Gaudium news > Aceita renúncia de Dom Antonio Santarsiero por idade em meio a investigações

Aceita renúncia de Dom Antonio Santarsiero por idade em meio a investigações

A proximidade da visita apostólica de Leão XIV ao Peru confere um significado maior a esse momento da vida da Igreja peruana.

Foto: Conferência Episcopal Peruana

Foto: Conferência Episcopal Peruana

Redação (18/07/2026 09:40, Gaudium Press) A aceitação da renúncia de Dom Antonio Santarsiero Rosa pelo Papa Leão XIV, anunciada nesta terça-feira (15), exige uma leitura serena e, sobretudo, fiel aos fatos. O boletim da Sala de Imprensa da Santa Sé informou apenas que o Pontífice aceitou a renúncia do bispo de Huacho, no Peru. Trata-se, em princípio, de um procedimento previsto pelo Direito Canônico, já que, em junho, Dom Santarsiero completou 75 anos, idade em que o cânon 401 §1 determina a apresentação da renúncia ao Santo Padre.

Contudo, reduzir a notícia apenas ao aspecto jurídico seria desconsiderar o contexto em que ela acontece. Nos últimos meses, Dom Santarsiero tornou-se alvo de denúncias de supostos abusos sexuais e maus-tratos psicológicos, posteriormente encaminhadas à Nunciatura Apostólica no Peru e ao Dicastério para a Doutrina da Fé. O bispo negou publicamente todas as acusações, classificando-as como incompatíveis com sua trajetória sacerdotal e episcopal.

Paralelamente, a Conferência Episcopal Peruana informou que o prelado solicitou afastamento temporário da função de secretário-geral do episcopado para facilitar o esclarecimento dos fatos, ressaltando que as apurações seguem os procedimentos previstos tanto pelo Direito Canônico quanto pela legislação civil.

É justamente aqui que se impõe a necessária distinção entre fato e interpretação. O Vaticano não vinculou a aceitação da renúncia às denúncias. O comunicado utiliza a fórmula habitual empregada quando um bispo deixa o governo pastoral ao atingir a idade canônica. Portanto, não há elementos objetivos para afirmar que se trate de uma medida disciplinar ou de uma sanção.

Ao mesmo tempo, também não se pode ignorar que a decisão ocorre em um momento particularmente delicado. Ainda que a renúncia decorra da idade prevista pela legislação da Igreja, ela acontece enquanto o nome de Dom Santarsiero permanece associado a investigações, sem conclusão pública. Isso explica por que a notícia desperta interesse e questionamentos, os quais não podem substituir os fatos.

Com a aceitação da renúncia, a Diocese de Huacho entra em sede vacante e aguardará a nomeação de um novo bispo. Quanto às eventuais investigações canônicas, a condição de bispo emérito não representa seu encerramento. Se houver um processo em andamento, ele poderá prosseguir normalmente, independentemente de Dom Santarsiero já não exercer o governo da diocese.

A proximidade da visita apostólica de Leão XIV ao Peru confere um significado maior a esse momento da vida da Igreja peruana. Embora não exista qualquer declaração da Santa Sé relacionando os dois acontecimentos, é difícil imaginar que o Papa deseje encontrar um episcopado marcado por casos ainda sob investigação. Um Pontífice que tem insistido na transparência, na responsabilidade pastoral e na credibilidade da Igreja certamente espera que a atenção durante sua visita esteja voltada para o anúncio do Evangelho, e não para bispos envolvidos em denúncias graves.

Nesse sentido, ainda que a renúncia de Dom Santarsiero seja, formalmente, um ato previsto pelo Direito Canônico, o contexto em que ela ocorre reforça a percepção de que perfis associados a esse tipo de controvérsia dificilmente representam a imagem da Igreja que Leão XIV pretende projetar em sua primeira visita ao Peru.

Trata-se de uma leitura dos fatos e de seu contexto, não de uma posição oficialmente expressa pela Santa Sé.

Por Rafael Ribeiro

Deixe seu comentário

Notícias Relacionadas