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Abelardo de la Espriella assumiu a presidência da Colômbia em Cali com forte simbolismo religioso

À esquerda do palco, uma imagem de Nossa Senhora de Fátima reforçava a identidade católica da nova administração.

Foto: Abelardo de la Espriella/ Facebook

Foto: Abelardo de la Espriella/ Facebook

Redação (09/08/2026 11:43, Gaudium Press) Em uma cerimônia carregada de simbolismo religioso e de inovações históricas, Abelardo de la Espriella tomou posse como presidente da Colômbia na última sexta-feira, 7 de agosto, na cidade de Cali, no sudoeste do país. Foi a primeira vez, na história republicana moderna, que uma posse presidencial colombiana ocorreu fora de Bogotá — com a única ressalva distante de Rafael Núñez no século XIX. O evento marcou não apenas a transição do governo de esquerda de Gustavo Petro, mas também uma reorientação cultural e espiritual explícita, coroada pela declaração do novo mandatário: “¡Que viva Cristo Rey!” (“Viva Cristo Rei!”).

colombiaDe la Espriella, advogado e empresário de 48 anos, conhecido como “El Tigre”, chegou à Arena USC da Universidade Santiago de Cali acompanhado da esposa, Ana Lucía Pineda, dos quatro filhos e de membros do futuro gabinete. À esquerda do palco, uma imagem de Nossa Senhora de Fátima reforçava a identidade católica aberta da nova administração, que inclui o vice-presidente José Manuel Restrepo e figuras como Alejandro Ordóñez, indicado para a OEA.

Momento inter-religioso e presença vaticana

Embora o tom fosse predominantemente católico, a cerimônia incluiu elementos interconfessionais. Após o juramento oficial, um espaço de “invocação e louvor” começou com a interpretação de “Aleluya” (versão de Leonard Cohen) pela cantora colombiana Maía, sob luzes baixas e com a imagem de Nossa Senhora iluminada. Em seguida, o grão-rabino David Michaan ofereceu reflexões baseadas no Antigo Testamento, pedindo sabedoria, força e humildade ao novo presidente e concluindo com “Viva Colômbia e viva Israel”. O pastor evangélico Eduardo Cañas orou pela proteção das Forças Armadas e pediu perdão pelos pecados do país. O Padre Rodolfo Londoño, nomeado capelão da Casa de Nariño, e o presidente da Conferência Episcopal da Colômbia, Dom Francisco Javier Múnera, também intervieram, pedindo unidade, reconciliação e que o governo fosse colocado “sob a ação do Espírito Santo”.

Representando a Santa Sé, esteve o núncio apostólico no Equador, Dom Dagoberto Campos, já que o novo núncio para a Colômbia ainda não havia sido nomeado após a promoção de Dom Paolo Rudelli. A presença religiosa gerou debates sobre o caráter laico do Estado colombiano, previsto na Constituição de 1991, mas o novo presidente e seus apoiadores a defenderam como expressão da liberdade religiosa e dos valores da maioria da população.

 “Obrigado, Senhor, por abençoar a Colômbia”

Após a cerimônia, De la Espriella seguiu para o Batalhão Militar Pichincha, onde proferiu seu primeiro discurso presidencial perante as tropas. Abriu com uma oração de gratidão: um sentimento profundo de agradecimento a Nosso Senhor Jesus Cristo por abençoar a Colômbia e por nunca ter desviado seu olhar providente desta terra abençoada. “Obrigado, Senhor”, afirmou.

Além de esboçar políticas econômicas, de segurança e de saúde, o presidente anunciou uma “batalha cultural” para restaurar valores fundamentais: a família, o mérito, a disciplina, o respeito à lei, o amor à pátria e a crença em Deus. “Não permitirei que continue sendo ridicularizado o que tornou nossa sociedade grande e forte por gerações”, declarou, posicionando-se contra o que descreveu como erosão moral do governo anterior. Encerrou invocando a bênção divina e o slogan de campanha: “Tudo pela pátria, compatriotas, nada sem ela. Firmes pela pátria! ¡Que viva Cristo Rey!” O evento militar fechou com uma oração liderada por Dom José Roberto Ospina, administrador apostólico do Bispado Castrense.

Por que Cali? Descentralização como símbolo político

A escolha de Cali foi deliberada. De la Espriella argumentava há tempo que realizar a posse fora da capital sinalizaria compromisso com a descentralização e a inclusão regional. Seu governo pretende manter sedes alternadas em Cali e Barranquilla (cidade com a qual mantém laços fortes) e um escritório em Medellín.

A operação logística foi complexa: o Congresso aprovou a mudança no final de julho, e a cidade mobilizou cerca de 11 mil membros da Força Pública, veículos blindados e restrições à circulação de veículos particulares e à venda de álcool. Líderes internacionais, como o rei Felipe VI da Espanha e presidentes da Argentina (Javier Milei), Equador (Daniel Noboa), Chile (José Antonio Kast) e outros, além do presidente da Fifa, Gianni Infantino, prestigiaram o evento, destacando sua relevância diplomática.

Ausências políticas e contexto eleitoral

Chamou atenção a ausência de parlamentares do Pacto Histórico, partido do presidente Gustavo Petro. Embora Iván Cepeda tenha reconhecido a derrota após a certificação oficial, o processo eleitoral foi marcado por polarização intensa. De la Espriella venceu o segundo turno de 21 de junho com aproximadamente 49,66% dos votos (cerca de 12,96 milhões) contra 48,70% de Cepeda, margem estreita de cerca de 251 mil votos, certificada pelo Conselho Nacional Eleitoral em 24 de junho. Foi uma das vitórias mais apertadas da história recente do país, com alta participação eleitoral.

Desafios herdados: segurança, paz e políticas culturais

769222551 1379875797616069 6516638765443445198 nO novo presidente herda um país com violência em alta. Dados de organizações como a Fundação Ideias para a Paz indicam crescimento significativo de membros de grupos armados durante o governo Petro, após o colapso da iniciativa de “Paz Total”, que não resultou em acordos formais duradouros.

No campo cultural e jurídico, a administração enfrenta políticas do período anterior, como ampliações relacionadas a interrupção voluntária da gravidez, regulamentações sobre transição de gênero envolvendo menores e o afastamento da Declaração do Consenso de Genebra. De la Espriella, que assinou o “Compromisso com a Vida e a Família”, prometeu reverter medidas que considera incompatíveis com seus valores, como parte de uma agenda de renovação moral e cultural.

Com mandato enraizado em valores conservadores, convicção religiosa e promessa de reequilíbrio regional, a presidência de Abelardo de la Espriella começa em um momento decisivo para a Colômbia.

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