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A vida é dom de Deus: um chamado renovado à defesa da dignidade humana desde a concepção

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) emitiu uma mensagem de fé, esperança e responsabilidade direcionada a toda a Igreja e à sociedade.

Foto: Magnific.com

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Redação (10/10/2026 08:34, Gaudium Press) No Dia do Nascituro, celebrado em 8 de outubro, a Igreja aqui no Brasil reforça com vigor a convicção de que a vida humana é sagrada e constitui um dom precioso de Deus. Em mensagem conjunta, bispos da Comissão Especial de Bioética e da Comissão Episcopal para a Vida e a Família da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) afirmam: “A vida é um dom de Deus, é sagrada. Cada ser humano é único e portador de dignidade e de direitos que precisam ser reconhecidos, respeitados e protegidos desde a concepção. Diante dos desafios do nosso tempo, somos chamados a resgatar e fortalecer o nosso compromisso com a defesa da dignidade humana”.

O documento é assinado por Dom Reginei Modolo, bispo auxiliar de Curitiba e presidente da Comissão Especial de Bioética; Dom Bruno Eliseu Versari, bispo de Ponta Grossa e presidente da Comissão Episcopal para a Vida e a Família; e Dom Moacir Arantes, bispo de Barreiras e membro da mesma comissão. A mensagem foi divulgada no contexto da Semana Nacional da Vida, que neste ano tem como tema “O sentido da vida” e como lema as palavras de Jesus no Evangelho de João: “Eu vim para que todos tenham vida, e a tenham em abundância” (Jo 10,10).

Origem e propósito da celebração

A Semana Nacional da Vida foi instituída em 2005 pela 43ª Assembleia Geral dos Bispos do Brasil. Ela se estende do início de outubro até o Dia do Nascituro, em 8 de outubro — data escolhida pela proximidade com a festa de Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil, no dia 12. O objetivo é promover o debate público sobre o cuidado, a proteção e a dignidade da pessoa humana em todas as etapas de sua existência, do início no ventre materno até o fim natural.

Neste ano, a reflexão se volta especialmente para o sentido da existência em uma sociedade marcada por avanços científicos e tecnológicos, mas também por solidão, ansiedade, violência, cultura do descarte e fragilidade dos vínculos. A Igreja convida fiéis e sociedade a redescobrirem que a vida plena se encontra no encontro com Cristo e no serviço ao próximo.

A missão histórica da Igreja e o modelo da Sagrada Família

Os bispos recordam que, ao longo da história, a Igreja tem exercido com dedicação sua missão de defender a vida. Como “mãe e mestra”, ela ensina que a existência é dom divino e que o homem e a mulher, criados à imagem e semelhança de Deus e unidos no matrimônio, são chamados a colaborar com o projeto criador. A convocação é clara: amar, defender e cuidar da vida desde o ventre materno até o seu término natural.

Como exemplo concreto de cuidado integral, a mensagem aponta a Sagrada Família de Nazaré. José e Maria enfrentaram desafios da gestação, deslocamentos, falta de estrutura adequada para o parto e perseguição que ameaçava a vida do Menino Jesus. Com fé e esperança, cumpriram a missão de acolher, proteger e garantir as condições possíveis para que Jesus nascesse, crescesse e se desenvolvesse. Esse modelo inspira famílias e comunidades a oferecerem acolhida e proteção em meio às dificuldades contemporâneas.

A Igreja ensina ainda que, no espaço sagrado do ventre materno, no instante da concepção, inicia-se o mistério de uma nova vida. Por isso, é dever reconhecer e promover a dignidade de cada ser humano, cuidando e defendendo a existência em todas as suas fases.

Ciência, sociedade e apoio às gestantes

Os bispos pedem que os conhecimentos da ciência médica, especialmente diante dos avanços tecnológicos atuais, contribuam para o respeito, a proteção e o cuidado com a vida humana. Ao mesmo tempo, chamam as instituições da sociedade a unirem esforços para garantir o direito à vida e promover a saúde. Isso inclui assegurar às gestantes acesso ao pré-natal, local adequado para o parto e condições necessárias para acolher, cuidar e educar seus filhos.

Essa dimensão prática é fundamental. Defender a vida não se resume a declarações; exige ações concretas de apoio às mães em situação de vulnerabilidade, promoção de alternativas solidárias e construção de uma cultura que valorize a pessoa desde o início.

Ao final da mensagem, os bispos invocam a intercessão de Nossa Senhora Aparecida, pedindo que Ela cubra a todos com seu manto materno e acompanhe o povo brasileiro neste caminho de defesa da vida.

A celebração do Dia do Nascituro, portanto, não é apenas uma data no calendário eclesial. É um convite a renovar a consciência da sacralidade de cada existência e a engajar-se ativamente na promoção de uma civilização do amor. Em tempos de desafios éticos e culturais, a Igreja no Brasil reafirma que cada ser humano é único, portador de dignidade inviolável e merecedor de proteção desde o primeiro momento de sua existência.

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