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Bispos católicos se manifestam sobre aborto de menina de dez anos

Se grave foi a violência do tio que abusou de uma criança indefesa, gravíssimo foi o aborto realizado quando todo o esforço deveria ser voltado para a defesa das duas crianças, mãe e filha.

Redação (17/08/2020 15:00, Gaudium Press) Um dos temas mais debatidos durante esse final de semana no Brasil foi a polêmica decisão da justiça que permitiu a interrupção da gravidez de uma menina de dez anos que sofreu abuso sexual, em São Mateus, município situado a 215 km de Vitória do Espírito Santo.

A criança foi encaminhada pela justiça capixaba para o Centro Integrado de Saúde Amauri de Medeiros – CISAM, no Recife (Pernambuco), onde infelizmente o aborto foi consumado. O assassinato do bebê de cinco meses foi realizado às pressas no último domingo em meio a protestos de grupos em defesa da vida.

Recife: a capital do aborto

Sobre esse triste fato, o Arcebispo de Olinda e Recife, Dom Fernando Saburido, se manifestou nesta segunda-feira, 17 de agosto, afirmando que “se grave foi a violência do tio que vinha abusando de uma criança indefesa, culminando com violento estupro, gravíssimo foi o aborto realizado em Recife, quando todo o esforço deveria ser voltado para a defesa das duas crianças, mãe e filha”.

Dom Saburido lamentou que a cidade de Recife esteja criando a fama de “capital do aborto” e exortou os católicos a “combater o bom combate” para mudar essa triste fama.

Após parabenizar os profissionais da saúde que estão trabalhando em defesa da vida das vítimas da Covid-19, o prelado se disse decepcionado pelos profissionais da saúde que se prestam à prática do aborto. “Este ato, mesmo com autorização judicial, não deve ser feito por uma pessoa de Fé ou até incrédula consciente, por uma questão de respeito à Lei de Deus ou simplesmente por princípio ético, baseado no valor inviolável da vida”, advertiu.

Comissão Episcopal Pastoral para a Vida e a Família

O Bispo do Rio Grande (RS) e presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Vida e a Família da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Dom Ricardo Hoepers, também se manifestou sobre a polêmica decisão.

Em um artigo publicado nesta segunda-feira, 17, o prelado questionou os motivos pelo qual não se permitiu esse bebê viver. “Que erro ele cometeu? Qual foi seu crime? Por que uma condenação tão rápida, sem um processo justo e fora da legalidade? Por que o desprezo a tantas outras possibilidades de possíveis soluções em prol da vida?”, indagou.

Para Dom Hoepers essa é uma história que precisa de um esclarecimento por parte do Ministério Público do Espírito Santo, Conselho Tutelar, Secretários Municipais da Saúde de Vitória e Recife e Secretários Estaduais da Saúde do Espírito Santo e de Pernambuco, pois as duas crianças poderiam viver.

“Teve laudo técnico a favor da vida, teve suporte profissional a favor da vida, teve hospital disposto a cuidar até o fim da gestação, tiveram todas as condições de salvar as duas vidas, mas, de repente, uma transferência, de um Estado para o outro, e toda uma mobilização para que o aborto fosse realizado”.

A violência do estupro é infame, mas a violência do aborto é tão terrível quanto

O presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Vida sublinhou que “a violência do estupro e do abuso sexual é infame e horrenda, mas a violência do aborto provocado em um ser inocente e sem defesa é tão terrível quanto. Ambos são crimes”. E ainda destacou que apesar dos críticos rejeitarem o discurso religioso em defesa da vida, “não se trata de nenhum fundamentalismo, mas do uso da reta razão”.

O religioso conclui fazendo uma oração “por todas as crianças que gostariam nascer, brincar, chorar e viver, mas, foram assassinadas antes de nascer! Esperamos explicações e respostas sobre esse caso. Chega de violência! Não ao aborto! Escolhe, pois, a vida (Dt, 30,19)”. (EPC)

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