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Arcebispo alerta: “Não tenha medo de morrer; tenha medo de não viver de verdade”

O Arcebispo Emérito da Filadélfia publicou seu livro “Coisas pelas quais valem a pena morrer: pensamentos sobre uma vida que vale a pena ser vivida”.

Redação (27/04/2021 15:38, Gaudium Press) Mons. Charles Chaput, arcebispo emérito da Filadélfia, continua a ser uma figura de realce na Igreja Americana. Ele é o primeiro arcebispo e o segundo bispo americano-nativo dos Estados Unidos.

Catholic World Report conversou com o Arcebispo sobre o tema de seu livro, entre outros, dos quais destacamos alguns pontos.

A razão que o levou a escrever o livro foi uma sugestão de seu agente editorial com quem trabalha há 14 anos, Bill Barry. E como resultado, Mons. Chaput refletiu que de fato “todos nós morremos, mas nem todos nós vivemos de verdade, “viver” no sentido de nos comprometermos com as coisas que realmente importam”.

Um desejo fugaz de prolongar a vida a todo custo

Sobre esse desejo da cultura moderna de proteger e prolongar a vida a todo custo, Mons. Chaput afirmou que a morte é comumente vista como um “beco sem saída”, mas a fé nos abre uma perspectiva muito diferente:

“Muitos de nós sofremos de uma espécie de desespero sutil. O medo da morte é venenoso. Esse medo leva as pessoas a se enterrar em todos os tipos de evasões e distrações. E é compreensível. Ninguém quer morrer, inclusive eu. Mas iremos morrer. Não há como fugir disso. Leon Kass, o grande judeu bioético, faz uma pergunta melhor em seus escritos: Por que iríamos querer viver mais 50 ou 100 anos além de uma vida normal? Qual é o propósito? A fé fornece uma resposta que dá sentido aos nossos limites. A fé muda toda a dinâmica do nosso tempo no mundo. Se acreditamos em um propósito maior para nossas vidas e disciplinamos nossas escolhas e ações para a realidade de uma vida pós-morte, isso lança uma nova luz sobre o nosso tempo aqui. Substitui o medo pela esperança; e a esperança nos liberta para amar”, expressou o arcebispo.

Mas como isso pode ajudar nossa cultura, quando se entende o destino eterno do homem?

Distrações e apetites que nos sufocam e nos debilitam

“Jesus disse: “Conhecereis a verdade, e ela vos libertará” (Jo 8, 32). Ele encarnou a verdadeira liberdade porque enfrentou e superou o medo da morte e, ao fazê-lo, libertou todos nós para uma vida nova e eterna. Compare isso com a cultura que temos agora. Como americanos, nós nos orgulhamos de nossa nação como a terra da liberdade e o lar dos corajosos. Mas muitas vezes não somos nenhum dos dois. Estamos envolvidos em distrações e apetites manufaturados que nos sufocam e nos debilitam. Se pensássemos mais claramente – não morbidamente, mas claramente – sobre o nosso fim, isso nos daria a sobriedade para mudar o curso e buscar as coisas certas”, disse Dom Chaput.

O Arcebispo Emérito da Filadélfia insiste que a visão cristã da vida e da morte explica melhor o significado de nossas vidas porque é a correta.

Analisando esses tempos de pandemia, afirma Mons. Chaput que, embora alguns tenham aproveitado esses dias para levantar questões sobre a morte e as coisas verdadeiramente importantes da vida, muitos “se concentraram em tentar evitar o vírus, sem pensar muito além disso”.

O arcebispo salientou que São Francisco de Assis (Mons. Chaput é Capuchinho) é um bom exemplo de como encarar a morte, pois exigia “santidade em si mesmo e em seus irmãos. Ele conhecia bem a Irmã Morte e entendeu perfeitamente que para encontrá-la em paz, uma pessoa precisa viver para Deus e para os outros, mais do que para si mesmo.” Vale a pena viver para defender a verdade e pregar o Evangelho, ratificou o prelado, pois isso traz “liberdade e alegria”.

“Não tenha medo de morrer”, ressaltou Mons. Chaput. Tenha medo de não viver de verdade; [devemos] viver de uma maneira que nos conduza, e aqueles que amamos, a uma vida eterna com Deus. A morte não é um fim. É o começo. É a porta de entrada para um Pai que nos ama.”

Com informações  Catholic World Report

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