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Adaptar ou desviar?

Vivemos em um mundo pervadido de mudanças e inovações que são tanto mais bem aceitas quanto mais cômodas a nós. A liturgia deste XV Domingo do Tempo Comum, entretanto, nos adverte: há coisas que não podem mudar.

Redação (9:22 , Gaudium Press)“Jesus chamou os doze e começou a enviá-los” (Mc 6, 7). Tendo recebido tal encargo, os Apóstolos deveriam desempenhar de forma exemplar a missão própria da Igreja docente, a qual consiste em ensinar, santificar e governar (cf. CCE 872). Mas, como e o quê ensinar? De que forma auxiliariam na santificação das almas? E como governariam, depois de fundadas, as comunidades? Sem dúvida, aqueles que, “de antemão colocaram sua esperança em Cristo, nele ouviram a Palavra da verdade, o Evangelho que nos salva”, (cf. Ef 1, 12-13), desenvolveriam seu apostolado e pregação segundo esta verdade. Assim, somente pela proclamação da verdade é que os Apóstolos estariam realmente propagando o reino de Deus; sem ela, espalhariam o erro, conduziriam os homens ao vício e ao pecado, e, ainda que não o percebessem, governariam em benefício do demônio e de seus planos de perdição.

E que lições podemos tirar, para nossos dias, da liturgia deste XV Domingo do Tempo Comum?

A verdade, imutável

Ora, a Igreja Católica deve santificar, ensinar e governar, através da verdade, o povo de Deus disperso por um mundo que não está em posse da verdade. Assim, se a Igreja deseja salvar as almas, instruindo-as nas verdades da Religião, não deve adaptar-se aos erros do mundo, mas sim esforçar-se por reconduzi-lo à verdade uma vez que qualquer adaptação ao espírito do mundo facilmente resulta em desvios.

Um exemplo disso temos na primeira leitura: o que aconteceria se Amós se adaptasse à vontade da Amasias – sacerdote já entregue aos princípios errôneos que regiam a sociedade de então – e deixasse de profetizar para não entrar em conflito com o rei e a corte? (II Leitura) Não seria isso uma rejeição à missão que Deus lhe confiara? Bem sabia Amós que mais vale seguir a verdade do chamado Divino do que os conselhos cômodos deste mundo.

E, no Evangelho, o Divino Mestre – prevendo a rejeição de que seriam vítimas seus apóstolos – não lhes disse que: Se em algum lugar não vos receberem nem quiserem vos escutar, tentai adaptar um pouco vossas palavras para assim obterdes a aceitação. Mas sim: “Sacudi a poeira dos pés como testemunho contra eles” (Mc 6, 11).

Uma dupla lição

Assim, a liturgia nos apresenta duas lições, uma para os ouvintes, outra para os pregadores. A estes, adverte que não lhes é permitido modificar e adaptar a Palavra de Deus ao espírito do mundo com vistas a evitar o choque com este. Àqueles, exorta a serem dóceis às palavras da verdade e nunca lhe fazerem ouvidos moucos.

Porém, a ambos manifesta a bondade de Deus, que não é de forma alguma antagônica às duras verdades da Religião que, por vezes, contradizem nossas comodidades. Por isso, ela propõe que hoje cantemos: “Mostrai-nos ó senhor vossa bondade e a vossa salvação nos concedei”.

Por Afonso Costa

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