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Ângelus: ter confiança ainda que Deus pareça estar ausente

O Reino de Deus vem como a menor das sementes e exige paciência para acompanhar os processos, reconhecendo-o “na simplicidade do cotidiano e na singeleza da vida comum”.

Foto: Vatican Media

Foto: Vatican Media

Redação (19/07/2026 11:23, Gaudium Press) No Ângelus deste domingo, 19 de julho, em Castel Gandolfo, onde está passando suas férias de verão, o Papa Leão XIV refletiu sobre o Evangelho do dia, extraído de São Mateus (Mt 13, 24-43), no qual são destacadas três pequenas parábolas — o joio e o trigo, o grão de mostarda e o fermento na farinha.

Segundo o Papa, essas imagens “pretendem evocar a chegada do Reino de Deus na história, a sua ação na vida dos homens, a maneira como cresce, se expande e transforma o mundo a partir de dentro”. Elas nos alertam contra a tentação de imaginar Deus como “uma figura poderosa, que se impõe pela força, que ocupa o espaço para dominar, que chega de forma triunfante”. Ao contrário, Deus escolhe a pequenez, sinal de seu amor discreto, que respeita nossa liberdade e age de modo humilde.

Confiar em Deus

Leão XIV explicou que o Reino se espalha mesmo em meio ao joio, pedindo-nos “um olhar capaz de reconhecer o bem que brota mesmo nas trevas do mal, sem que julguemos tudo apressadamente”. Ele vem como a menor das sementes e exige paciência para acompanhar os processos, reconhecendo-o “na simplicidade do cotidiano e na singeleza da vida comum”.

Como o fermento que age invisivelmente na massa, o Reino de Deus “nos liberta do desânimo, convidando-nos a ter confiança, ainda que nos pareça que Deus está ausente. Pois, na verdade, Ele nos acompanha continuamente e seu amor está sempre agindo em nosso favor”.

O Santo Padre observou que, muitas vezes, esperamos intervenções espetaculares e um Deus que arranque imediatamente o joio, que é o mal. Essa imagem distorcida acaba influenciando também nossa forma de ser cristãos e de ser Igreja. No entanto, o Reino não se impõe; ele cresce discretamente, convidando-nos a uma presença paciente e confiante.

Um estilo evangélico de vida

Concluindo sua reflexão, o Papa Leão XIV convidou os fiéis a adotarem um “estilo evangélico”: sem julgamentos arrogantes precipitados, sem imposição pelo poder ou pela força, e sem perder a confiança na obra de Deus. Ele citou o então Cardeal Joseph Ratzinger que, em 10 de dezembro de 2000, falou sobre a “lógica da semente”, que não é a do sucesso e da grandeza, mas que nos pede para nos tornarmos pequenos e servirmos à vida das pessoas.

Assim, “nós mesmos nos tornaremos como uma pequena semente do Evangelho que brota e como um fermento de amor que transforma a massa do mundo”, afirmou o Papa.

O Papa encerrou pedindo a intercessão de Maria Santíssima, “que soube acolher a semente da Palavra em sua humildade”, para que nos sustente em nosso caminho.

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