Gaudium news > Ângelus: “nem sempre o bem que oferecemos é compreendido”

Ângelus: “nem sempre o bem que oferecemos é compreendido”

Leão XIV comenta a parábola do banquete de casamento. Diante de um convite tão bonito, os convidados, em vez de se juntarem à festa, recusam-se a ir, preferindo continuar nos seus afazeres.

Foto: Vatican Media

Foto: Vatican Media

Redação (11/10/2026 11:09, Gaudium Press) Neste domingo, 11 de outubro, 28º Domingo do Tempo Comum, o Papa Leão XIV conduziu a oração do Angelus na Praça de São Pedro, diante de milhares de fiéis. Antes de recitar a oração mariana, o Pontífice meditou sobre a parábola das bodas do filho do rei, narrada no Evangelho segundo São Mateus (Mt 22, 1-14).

Em sua reflexão, Leão XIV partiu de uma experiência humana universal: “O matrimônio de um filho é um momento especial em qualquer família, e este pai, cheio de felicidade, quer partilhar a sua alegria com todos. Oferece um banquete e convida muita gente”. Citando São Tomás de Aquino, o Papa lembrou que “o bem, por natureza, tende a difundir-se: Bonum dicitur diffusivum sui” (Summa theologiae, I, q. 5 a. 4, ad 2). Quando algo de bom acontece, “acende-se uma luz que nos leva a incluir os outros na nossa felicidade”.

No entanto, nem todos respondem com a mesma abertura. Diante de uma oferta tão bela, muitos convidados se recusam a participar, preferindo seus afazeres. Alguns, irritados, insultam e chegam a matar os mensageiros do rei. “Infelizmente, isto também acontece: nem sempre o bem que oferecemos é compreendido, reconhecido ou apreciado; pelo contrário, por vezes é mal interpretado e rejeitado. Mas isso não deve desanimar-nos”, afirmou o Santo Padre. Diante da recusa, o rei não cancela a festa: amplia o convite, enviando seus servos pelas ruas para que a alegria dos noivos se torne dom para todos.

Quem são os protagonistas dessa história? Seguindo São Jerônimo, o Papa explicou que o rei representa o Pai dos Céus, o noivo é Jesus e a noiva é a Igreja. E nós também estamos nessa narrativa: “escolhidos pelo Senhor para partilhar com Ele a nossa existência e para sermos, com Ele, portadores de vida”. A festa de casamento é a nossa. A sala do banquete são as nossas igrejas, as nossas casas, os lugares onde vivemos e onde, todos os dias, o Filho do Rei, Jesus Cristo, volta para nos declarar o seu amor e aguarda o nosso “sim”. É ali que O encontramos, revestidos com a veste branca do Batismo e adornados com as joias das boas obras, que nos aproximam de Deus e uns dos outros.

Leão XIV destacou então a natureza autêntica dessa alegria: “A alegria que anunciamos não é, pois, artificial, mas profunda, concreta e real, bela como os rostos das pessoas que encontramos, verdadeira como o trabalho, os sorrisos, as lágrimas, os apertos de mão e os gestes de bondade que marcam os nossos dias. É um dom de Deus, para a salvação do mundo”.

Ao concluir a meditação, o Papa pediu a intercessão de Maria, Mãe do Senhor: “que nos ajude a crescer nesta alegria, anunciando-a sempre e em toda parte com generosidade, coragem e fé, mesmo onde não é compreendida”.

Deixe seu comentário

Notícias Relacionadas