Gaudium news > Ângelus: da mulher cananeia aprendemos humildade e determinação

Ângelus: da mulher cananeia aprendemos humildade e determinação

No Ângelus deste domingo, 16 de agosto, celebrado na Praça da Liberdade, em Castel Gandolfo, o Papa Leão XIV refletiu sobre o Evangelho do dia (Mt 15,21-28), que apresenta a mulher cananeia como modelo de fé e confiança.

Foto: Vatican News/ Vatican Media

Foto: Vatican News/ Vatican Media

Redação (16/08/2026 11:49, Gaudium Press) Após recordar a solenidade da Assunção da Virgem Maria, celebrada ontem, na Itália, o Santo Padre destacou que a comunhão de Maria com o Filho não foi interrompida nem mesmo pela morte. Essa plenitude, ressaltou, está reservada a quem segue Jesus: “a sua ressurreição não é um acontecimento do passado, mas uma vida nova que nos envolve”.

Essa realidade se manifesta na figura da mulher cananeia. Apesar de não pertencer ao povo de Israel e de viver em região estrangeira, ela procura insistentemente falar com Jesus, seguindo-O como uma discípula que já tem uma ligação com Ele. “Provavelmente nunca se tinham encontrado, mas a fé já havia, misteriosamente, surgido nela. Ela não deseja algo para si própria, mas a paz para a sua filha atormentada e confia em Jesus, em quem reconhece o Messias, descendente de David”, afirmou o Papa.

O relato evangélico não esconde os obstáculos enfrentados por essa mulher. Os discípulos a veem como alguém incômoda, e o próprio Jesus parece resistir aos seus pedidos. O Mestre havia se retirado para aquela região, possivelmente em busca de um lugar afastado para rezar e formar os discípulos. Porém, algo inesperado acontece. Meditando sobre isso, Leão XIV convida a compreender a atitude de Jesus, “que cumpre a sua missão deixando-se tocar pelo que vê e ouve”. Ao final, Ele declara: “Mulher, grande é a tua fé! Faça-se como desejas” (Mt 15,28).

A partir desse episódio, o Papa sublinhou uma atitude fundamental para a Igreja de hoje: deixar-se surpreender pela obra de Deus. “Também hoje a Igreja pode deixar-se surpreender pela obra de Deus e comunicar a paz de Cristo para além das fronteiras já traçadas. A sua missão é antecipada pela graça divina, que atua no segredo das consciências, de modo que, em cada encontro, mesmo naqueles que perturbam os nossos planos, é preciso prestar atenção, abrir os olhos e abrir o coração ao que Deus nos quer dizer”.

Da mulher cananeia, destacou ainda, aprendemos a humildade e a determinação. Sua fé revela a universalidade da salvação: “a mesa de Deus está preparada para todos e que a ninguém estão reservadas só as migalhas, porque cada um, junto do Pai, tem o seu lugar”. À luz dessa fé, afirmou o Pontífice, “as desigualdades, as discriminações e as barreiras que pisam a dignidade de tantos filhos e filhas de Deus tornam-se insuportáveis”.

Em um mundo marcado por tensões e divisões, Leão XIV recordou a vocação da Igreja: ser presença de paz. “Somos a Igreja de Jesus Cristo num mundo atormentado, um mundo que procura a paz”.

Invocando a intercessão de Nossa Senhora, citou sua encíclica Magnifica humanitas: “Dos seus lábios jorra o hino mais forte e inovador que jamais foi entoado, o Magnificat […]: é o cântico de quem já vê a realidade com o olhar de Deus e, por isso, não perde a esperança e age com caridade”.

Deixe seu comentário

Notícias Relacionadas