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Ângelus: o peso da cruz pode ser “leve” e “suave”

Ir ao encontro de Jesus significa corresponder ao seu amor e partilhar a sua vida até à cruz. É na cruz que o cansaço humano encontra sentido, redenção e consolo.

Foto: Vatican Media

Foto: Vatican Media

Redação (05/07/2026 11:32, Gaudium Press) Neste domingo, 5 de julho, o Papa Leão XIV presidiu à oração do Ângelus na Praça de São Pedro, refletindo sobre o Evangelho do dia (Mateus 11, 25-30). Em sua reflexão, o Pontífice destacou a humildade como porta de entrada para a verdadeira sabedoria divina, contrastando-a com a arrogância da sabedoria humana. “A sabedoria que Deus nos dá é um anúncio de salvação e o seu jugo levanta-nos de todas as quedas”.

O Santo Padre iniciou sua reflexão convidando os fiéis a partilharem o louvor de Jesus ao Pai:

 “O Evangelho da liturgia de hoje (Mt 11, 25-30) convida-nos a partilhar o louvor que Jesus eleva ao Pai, «Senhor do Céu e da Terra» (v. 25). O Filho de Deus feito homem manifesta o seu amor envolvendo todas as criaturas nesta ação de graças.”

Segundo o Papa, Deus se revela preferencialmente “aos pequeninos”, enquanto se mantém escondido “aos sábios e aos entendidos”. Aqueles que se enchem de suas ideias próprias acabam por não reconhecer a presença de Cristo. “A sabedoria humana torna-se, então, arrogância e a doutrina degenera em soberba”, alertou Leão XIV. Em contrapartida, a sabedoria divina se manifesta na humildade e se dirige especialmente aos que sofrem:  “Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos” (v. 28).

O Pontífice explicou o significado do “jugo” de Jesus, que não é um peso opressor, mas o dom de si mesmo por amor:

“É precisamente o dom de si mesmo por amor que constitui o “jugo” de Jesus (cf. Mt 11, 29), ou seja, a síntese do seu ensinamento, o cerne da sua sabedoria, ardente de caridade para com todos.”

Uma das partes mais profundas da reflexão foi sobre como o jugo de Cristo pode ser “leve” e “suave”, mesmo sendo a cruz:

“Irmãos e irmãs, como pode ser “leve” e “suave” o peso da cruz (cf. v. 30)? Só por uma razão: porque o Senhor o carrega primeiro e com todos nós, sem nunca nos deixar sozinhos diante do que nos oprime.”

Leão XIV ressaltou que seguir Jesus não é uma ascese mortificante, mas “uma escola de liberdade” que ilumina o sentido da história, especialmente nos momentos mais difíceis. Na cruz, o mal é redimido e, na Paixão de Jesus, o cansaço humano encontra consolo. O Papa concluiu essa parte afirmando:

 “Em situações de escravidão, Cristo é libertação. No flagelo da guerra, Cristo é esperança. Na hora do pecado, Cristo é perdão.”

Após o Angelus: beatificação e saudações

Após a oração mariana, o Papa recordou a beatificação, ocorrida na quinta-feira anterior (2 de julho), do sacerdote vietnamita Francisco Xavier Tru’o’ng Bǚu, assassinado em 1946 por ódio à fé. Leão XIV destacou seu testemunho como defensor dos direitos das pessoas em meio à opressão e pediu sua intercessão pelos cristãos perseguidos hoje.

O Santo Padre saudou especialmente os peregrinos brasileiros presentes na Praça de São Pedro e mencionou a situação da Venezuela, lembrando as vítimas de um terremoto e pedindo amparo para o povo venezuelano. Também dirigiu saudações a diversos grupos de peregrinos, incluindo poloneses e italianos.

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