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Arcebispo de Viena defende o que a doutrina proíbe: ordenar mulheres

Em uma entrevista, Dom Grünwidl rejeita o ensinamento infalível da Igreja sobre a reserva da ordenação sacerdotal aos homens.

Foto: Vatican News

Foto: Vatican News

Redação (04/11/2026 08:46, Gaudium Press) No último sábado, 31 de outubro, o arcebispo de Viena, Dom Josef Grünwidl, concedeu entrevista ao programa Im Journal zu Gast, da emissora pública austríaca ORF Ö1. No diálogo com o jornalista Tarek Leitner, o prelado abordou o papel das mulheres na Igreja e a escassez de sacerdotes. Quando questionado sobre se a maior participação feminina poderia ajudar a resolver a falta de padres, Grünwidl afirmou: “Eu certamente desejaria a ordenação de mulheres”. Acrescentou, porém, que essa decisão só poderia ser tomada em nível de Igreja universal, por meio de um concílio, e que, no momento, não vê perspectiva realista de que isso ocorra.

A declaração não passou despercebida. Ela toca diretamente em um ponto que a Igreja Católica considera fechado de forma definitiva e irreformável.

A doutrina definida pela Igreja

Em 22 de maio de 1994, o Papa São João Paulo II publicou a carta apostólica Ordinatio Sacerdotalis. Nela, o pontífice declarou: “portanto, para que seja excluída qualquer dúvida em assunto da máxima importância, que pertence à própria constituição divina da Igreja, em virtude do meu ministério de confirmar os irmãos (cf. Lc 22,32), declaro que a Igreja não tem absolutamente a faculdade de conferir a ordenação sacerdotal às mulheres, e que esta sentença deve ser considerada como definitiva por todos os fiéis da Igreja”.

Um ano depois, em 28 de outubro de 1995, a Congregação para a Doutrina da Fé, então presidida pelo Cardeal Joseph Ratzinger (futuro Bento XVI), publicou o Responsum ad Dubium. O documento respondeu afirmativamente à dúvida se essa doutrina pertence ao depósito da fé. A Congregação explicou que o ensinamento exige assentimento definitivo porque está fundado na Palavra de Deus escrita, foi constantemente conservado e aplicado na Tradição desde o início e foi proposto de modo infalível pelo Magistério ordinário e universal.

O Catecismo da Igreja Católica e documentos do Concílio Vaticano II reforçam a mesma doutrina. A exclusão das mulheres do sacerdócio ministerial não é vista pela Igreja como uma mera disciplina eclesiástica que possa ser alterada, mas como algo ligado à própria constituição divina da Igreja e à vontade de Cristo, que escolheu apenas homens para o colégio apostólico. Portanto, a Igreja já usou sua infalibilidade em matéria de fé e moral para definir de forma infalível e definitiva que não se pode conferir a ordenação sacerdotal a mulheres.

Por isso, a argumentação de Dom Grünwidl — de que um futuro concílio poderia decidir a questão — coloca-o numa posição de negação pública do ensinamento da Igreja. Uma vez que a doutrina já foi proposta de forma definitiva e infalível, nem um concílio ecumênico nem um papa poderiam revogá-la. Tratar o tema como algo ainda aberto equivale, segundo a compreensão clássica do Magistério, a negar o caráter definitivo da decisão já tomada.

Dom Grünwidl enquadra suas declarações no contexto de “escuta” e “sinodalidade”.

Críticos, no entanto, argumentam que a declaração pública de um arcebispo de que “certamente desejaria” algo que a Igreja declara impossível gera escândalo e confusão. O uso da expressão “desde logo” ou “certamente” (na versão alemã original) transmite a impressão de que se trata de uma posição óbvia e majoritária em seu meio, o que agrava a gravidade do gesto. Como alertam alguns observadores, quando membros da hierarquia negam o depósito da fé sem serem corrigidos nem punidos, o risco de heterodoxia se espalha entre o clero e os fiéis.

Como disse o próprio Cristo: “Se um cego guia outro cego, ambos cairão no buraco”.

Quem é Dom Josef Grünwidl

Nascido em 1963 em Hollabrunn, Áustria, Josef Grünwidl foi ordenado sacerdote em 1988. Ao longo da carreira, atuou como pároco, decano e, mais tarde, como vigário episcopal. Em janeiro de 2025, após a renúncia do Cardeal Christoph Schönborn, foi nomeado administrador apostólico da Arquidiocese de Viena. Em outubro de 2025, o Papa Leão XIV o escolheu como novo arcebispo metropolitano. A ordenação episcopal e a posse ocorreram em janeiro de 2026.

Grünwidl já havia se mostrado aberto a reformas em declarações anteriores. Ele defendeu a possibilidade de mudanças no celibato clerical obrigatório — argumentando que se trata de disciplina e não de dogma — e apoiou maior participação de mulheres em órgãos de decisão, incluindo a possibilidade de uma mulher ocupar a Secretaria-geral da Conferência Episcopal Austríaca (atualmente reservada a clérigos). Na mesma entrevista de 31 de outubro, ele mencionou ter incluído mulheres no conselho episcopal da arquidiocese e destacou o trabalho feminino em pastorais, escolas, hospitais e administração.

No passado, ele chegou a integrar a Pfarrer-Initiative (Iniciativa dos Padres), grupo austríaco que, em 2011, lançou um “chamado à desobediência” defendendo, entre outras coisas, a ordenação de mulheres e de homens casados. Mais tarde, distanciou-se desta postura de enfrentamento.

Com informações Infocatólica

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