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África: Bispo Dom Osório Citora Afonso assassinado em Moçambique

Dom Osório foi encontrado sem vida, de cabeça para baixo, no corredor do Palácio Episcopal, na cidade de Quelimane. Tinha 54 anos de idade.

Foto: Consolata

Foto: Consolata

Redação (07/06/2026 11:24, Gaudium Press) No dia 6 de junho, Moçambique se surpreendeu com a notícia do assassinato de D. Osório Citora Afonso, IMC, bispo da Diocese de Quelimane e Administrador Apostólico da Arquidiocese da Beira. O prelado, de 54 anos, foi encontrado sem vida na residência episcopal, vítima de disparos no peito durante uma invasão, na madrugada. O Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC) classificou o caso como homicídio agravado. Até o momento, não há informações sobre os autores ou as motivações do crime.

O assassinato ocorreu na capital da província da Zambézia. Indivíduos não identificados teriam escalado o muro da residência, danificado o sistema de segurança e efetuado disparos. O corpo foi encontrado no corredor do palácio episcopal. As autoridades garantem que investigam o caso com prioridade, mas não há detidos.

Uma vida marcada pela missão

Nascido a 6 de maio de 1972 em Ribáuè, província de Nampula, Dom Osório Citora Afonso ingressou cedo no caminho vocacional. Frequentou o Seminário Preparatório Cristo-Rei, em Matola, estudou Filosofia no Seminário Maior Santo Agostinho e Teologia no Instituto Saint-Eugène de Mazenod, em Kinshasa (República Democrática do Congo).

Fez a profissão solene nos Missionários da Consolata em 2001 e foi ordenado sacerdote a 3 de novembro de 2002. Sua vida foi marcada por uma intensa formação acadêmica e missionária: licenciou-se em Sagrada Escritura no Pontifício Instituto Bíblico de Roma, estudou em Jerusalém (Universidade Hebraica e École Biblique) e ocupou diversos cargos de responsabilidade na sua congregação e na Santa Sé, incluindo funções no Dicastério para a Evangelização.

Após anos de serviço na República Democrática do Congo, Itália e na Cúria Romana, regressou a Moçambique. Em setembro de 2023, foi nomeado bispo auxiliar de Maputo, recebendo a ordenação episcopal em janeiro de 2024. A 25 de julho de 2025 foi nomeado bispo de Quelimane, tomando posse solene em 31 de agosto. Em 10 de abril de 2026, o Papa Leão XIV confiou-lhe também a administração apostólica da Arquidiocese da Beira. Exercia ainda o cargo de Secretário-Geral da Conferência Episcopal de Moçambique (CEM).

O seu lema episcopal, Lucerna pedibus meis (Lâmpada para os meus passos), refletia bem a sua dedicação à Palavra de Deus e ao serviço pastoral.

Reações de consternação

A notícia provocou uma onda de pesar que uniu a Igreja, a sociedade civil e as instituições do Estado. O Presidente da Conferência Episcopal de Moçambique e arcebispo de Nampula, D. Inácio Saúre, IMC, expressou o choque da família religiosa: “Estamos todos sem palavras”. A congregação dos Missionários da Consolata expressou profundo pesar: “imploremos a misericórdia de Deus por ele e a luz da Ressurreição”.

O Presidente da República, Daniel Chapo, manifestou “profundo pesar” e classificou a morte como “uma perda irreparável para a sociedade moçambicana, em geral, e para a comunidade cristã, em particular”. Chapo destacou o legado de humildade, dedicação pastoral e compromisso com a paz e a reconciliação deixado pelo bispo.

O Papa Leão XIV, através da Sala de Imprensa da Santa Sé, manifestou consternação pelo “grave ato de violência que causou a morte de Sua Excelência, Dom Osório Citora Afonso, bispo de Quelimane e Administrador Apostólico de Beira, e une-se em oração ao povo da diocese e de Moçambique neste momento de desorientação, para que o Senhor lhes conceda consolo, para que guarde em seu amor cada homem e cada mulher e detenha a mão dos violentos”.

Este assassinato ocorre num momento em que Moçambique enfrenta desafios persistentes de segurança, especialmente no norte (Cabo Delgado) com a insurgência jihadista, mas também com criminalidade urbana e violência pós-eleitoral em várias regiões. A Zambézia não era considerada das zonas mais críticas, o que torna o ataque à residência episcopal ainda mais chocante e misterioso.

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