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A Santíssima Trindade: um dos principais mistérios de nossa fé

“Se almejamos compreender tanto quanto nos é possível a eternidade, a igualdade e unidade de um Deus trino, precisamos crer antes de entender”.

Redação (12/06/2022 14:41, Gaudium Press) A Igreja celebra hoje a Solenidade da Santíssima Trindade que, ao lado da Encarnação, Vida, Paixão, Morte e Ressurreição de nosso Senhor Jesus Cristo, constitui um dos principais mistérios de nossa Fé.

“Um só Deus em três Pessoas” – é o que aprendemos no catecismo. Sem auxílio da Fé, entretanto, jamais poderemos penetrar no verdadeiro significado desta afirmação, tão simples e singela na aparência.

A existência de um único Deus, nos diz São Tomás, pode ser provada simplesmente pela razão. Mas, afirmar que este Deus é ao mesmo tempo Uno e Trino, só nos é possível pela Fé.[1]

Exemplo de um santo

Segundo conta uma piedosa tradição, estando certa vez o grande Santo Agostinho muito empenhado em compreender este mistério, sonhou que se encontrava no litoral, quando apareceu-lhe, então, um menino que, de modo inocente, enchia baldes e mais baldes com a água do mar; depois os esvaziava em uma cavidade na areia. Um tanto perplexo, perguntou-lhe Agostinho:

̶  Que fazes aqui, meu jovenzinho?

̶  Tento colocar toda a água no mar neste buraco na areia.

̶  Mas não vês que isto é impossível? – indagou-lhe o santo.

̶  Pois sabei, Agostinho, que mais fácil é transferir para aqui toda a água do mar do que vós compreenderdes o mistério da Santíssima Trindade.[2]

E não era exagero!

Tal verdade ficou de tal modo gravada no coração de Agostinho que sua pena pôde cunhar a seguinte frase: “Se almejamos compreender tanto quanto nos é possível a eternidade, a igualdade e unidade de um Deus trino, precisamos crer antes de entender”.[3]

É um mistério tão alto que nem mesmo o Anjos do Céu podem compreendê-lo inteiramente.

Somos templos de Deus

Se não fosse a própria Segunda Pessoa da Santíssima Trindade no-lo revelar, sequer teríamos conhecimento deste mistério. E isto Ele fez por puro amor e bondade.

Entretanto, mais do que nos revelar que existe um só Deus em três Pessoas, Nosso Senhor quis fazer de nós templos vivos da Santíssima Trindade. No momento em fomos batizados, nos tornamos morada de Deus, daquele mesmo Deus infinito, que o universo inteiro não pode conter. Diante disso, resta-nos apenas dizer com o salmo de hoje: “Senhor, que é homem para dele assim vos lembrardes e o tratardes com tanto carinho?”

Se temos respeito com um sacrário, por exemplo, quão maior não deve ser o nosso cuidado para com este templo divino que somos nós!

Nós, católicos, nos empenhamos em manter limpas e belas as Igrejas, propiciar um ambiente digno para Nosso Senhor Eucarístico; mas também somos zelosos em manter em ordem a nossa alma, qual esplêndido templo?

A relação que Ele tem com nossas almas é, contudo, muito superior à que existe entre Ele e um sacrário. O tabernáculo não tem alma, é inerte. Ao passo que nós, sim, temos alma, e por isso Ele quer entrar em contato conosco a cada instante.

Trata-se, pois, de não lhe fecharmos as portas de nossa alma, compreendendo a linguagem discreta de seu amor para conosco… Não é sem razão que Nosso Senhor afirma no Evangelho de hoje: “Tenho ainda muitas coisas a vos dizer, mas não sois capazes de as compreender agora” (Jo 16,12).

Aproveitemos este Domingo da Santíssima Trindade para ordenar e dignificar este nosso templo interior. Se o mantivermos limpo, poderemos entender muito mais os mistérios de nossa Fé, interpretando com maior perfeição as mensagens que a Santíssima Trindade continuamente dita em nosso interior.

Por Lucas Rezende


[1] Cf. SÃO TOMÁS DE AQUINO. Suma Teológica. I, q. 32, a. 1.

[2] Cf. CLÁ DIAS, João Scognamiglio. O Inédito sobre os Evangelhos. Città del Vaticano: LEV, 2012, v.5, p.399.

[3] SANTO AGOSTINHO. De Trinitate. L.VIII, c.5, n.8. In: Obras completas. Madrid: BAC, 1956, p. 514.

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