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Alemanha: novo bispo de Eichstätt reduz oposição ao Caminho Sinodal

O bispo recém-nomeado para a diocese de Eichstätt (Alemanha) já indicou que adotará uma posição diametralmente oposta à de seu antecessor.

Foto: Bistum Eichstätt/ facebook

Foto: Bistum Eichstätt/ facebook

Redação (06/10/2026 10:32, Gaudium Press) A Diocese de Eichstätt, na Baviera (Alemanha), vive um momento de transição que vai além de uma simples troca de liderança. O bispo recém-empossado, Dom Christian Würtz, representa uma postura bastante diferente da de seu predecessor em relação ao chamado “Caminho Sinodal” alemão (Synodaler Weg), o processo de reforma eclesial que, desde 2019, discute temas sensíveis como moral sexual, ministérios laicais, celibato e o papel das mulheres na Igreja.

O predecessor crítico

Dom Gregor Maria Hanke, OSB, governou Eichstätt por cerca de 19 anos. Em junho de 2025, aos 70 anos, pediu e teve aceita a renúncia antecipada, alegando “cansaço interior”. Hanke foi um dos quatro bispos diocesanos alemães mais críticos ao Caminho Sinodal — ao lado dos de Colônia (Cardeal Rainer Maria Woelki), Passau (Dom Stefan Oster) e Ratisbona (Dom Rudolf Voderholzer).

Ele se opôs a várias propostas centrais do processo. Rejeitou o texto sobre moral sexual por considerar que ele não representava uma evolução da doutrina, mas uma mudança no conceito cristão de ser humano. Também se posicionou contra as bênçãos de casais homossexuais, alertando para o risco de confusão com o matrimônio sacramental, e manteve a posição tradicional de que a ordenação sacerdotal é reservada aos homens. Em 2024, Hanke deixou de participar ativamente do processo sinodal, junto com os outros três bispos, citando preocupações com a fidelidade à doutrina e orientações vindas de Roma.

Com sua saída, o número de dioceses alemãs lideradas por críticos declarados do Caminho Sinodal caiu de quatro para três.

O novo bispo e sua trajetória

Dom Christian Würtz, de 55 anos, nasceu em 1971, em Karlsruhe. Formou-se em Direito e obteve o doutorado em ambas as jurisprudências (civil e canônica). Depois estudou Teologia em Freiburg e Würzburg, doutorando-se também nessa área. Foi ordenado sacerdote em 2006. Em 2019, o Papa Francisco o nomeou bispo auxiliar de Freiburg, onde atuou como reitor do seminário e vigário episcopal para assuntos universitários. Na época da nomeação, já era um dos bispos mais jovens da Alemanha.

Em 7 de julho passado, o Papa Leão XIV o designou bispo de Eichstätt. A posse oficial ocorreu em 4 de outubro, na catedral da diocese, tornando-o o 83º bispo da sé e, naquele momento, o mais jovem bispo diocesano da Alemanha. Seu lema episcopal é “Adveniat regnum tuum” (“Venha o Teu Reino”).

Posicionamento no Caminho Sinodal

Como bispo auxiliar de Freiburg, Würtz participou das assembleias do Caminho Sinodal e votou a favor de várias propostas reformistas. Apoiou a permissão da pregação de leigos na Missa, celebrações de bênção para casais homossexuais e pessoas divorciadas e recasadas, a reavaliação doutrinal da homossexualidade (incluindo a ideia de que a orientação homossexual faz parte da criação divina e não deve ser julgada eticamente de forma diferente da heterossexual), a criação de um Conselho Sinodal e o documento sobre mulheres nos ministérios sacramentais. Abstinha-se, porém, nas votações específicas sobre a ordenação de mulheres ao sacerdócio e sobre o celibato clerical.

Pouco antes de tomar posse, Würtz declarou publicamente que pretende participar do processo sinodal. Segundo ele, se a Conferência Sinodal for reconhecida por Roma como um organismo legítimo, não vê motivo para se afastar. Afirmou que a sinodalidade é um “mandato para todos” e que a diocese de Eichstätt não deve se isolar do caminho seguido pela Igreja na Alemanha como um todo. Ele se descreve como um “jogador de equipe”, embora reconheça que, como bispo diocesano, algumas decisões finais caberão apenas a ele.

Caminho Sinodal alemão

O Caminho Sinodal alemão tem gerado controvérsia desde o início. Seus textos e resoluções sobre sexualidade, autoridade na Igreja e ministérios geraram alertas repetidos do Vaticano, que apontou riscos de distanciamento da doutrina católica universal. Críticos veem nele tentativas de alterar pontos fundamentais da fé e da disciplina eclesial; defensores argumentam que se trata de um esforço legítimo de escuta, conversão e atualização pastoral diante dos desafios contemporâneos.

A nomeação de Würtz para uma diocese que, sob Hanke, figurava entre as mais resistentes ao processo, é interpretada por observadores como um sinal de mudança. Eichstätt, embora pequena em número de católicos entre as dioceses bávaras, ganha agora um pastor que se alinha mais claramente com a maioria dos bispos alemães favoráveis às reformas discutidas.

Würtz assume a diocese após mais de um ano de sede vacante. Em sua primeira homilia, convidou os fiéis a produzirem juntos “frutos do Reino de Deus”, especialmente paz, reconciliação e justiça. Seu perfil de canonista e teólogo, com experiência pastoral e acadêmica, pode ajudá-lo a navegar as tensões internas da Igreja alemã, que continua dividida entre o desejo de reformas e a preocupação com a unidade com a Igreja universal.

A trajetória de Eichstätt ilustra, de forma concreta, as divisões que atravessam o catolicismo alemão neste momento. Que um bispo alemão apoie propostas contrárias à fé da Igreja, infelizmente, não é nenhuma surpresa e dificilmente é novidade.

A troca de bispos, portanto, não encerra o debate, mas redefine o equilíbrio de forças em uma das dioceses que até então se destacava pela resistência.

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