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Advogado de defesa do Cardeal Becciu requer a nulidade do julgamento

A defesa dos envolvidos insiste em que nem todas as provas foram entregues.  

Redação (18/11/2021 16:30, Gaudium Press) O julgamento do Cardeal Becciu e de outros antigos funcionários do Vaticano e financistas associados teve sua quarta audiência ontem. No entanto, dos 10 inicialmente envolvidos neste processo, restam agora apenas seis: o cardeal Giovanni Angelo Becciu, Tommaso Di Ruzza, Enrico Crasso, Gianluigi Torzi, Cecilia Marogna, René Brullhart (quatro tiveram seus cargos excluídos).

A defesa dos acusados concentrou seus argumentos sobre o que já era esperado: que não lhes foi fornecido todas as provas contra os seus clientes, como havia sido ordenado pelo presidente do Tribunal Vaticano, Pignatone.

As provas: 115 horas de conversas gravadas, contidas em 53 DVDs. Isto é, um DVD com as escutas telefônicas e os outros 52 com os arquivos de áudio e vídeo dos cinco interrogatórios do Monsenhor Alberto Perlasca, antigo funcionário da Secretaria de Estado e principal testemunha contra os acusados.

Os advogados de defesa também reclamaram do pouco tempo para revisar um material tão extenso e que as gravações das declarações, incluindo as do Mons. Perlasca, não estavam completas. Os promotores de justiça contestaram que esses cortes foram feitos porque indicavam novas linhas de investigação, que deveriam ficar sob sigilo; argumento – é claro – que não convenceu a defesa, que teve apenas 15 dias para examinar o material, o qual devia ser realizado na Gendarmaria do Vaticano e não se podia fazer cópias .

“Temos o direito de ver as provas, não é um favor que estão nos fazendo”, sublinhou Fabio Viglione, advogado do cardeal Becciu. “As gravações apresentam ‘omissões’ e estão ‘mutiladas’”, apontou. E, em consequência disso, requereu a nulidade do julgamento.

Alusão ao Papa

Mas talvez o que mais chamou a atenção de todos os depoimentos foi a reprodução de um dos interrogatórios do Mons. Perlasca, onde o promotor da justiça lhe dizia: “Monsenhor [Perlasca], isso não tem nada a ver! Antes de fazer o que estamos fazendo, nós nos dirigimos ao Santo Padre e lhe perguntamos o que havia acontecido”. Em seguida, o advogado Luigi Panella, da defesa de Enrico Crasso, disse: “Ouviram o Santo Padre como testemunha”, “mas não há nenhuma declaração do Santo Padre no processo”.

“Há uma intervenção direta do Papa nos acontecimentos do julgamento, ouvido como pessoa informada dos fatos. É como um rescrito implícito, é inaudito”, continuou Panella.

O promotor de justiça, Alessandro Diddi, replicou que, sobre este assunto, o Papa não tinha sido ouvido, “mas que apenas se referia ao que disse o próprio na coletiva de imprensa no avião em sua viagem apostólica à Tailândia, como todos podem verificar”.

No final da audiência, o juiz Pignatone declarou que o Tribunal do Vaticano deseja se reservar o direito de “considerar as complexas questões levantadas”. Entretanto, acrescentou que “não começaremos a examinar as questões deste julgamento até que a defesa tenha pleno conhecimento dos fatos”.

A próxima audiência será no dia 1º de dezembro.

Com informações Infocatolica.

 

 

 

 

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