governo local de Ijumu), e era natural de Ayetoro, no mesmo estado. Nascido em Egbe (Yagba West), o religioso estava em Ajaokuta cumprindo uma missão temporária quando foi morto.

Segundo o comunicado oficial da polícia estadual, na manhã de 29 de julho, por volta das 9h30, agentes receberam informação de que o corpo de um homem não identificado fora encontrado à beira da Church Road, em Ajaokuta. Ao chegar ao local, os policiais constataram que a vítima apresentava graves ferimentos de facão na cabeça. O corpo foi levado ao Hospital ASCL, onde a morte foi confirmada por um médico, e depois encaminhado ao necrotério para autópsia.

A Diocese de Lokoja anunciou a morte com “profunda tristeza e na esperança da ressurreição”, em nota de 30 de julho. Fontes da Igreja local relataram que o padre sofreu múltiplos golpes, o que indica um ataque violento e deliberado. As circunstâncias exatas ainda não foram esclarecidas, e a polícia segue investigando. Após as apurações preliminares, o caso deve ser transferido ao Departamento Estadual de Investigação Criminal.

O governador do estado de Kogi, Ahmed Usman Ododo, condenou o crime de forma enérgica, classificando-o como “um ato atroz e inaceitável”. Em nota oficial, o governo estadual determinou que as forças de segurança realizem uma investigação completa e prometeu apoio para que os responsáveis sejam identificados e levados à justiça.

Invasão durante a missa em Enugu

Ainda em luto pela morte do sacerdote, a diocese enfrentou outro ataque grave contra os fiéis. No último domingo, 2 de agosto, pelo menos sete homens armados invadiram a Igreja de São José, em Inoyi, Affa, no estado de Enugu, durante a missa matinal.

Os atacantes provocaram pânico entre os fiéis, que fugiram sob intensa chuva. Antes de se retirarem, sequestraram três pessoas: o seminarista Lawrence Chidera Igbo, um catequista e um fiel identificado apenas como Emmanuel. Alguns moradores tentaram seguir os assaltantes, mas desistiram ao perceber que estavam armados, temendo colocar os reféns em um risco ainda maior.

Uma operação conjunta da polícia, guardas florestais e membros do Neighbourhood Watch conseguiu resgatar o catequista. Os sequestradores abandonaram a vítima durante a fuga. No entanto, o seminarista Lawrence Chidera Igbo e o fiel Emmanuel permanecem em cativeiro. A polícia estadual de Enugu, por meio do porta-voz SP Daniel Ndukwe, informou que as buscas continuam intensificadas, com ordens do comissário de polícia para mobilizar todos os recursos disponíveis a fim de localizar os reféns e prender os criminosos.

Um padrão de violência persistente

Esses dois episódios se somam a um longo histórico de ataques contra clérigos e comunidades cristãs na Nigéria. Relatórios de organizações, como a Ajuda à Igreja que Sofre, apontam que, entre 2015 e 2025, pelo menos 212 sacerdotes católicos foram sequestrados no país. Muitos foram libertados, mas dezenas morreram ou sofrem sequelas. A violência, muitas vezes atribuída a grupos armados e a extremistas afeta especialmente o centro e o norte da Nigéria, mas tem se espalhado também para o sudeste.

A Igreja Católica nigeriana, uma das maiores da África, continua a denunciar a insegurança e a pedir proteção efetiva das autoridades. O Papa tem reiterado apelos às autoridades competentes para garantir a segurança dos fiéis. Para as comunidades locais, cada novo ataque reforça o sentimento de vulnerabilidade: templos, que deveriam ser espaços de paz, tornam-se alvos, e o exercício da fé exige cada vez mais coragem.

Até o momento, tanto no caso do Pe. Samuel quanto no sequestro de do seminarista Enugu, as investigações estão em andamento. A esperança das famílias, da Igreja e dos fiéis é que os responsáveis sejam capturados e que a justiça prevaleça, em um país onde a violência contra religiosos se tornou, infelizmente, uma realidade recorrente.

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