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Ângelus: a presença do Senhor muda tudo

Antes da recitação do Ângelus, o Papa exortou os fiéis a terem confiança em meio às tempestades da vida. “Em qualquer circunstância, Jesus não nos abandona se o acolhermos humildemente no barco da nossa vida”.

Foto: Vatican News/ Vatican Media

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Redação (09/08/2026 11:43, Gaudium Press) Neste domingo, 9 de agosto de 2026, o Papa Leão XIV presidiu a oração do Ângelus na Praça de São Pedro, em Roma, diante de uma multidão de fiéis e peregrinos. Em sua meditação, centrada no Evangelho do dia (Mt 14, 22-33), o Pontífice refletiu sobre o milagre de Jesus caminhando sobre as águas durante uma tempestade, no lago da Galileia, e extraiu lições profundas para a vida cristã.

O Papa iniciou recordando a cena bíblica: após o milagre da multiplicação dos pães e dos peixes, Jesus obriga os discípulos a embarcar e ir adiante, enquanto Ele se retira sozinho para rezar. Longe da costa, os apóstolos se encontram à mercê do vento e têm dificuldade em avançar. “Depois de uma experiência bem-sucedida, na qual tinham sido protagonistas de um sinal prodigioso, encontram-se agora impotentes e assustados perante a ameaça das ondas e do vento contrário”, afirmou Leão XIV.

No final da noite, Jesus vai ao encontro deles caminhando sobre as águas agitadas. Os discípulos, assustados, o confundem com um fantasma. Mas o Mestre os tranquiliza: “Tranquilizai-vos! Sou Eu! Não temais!” (Mt 14, 27). “A presença do Senhor muda tudo”, destacou o Papa: Pedro chega mesmo a dar alguns passos sobre as ondas em direção a Ele; depois se assusta, começa a afundar e Jesus o salva. Quando o Senhor entra no barco, a tempestade se acalma e os discípulos professam espontaneamente a fé: “Tu és, realmente, o Filho de Deus!” (Mt 14, 33).

Leão XIV sublinhou que, para chegar a essa profissão de fé, não bastou aos discípulos assistir a um milagre ou ter sucesso diante das multidões. “Tiveram de passar pela experiência da própria fraqueza, reconhecendo nela a presença de Deus. Só assim conseguiram verdadeiramente abrir os olhos e o coração à sua proximidade, reencontrando a paz mesmo no meio da tempestade”.

O Pontífice recordou ainda as palavras posteriores de Jesus: “Se tiverdes fé e não duvidardes […], se disserdes a este monte: ‘Tira-te daí e lança-te ao mar’, assim acontecerá” (Mt 21, 21). “E foi precisamente isso que eles experimentaram no lago: a paz de Cristo, que tinha estado na montanha a rezar, alcançou-os no meio da fúria das águas”.

O milagre, segundo o Papa, ensina duas lições fundamentais. Em primeiro lugar, “a não nos vangloriarmos do sucesso e a nunca nos considerarmos superiores aos outros”. Em segundo, “a não perdermos a esperança, nem mesmo nos momentos de escuridão, quando nos sentimos impotentes perante os problemas que, apesar dos nossos esforços, nos fazem pensar que estamos recuando em vez de avançar”.

E concluiu com uma mensagem de confiança: “Em qualquer circunstância, Jesus não nos abandona e, se o acolhermos humildemente no barco da nossa vida – através da oração, dos Sacramentos e da escuta da Palavra –, n’Ele encontraremos a paz, a luz e a força para o nosso caminho”. Invocou a intercessão de Maria: “Que Maria nos ajude a viver assim, com confiante abandono em Deus, Ela que foi proclamada bem-aventurada pela sua fé (cf. Lc 1, 45)”.

Após a oração do Ângelus, o Papa Leão XIV também elevou preces pela situação no Sudão, especialmente em El-Obeid, e pelas vítimas inocentes na Ucrânia e na Rússia, renovando apelos ao cessar-fogo, ao respeito ao direito humanitário e à via da diplomacia e do diálogo. Saudou ainda diversos grupos de jovens presentes, convidando-os a se inspirarem nos santos do calendário litúrgico, como São Domingos, Santa Teresa Benedita da Cruz (Edith Stein), São Lourenço e Santa Clara de Assis.

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