Andrea Bocelli: sua mãe recusou o aborto e escolheu a vida
“Minha mãe, a quem os médicos desaconselharam a continuar com a gravidez, decidiu confiar na vida e não se esquivar. Devo tudo a essa escolha. A vida, quando é acolhida e não temida, se multiplica”.

Foto: Facebook
Redação (29/06/2026 17:20, Gaudium Press) Andrea Bocelli, um dos maiores tenores da atualidade, conhecido por sua voz poderosa e por emocionar plateias em todo o planeta, enviou uma mensagem tocante à Manifestação Nacional “Scegliamo la Vita”, realizada em 13 de junho passado, em Roma. Embora não tenha podido comparecer pessoalmente devido a compromissos na agenda, o artista italiano enviou uma carta que foi lida ao final da marcha, emocionando os milhares de participantes reunidos em defesa da vida desde a concepção até a morte natural.
Bocelli nasceu em 22 de setembro de 1958, em Lajatico, na região da Toscana, na Itália. Desde os primeiros meses de vida, ele conviveu com um glaucoma congênito, uma condição rara que comprometeu gravemente sua visão. Aos 12 anos, um acidente trágico durante uma partida de futebol — uma hemorragia cerebral causada por uma bola no rosto — o deixou completamente cego. Apesar das limitações, ele se tornou um fenômeno musical, vendendo mais de 90 milhões de álbuns e misturando ópera com música popular de forma única.
Sua história, no entanto, quase não começou. Durante a gravidez, a mãe de Bocelli, Edi, sofreu um ataque de apendicite e foi hospitalizada. Os médicos, preocupados com possíveis complicações, recomendaram o aborto, alertando que a criança poderia nascer com deficiências graves. Edi, uma mulher católica de fé e coragem, decidiu não seguir o conselho médico. Ela escolheu confiar na vida e seguir adiante com a gravidez. Essa decisão mudou não apenas o destino de sua família, mas também o da cultura mundial.
Na carta enviada ao evento, Bocelli refletiu sobre o valor da acolhida à vida: “A vida, quando é acolhida e não temida, multiplica-se, e as civilizações que prosperaram foram aquelas que investiram nas novas gerações”. Ele destacou que deve tudo à escolha de sua mãe, que não se deixou intimidar pelas previsões médicas pessimistas. “Minha mãe, a quem os médicos aconselharam a não continuar a gravidez, escolheu confiar na vida e não se esquivar. Devo tudo àquela escolha”, afirmou.
O tenor ainda compartilhou uma reflexão profunda e poética sobre a “quinta operação matemática”, que não se aprende na escola, mas na convivência humana: a cooperação, nascida do amor, da confiança, do cuidado e da amizade, e nasce sempre de um gesto de amor. “Eu a aprendi antes mesmo de nascer”, disse ele, referindo-se ao gesto de amor de sua mãe. “O cuidado gera, não empobrece. E muitas vezes muda tudo.” Para Bocelli, um mais um nunca resulta apenas em dois — o amor multiplica as possibilidades.
Essa não é a primeira vez que o cantor compartilha publicamente sua história. Há mais de uma década, em vídeos e entrevistas, ele elogiou a decisão da mãe e incentivou outras mulheres em situações difíceis a escolherem a vida, afirmando que foi “a escolha certa”. Sua trajetória serve como exemplo vivo de superação: apesar da cegueira, Bocelli estudou Direito na Universidade de Pisa, cantou em bares para pagar os estudos e, com dedicação, tornou-se um dos artistas mais admirados do mundo. Sua mãe também o incentivava à independência, ensinando-o a enfrentar desafios sem desculpas.
A Marcha pela Vida em Roma reuniu cerca de 20 mil pessoas este ano de 2026. Histórias como a de Bocelli mostram que cada vida tem um potencial imenso, muitas vezes imprevisível. O que poderia ter sido visto como uma “deficiência” gerou uma voz que inspira milhões, transcende barreiras e celebra o dom da vida.




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