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Arcebispo de Paris se pronuncia contra aprovação precipitada da Lei de Bioética

Dom Michel Aupetit constata que existe “uma certa obsessão em facilitar a eliminação de crianças no ventre de suas mães, fazendo do aborto uma prioridade em tempos de confinamento”.

França – Paris (30/06/2020 17:00, Gaudium Press) “Sem vergonha, justamente quando nosso país acaba de atravessar uma crise sanitária que o pôs de joelhos, a prioridade do governo é fazer a Assembleia Nacional adotar o projeto de lei de bioética”: assim inicia a nota do Arcebispo de Paris, Dom Michel Aupetit, publicada ontem no ‘Le Figaro’, na qual questiona a pressa do governo francês em aprovar uma muito polêmica, muito importante e pouco discutida lei.

Dom Aupetit protesta contra o desejo premente do executivo francês em aprovar um projeto de lei de bioética que está atualmente na Assembléia Nacional, antes das férias parlamentares. Pareceria que para o executivo “não haveria outras emergências hoje senão fazer passar de maneira forçada e na discrição do mês de julho este conjunto de leis que tocam a essência inclusive de nossa humanidade”, expressa o prelado.

Dom Aupetit, embora elogie o trabalho árduo da equipe de saúde, recorda que muitos idosos morreram em condições difíceis durante a pandemia e que, acima de tudo, isso mostrou a triste situação das Ehpad – as residências que abrigam idosos dependentes – particularmente a falta de pessoal. Embora muitos fundos sejam destinados “para a ‘inteligência artificial'”, e “enquanto outros discutem a eutanásia”, realmente é necessário pensar nos idosos.

Obsessão por facilitar o aborto – Violência contra os menores

O Arcebispo de Paris constata que existe “uma certa obsessão por facilitar a eliminação de crianças no ventre de suas mães, fazendo do IVE [aborto forçado] uma prioridade em tempos de confinamento, inclusive as urgências cardiovasculares foram afetadas para favorecer a acolhida de pacientes atingidos pela Covid-19”.

Dom Aupetit lamenta a “banalização de embriões humanos selecionados, analisados e lançados como vulgares produtos de consumo , na produção artificial de gametas que não têm outro interesse senão o de alimentar o mito de uma procriação “fora do sexo”. Sabemos que é necessário relançar o comércio e a indústria, mas não ao preço da dignidade humana. Escolher abrir muito o mercado infantil, dissociando a assistência médica à procriação das dificuldades em conceber, é um grave atentado à dignidade humana”.

“Não há violência, na verdade, quando uma criança se priva deliberadamente de um pai, quando são organizados abortos seletivos no caso de gestações múltiplas, quando uma criança descobre que o embrião que ela foi poderia muito bem ter acabado sob o microscópio de um pesquisador ou em uma lata de lixo após um tempo de congelamento mais ou menos longo? A criança sujeita à onipotência do ‘projeto parental’ é ainda nosso igual?”, se pergunta o Arcebispo.

Os deputados não devem ceder às pressões ideológicas

“No que concerne ao direito à vida, todo ser humano inocente é absolutamente igual a todos os outros”; “esta igualdade é a base de todas as relações sociais autênticas” e é conveniente considerar “cada homem e cada mulher como uma pessoa e não como uma coisa da qual se pode se dispôr”, estabeleceu João Paulo II no Evangelho da Vida (n.57), e repete Dom Aupetit em seu artigo.

Essa responsabilidade, a de dar o alto valor devido à vida humana, “incumbe de novo nestes dias aos nossos deputados”, a quem o Arcebispo pede para que não se dobrem “às pressões ideológicas ou mercantilistas que quase não são ocultadas por slogans peremptórios”.

No momento em que “a crise sanitária ainda está presente, que a crise econômica e social impactará seriamente a vida de nossos compatriotas, (…) seria honroso por parte de nossos deputados questionar este projeto injusto e desigual para concentrar-se nos verdadeiros problemas dos franceses”, conclui Dom Aupetit. (EPC)

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