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A vinha do Senhor, ontem e hoje

Utilizando-se da mesma figura, Deus repreenderá a maldade e perversão de seu povo em diferentes épocas – Antigo e Novo Testamento. Esta parábola não contém para nós, membros da Igreja e vinha do Senhor, alguma mensagem ou pontos para um exame de consciência?

Redação (03/10/2020 09:00, Gaudium Press) Quando nos servimos de um bom vinho, habitualmente não pensamos no que há por detrás de sua complexa elaboração. Da preparação do terreno, para o plantio da vinha, ao envasamento da bebida, muitos cuidados devem ser tomados. Todo empenho é pouco para que a vide produza bons frutos, e estes, um bom vinho.

A época da vindima, o modo de fazê-la, como espremer os frutos no lagar, onde conservar o mosto já fermentado, por quanto tempo… trata-se de uma verdadeira arte que só se aprimora com o decorrer das gerações de vinicultores; os quais, naturalmente, adquirem um apreço único por seus vinhedos.

Na Liturgia do XXVII Domingo do Tempo Comum a vinha aparece como símbolo do povo eleito… mas só do povo eleito?

Vinha má, maus frutos e perversos vinhateiros

A primeira leitura e o Evangelho nos apresentam a mesma imagem com diferentes aspectos.

Frutos de Injustiça

Na passagem de Isaías (Is 5, 1-7), Deus se queixa da infidelidade do povo israelita à predileção de que foi objeto:

O que poderia eu ter feito a mais por minha vinha e não fiz? A vinha do Senhor dos exércitos é a casa de Israel, e o povo de Judá, sua dileta plantação; eu esperava deles frutos de justiça – e eis a injustiça; esperava obras de bondade – e eis a iniquidade.

Aqui, o povo infiel é comparado a uma vinha que produziu maus frutos.

Séculos mais tarde, o Divino Mestre se utilizaria da mesma simbologia para repreender as autoridades de Israel.

“O Reino de Deus vos será tirado”

O trecho do Evangelho deste XXVII Domingo do Tempo Comum (Mt 21, 33-43) faz parte da pregação de Jesus nos últimos dias antes de sua Paixão. Dirigindo-se às maiores autoridades de Israel – os sumos sacerdotes e anciãos do povo – Nosso Senhor narra uma parábola na qual profetiza seu padecimento.

Na história, certo homem arrenda a própria vinha a outros operários e viaja para o estrangeiro. Quando chega o tempo da colheita, envia por duas vezes empregados aos vinhateiros, a fim de receber seus frutos. Mas estes, tomados de ira, apedrejam e matam os enviados. Numa última tentativa, o proprietário manda seu próprio filho à vinha, e os perversos vinhateiros também o matam.

Mutatis mutandi, Deus enviara numerosos profetas para admoestar, advertir e alertar o povo eleito ao longo de sua existência; entretanto, este não só fez ouvidos moucos à palavra de Deus, como também assassinou impiedosamente seus arautos; e disso são exemplo Isaías e Zacarias, mortos pelo povo hebreu. E agora era o próprio Filho de Deus que lhes falava profetizando seu próprio martírio.

Os encarregados de cuidar de Israel – vinha do Senhor – seriam então os próprios assassinos do Filho de Deus. Que consequência isso traria?

“Eu vos digo, o Reino de Deus vos será tirado e será entregue a um povo que produzirá frutos”. (Mt 21, 43)

A vinha de Deus, hoje

A Palavra de Deus é sempre atual, sempre aplicável para nossas vidas e nossos dias.

O estado em que se encontra a Igreja, sob muitos aspectos, parece ser lamentável; gente há que afirma estar Ela se tornando uma “uma corte pagã, sem Deus, sem consciência”.

É realmente difícil encontrar uma solução para tantos problemas que atualmente afligem a vinha e os vinhateiros de Deus; mas quantos destes problemas não deixariam de existir se todos os membros da Igreja seguissem o conselho expresso na Segunda Leitura:

Ocupai-vos com tudo o que é verdadeiro, respeitável, justo, puro, amável, honroso, tudo o que é virtude ou que de algum modo mereça louvor. (Fl 4, 8)

Sigamos tal conselho enquanto há tempo.

Deus nos livre de perdermos o Reino de Deus, de pertencermos a uma vinha falsa que não produz vinho bom: esta, logo é cortada, fenece e morre, pois que não possui a seiva da verdadeira Fé, não comunica a Cristo.

Contudo, enquanto a falsa vinha é encontrada seca e sem fruto, aquela possuidora da seiva verdadeira, embora passando por intempéries e infortúnios, persiste fiel: no momento desejado por Deus, ocupará não só o paladar e o palato dos sãos apreciadores da virtude, mas finalmente se verá livre de mal-entendidos.

Com efeito, a qualidade de seus frutos é inegável!

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