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Afinal, o que é ser fariseu?

Ser fariseu consiste em praticar sem ser, ou ser sem praticar?  A liturgia deste XXII Domingo do Tempo Comum nos permite refletir sobre a doutrina a respeito do verdadeiro fariseu e de algumas de suas  características.

Redação (4:06 , Gaudium Press) A conjugação da Liturgia da Palavra, neste XXII Domingo do Tempo Comum, nos apresenta na primeira leitura (cf. Dt 4, 1-2. 6-8) a promulgação de uma Lei Eterna, da qual nada deve ser acrescentado ou suprimido: os Dez Mandamentos. Na 2º leitura, São Tiago exorta a sermos “praticantes da palavra e não meros ouvintes” (cf. Tg 1, 22). No evangelho, porém, algo parece contraditório: os fariseus incitam a Nosso Senhor a praticar a lei mosaica. Mas Ele, por sua vez, os repreende por tal atitude. Ora, como explicar este aparente paradoxo?

A resposta está nas próprias palavras de Nosso Senhor: “Bem profetizou Isaías a vosso respeito, hipócritas, como está escrito ‘Este povo me honra com os lábios, mas seu coração está longe de mim. De nada adianta o culto que me prestam, pois as doutrinas que ensinam são preceitos humanos’. Vós abandonais o mandamento de Deus para seguir a tradição dos homens” (Mc 7, 6-8). Eis a descrição do fariseu.

O fariseu não é aquele que não cumpre nenhuma lei; mas sim aquele que a altera, ou a deturpa. Como? Deixando de lado o mandamento de Deus – e este está contido no decálogo – para seguir a tradição dos homens, o mundo e a moda.

Assim, jamais um fariseu negará toda a lei, mas ele porá em evidência somente o que lhe é cômodo, deixando de lado o que lhe é mais custoso. Saberá cumprir aquilo que mais facilmente se aproxima dos preceitos mundanos, e recusar os mandatos divinos. O fariseu troca a caridade pela filantropia, a humildade pela pusilanimidade, a religião pelo sentimento, a verdade pelo erro.

Ser ou praticar?

Alguém perguntará: então, o fariseu é apenas aquele que prática o que não é, interiormente?

Não! Respondo. O fariseu é também aquele que deseja ser sem praticar, como afirma São Tiago na segunda leitura (cf. Tg 1, 22. 27).

De fato, que adianta alguém dizer que ama a Deus se pratica o oposto? Neste caso, amputa-se não a lei, mas a natureza, pois sendo o homem um ser racional, deve viver mediante seu pensar, e pensar de acordo com suas obras; caso contrário, estará enganando-se a si e aos outros. De um coração que ama a Deus não podem sair “más intenções, imoralidades, roubos, assassínios, adultérios, ambições desmedidas, maldades, fraudes, devassidão, inveja, calúnia, orgulho, falta de juízo” (Mc 7, 22-23). Não raro, é o exterior que revela o interior.

Portanto, a liturgia de hoje nos exorta a sermos os verdadeiros filhos do Pai das Luzes, ouvindo e vivendo a palavra de Deus em cada dia de nossas vidas, para que, no final desta trajetória terrena, mereçamos habitar no seu Santo Monte Celeste.

Por Thiago Resende

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