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Apresentação de Nossa Senhora no Templo

Neste dia 21 de novembro, a Igreja celebra a Festa da Apresentação de Nossa Senhora no Templo. Os pais de Nossa Senhora fizeram o voto de consagrar a Menina ao serviço do Templo, quando Ela completasse três anos.

Redação (20/11/2022 14:27, Gaudium Press) A Festa da Apresentação de Nossa Senhora no Templo foi instituída ao ser consagrada a igreja de Santa Maria a Nova, em Jerusalém, no ano 543. Assim, a liturgia confirmava como fato histórico o que se lê no texto apócrifo conhecido como Protoevangelho de Tiago: a Santíssima Virgem foi levada pelos seus pais, São Joaquim e Sant’Ana, ao Templo de Jerusalém, com tenra idade, para viver uma vida de recolhimento e oração nesse sagrado lugar.

A consagração de Maria ao serviço do Templo

Acostumado a uma civilização na qual as atitudes dos pais com respeito aos filhos variam desde a violência mais facínora e atroz, ao apego mais egoísta e irracional, é difícil ao homem contemporâneo compreender a magnanimidade de pais santos que, totalmente livres de interesses mesquinhos, entregam seus filhos a Deus por meio do serviço à Igreja.

São Joaquim e Sant’Ana seriam sem dúvida o oposto de muitos pais hodiernos e poderiam ser nomeados os padroeiros daqueles que preparam seus filhos para a vida religiosa e a ela os oferecem com desprendimento.

Por sua íntima união com Deus, os esposos intuíram que sua Filha deveria ser consagrada a Ele e, dóceis à voz da graça em seus corações, fizeram o firme propósito de conduzi-La ao serviço do Templo quando cumprisse três anos de idade.

Celebrado esse natalício de Maria, São Joaquim recebeu em sonho a revelação do Arcanjo Gabriel de que era chegado o momento. Também Sant’Ana sentiu uma forte moção interior, indicando-lhe que assim procedesse.

Preparativos para a viagem

As semanas que precederam a partida da Menina para Jerusalém foram de intensa atividade na casa de Nazaré. Usando com generosidade de seus talentos, Ela mesma ajudava a mãe na preparação dos acessórios que deveria levar consigo para a Cidade Santa: túnicas diversas, pequenos véus de cores claras, enfim, todo o enxoval necessário para sua permanência no Templo.

Desde o nascimento de Maria, o casal não desejava outra coisa senão cumprir o voto que havia feito. Ora, é próprio à virtude ordenar os afetos da alma, livrando-a da escravidão a tudo aquilo que a afasta da perfeição. Contudo, não se pode negar que quanto mais nobre e espiritual se mostra o amor, tanto maior se torna a dor da separação.

Dias antes da partida para Jerusalém, Nossa Senhora começou a prepará-los para enfrentarem sua ausência, ora levando-os a participar da alegria que sentia em entregar-Se a Deus, ora fortalecendo-os por meio de alguma palavra ou mesmo obtendo-lhes graças extraordinárias que lhes falassem no interior do coração.

Agindo assim, Ela impedia que o demônio aumentasse a preocupação que os assaltava, pois tinham clara noção das dificuldades que A aguardavam na Cidade Santa, em particular no Templo.

Fixada a data da viagem e concluídos os preparativos necessários, realizou-se a despedida dos familiares e conhecidos mais próximos.

Jerusalém

Edificada sobre o Monte Sião, Jerusalém era o ponto de confluência das tribos de Israel, que para lá se dirigiam jubilosas com o intuito de celebrar o santo nome de Deus: “Que alegria, quando ouvi que me disseram: ‘Vamos à casa do Senhor!’ E agora nossos pés já se detêm, Jerusalém, em tuas portas” (Sl 121, 1-2). De beleza perfeita e alegria do mundo inteiro (cf. Lm 2, 15), a “cidade do grande Rei” (Mt 5, 35) simbolizava a aliança do Altíssimo com o seu povo, o amor que Ele lhe devotava e a esperança dos justos na vinda do Salvador.

O Templo exprimia o ápice da História; era o lugar mais sagrado da terra, o centro da vida religiosa. Para bem avaliar a importância que os judeus lhe atribuíam, imaginemos que todas as igrejas do orbe fossem simples lugares de oração, como o eram as sinagogas, e que o Santo Sacrifício da Missa se celebrasse em apenas uma igreja: esta representaria para os católicos o que o Templo significava para o povo eleito. Tudo ali se destinava a alimentar e irradiar a expectativa profética do Messias que viria.

Fatigados pela longa viagem, chegaram por fim a Jerusalém quando o sol começava a se pôr no horizonte. Após se instalarem, São Joaquim Lhe comunicou a grande notícia: já no dia seguinte, à primeira hora da manhã, eles se dirigiriam ao Templo para a cerimônia na qual Ela seria oferecida ao Senhor.

Subindo ao Templo

Tendo se despertado com os primeiros raios da aurora e concluído os últimos preparativos, o santo casal dirigiu-se ao Templo levando consigo a pequena Maria. Ela estava radiante de alegria por saber que seria consagrada ao serviço de Deus naquele dia, pois este fora sempre o seu único e grande desejo: fazer-Se escrava do Senhor.

Ao ingressarem no Templo, os três se ajoelharam e rezaram em silêncio: São Joaquim encontrava-se um pouco mais à frente e impetrava graças para o ato de entrega da Filha que em breve realizaria; Sant’Ana e a Menina ficaram um pouco mais atrás e o acompanhavam recolhidas.

Após concluir essa súplica ao Senhor, o santo casal dirigiu-se com Maria para outro átrio mais movimentado e, tendo cruzado alguns salões, bateram em uma grande porta de duas folhas. Em poucos instantes uma jovem, vestida com túnica vinho e véu branco, os atendeu e gentilmente pediu que aguardassem um momento.

Retornou algum tempo depois com dois sacerdotes: o sumo sacerdote naquele ano, ancião de caráter péssimo que havia estado na casa de São Joaquim, em Nazaré, por ocasião do nascimento de Maria; e o sacerdote João, o qual, entre outras responsabilidades, supervisionava a formação das donzelas do Templo, função exercida mais diretamente por algumas senhoras idosas e experientes.

São Joaquim entregou a Maria a gaiola com os dois pardaizinhos, e Ela, por sua vez, apresentou-a ao sumo sacerdote. Tratava-se de um ritual seguido por todas as donzelas que ingressavam no serviço de Deus: os dois passarinhos significavam sua liberdade e castidade, consagradas ao Templo pelas mãos do ministro sagrado. Após este breve ato, o sumo sacerdote se despediu. O sacerdote João os conduziu pela porta a uma sala secundária, semelhante a uma capela bem espaçosa, situada em uma área mais recôndita do Templo e reservada aos sacrifícios e imolações mais importantes. Ali os aguardava Simeão, o qual oficiaria a cerimônia da apresentação de Maria, acompanhado pelas mestras e donzelas que dela participariam.

O ritual da apresentação

O casal entrou em cortejo com a Menina desde o fundo da sala até próximo ao sacerdote. Então São Joaquim tomou a palavra e proferiu uma oração composta de improviso:

— Neste momento, Senhor, ofertamos o nosso mais precioso tesouro, nossa querida Filha, Maria. Damo-La a Vós, pois mereceis aquilo que temos de melhor, e que nos foi dado por Vós mesmo. Que Ela, ao entrar no vosso serviço neste local sagrado, caminhe imaculada na vossa presença, sem que seus passos jamais se desviem de vossa santa vontade.

Ainda diante de Simeão, São Joaquim fez a solene entrega da Filha aos cuidados do sacerdote João, dizendo a Ela:

— Filha minha, entrego-A a esse filho de Levi para ser oferecida ao Senhor, a fim de que Você sirva a Ele em todos os dias de sua vida. Seja uma oferta imaculada ao Deus de nosso povo, e que Ele nos visite com a vinda do Messias esperado.

Concluída a cerimônia, João chamou uma das mestras presentes, de nome Sara, e lhe confiou a Menina.

Após mútuos agradecimentos, Sara e três das donzelas presentes convidaram São Joaquim, Sant’Ana e Maria para conhecer as dependências internas do Templo. Ao término da visita, antes de se separarem, os pais quiseram rezar, uma vez mais, com a Filha. Marcada por uma nota de recolhimento e meditação, iniciava-se sua permanência no Templo.

Já no próprio dia da apresentação, a Pequena procurou, com suas súplicas, oferecer a Deus uma reparação por todos os pecados cometidos pela nação, em especial a idolatria praticada ocultamente desde os tempos de Moisés. Doía-Lhe sobremaneira constatar que os sacerdotes, chamados a apressar a vinda do Messias por meio dos sacrifícios prescritos pela Lei, eram, na realidade, os que mais afastavam o povo dos preceitos divinos.

Nesta comemoração, aproveitemos para apresentar nossas pessoas à Santíssima Virgem para que Ela se digne aceitar e assumir a tarefa da nossa santificação, como foi feito pelo Espírito Santo com Ela, no Templo de Jerusalém.

 

Texto extraído, com adaptações, do livro Maria Santíssima! O Paraíso de Deus revelado aos homens, v. 2. Por Mons. João Scognamiglio Clá Dias.

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