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A mais grandiosa e augusta de todas as cátedras

Por três dias e três noites Santo André ficou no alto da cruz e durante esse tempo pregava ao povo sobre Nosso Senhor Jesus Cristo. 

Por três dias e três noites Santo André ficou no alto da cruz e durante esse tempo pregava ao povo sobre Nosso Senhor Jesus Cristo.

Redação (15/07/2020 14:04, Gaudium Press) Santo André foi o primeiro Apóstolo a reconhecer Jesus como Messias, e conduziu seu irmão, São Pedro, até o Divino Mestre (cf. Jo 1, 41-42).

Com santa cólera, increpou o governador

Entre outras regiões, Santo André evangelizou a Trácia – região junto ao Bósforo, estreito que liga o Mar Negro ao Mar de Mármara e marca o limite dos continentes asiático e europeu – e Bizâncio, que depois recebeu o nome de Constantinopla. Foi o primeiro Bispo de Bizâncio e ordenou como prelado Estácio, um dos 72 discípulos de Nosso Senhor, que o sucedeu nessa cidade.
Aproximadamente no ano 60, foi crucificado em Patras, que atualmente é a terceira maior cidade da Grécia.

Santo André converteu grande número de pessoas em Patras. O recém- empossado governador da cidade, a qual fazia parte do Império Romano, mandou chamar o Santo e o invectivou dizendo que ele destruíra os templos dos pagãos, e o ameaçou afirmando que, se não cultuasse os ídolos, seria punido.

Após longa discussão em que o Apóstolo increpava o governador, este mandou-o para a prisão. Os cristãos acorreram ao local e queriam libertá-lo, mas ele os dissuadiu, dizendo-lhes que desejava o martírio.

No dia seguinte, o governador novamente incitou o Apóstolo a adorar os ídolos, pois do contrário seria flagelado e crucificado.

Santo André, com santa cólera, declarou:
– Escutai filho da morte, reservado às chamas eternas! Sofrerei esses tormentos por Jesus, meu Rei.

Foi, então, terrivelmente açoitado e seu corpo ficou todo ensanguentado. Trouxeram uma cruz em forma de “X” — por isto conhecida como Cruz de Santo André. Ao vê-la, Santo André proferiu as seguintes palavras:

– Ó cruz belíssima, desejada e amada com doçura! Foste glorificada pelo contato que tiveste com o Corpo de Cristo! Grande cruz, docemente desejada, ardentemente amada, sempre procurada e afinal preparada para meu coração apressado, desejoso de ti.

Por três dias e três noites ele ficou no alto da cruz, e durante esse tempo pregava ao povo sobre Nosso Senhor.

Por três dias, do alto da cruz ensinou aos homens

O Prof. Plinio Corrêa de Oliveira comenta:
“Cruz, docemente desejada, ardentemente amada…  “De todos os modos os homens fogem do sofrimento.
O sofrimento é exatamente o que não desejam.
Qualquer forma de luta contra as paixões, qualquer forma de renúncia ao mal, causa-lhes horror. A ideia predominante é de que a vida foi dada ao homem para que ele possa obter proveitos e vantagens, e que é preciso gozá-la, e o que não é fruir a vida, é morrer.

“Pelo contrário, Santo André amava ardentemente sua cruz, compreendendo que o verdadeiro sentido da vida de um homem não é o gozo ou o prazer que tem, mas o sacrifício que pratica. […]

“Portanto, todo homem verdadeiramente sobrenatural, verdadeiramente homem, almeja o encontro com sua grande cruz, com seu grande martírio.

Este é o […] amigo da Cruz, como fala São Luís Grignion de Montfort .

“Por três dias esteve pregado na cruz, do alto da qual ensinou aos homens.

“O fato é tão impressionante que pertence àqueles aos quais não competem comentários…
Ficar dias preso à cruz pregando ao povo, e ao cabo desses dias morrer, é um milagre extraordinário.
Apresenta a cruz como a mais grandiosa e augusta de todas as cátedras, cátedra do homem que sofre e, em nome de seu sofrimento, fala ao povo e produz enorme impressão.
É uma tão grande plenitude de apostolado, que verdadeiramente não se sabe o que dizer.

“Imaginemos um homem que era idoso, atado à cruz, no desconforto tremendo daquela situação, com açoites marcando seu corpo, possivelmente com as mãos e os pés perfurados. Nessa dor tremenda é mantido em vida por um verdadeiro milagre.

Por três dias e três noites Santo André ficou no alto da cruz e durante esse tempo pregava ao povo sobre Nosso Senhor Jesus Cristo. 

Bandeira do Reino Unido

“Continua pregando ao povo, a um povo ardoroso, contrito, provavelmente genuflexo, que lhe ‘bebia’ as palavras, uma por uma. É uma das mais belas cenas de pregação católica de todos os tempos e de todos os lugares.

“Pode-se imaginar quais foram as palavras, os ensinamentos, as graças, enfim, o martírio de Santo André? Que cátedra! Quem durante a vida possuiu uma cátedra semelhante à Cruz?
“’Senhor, Rei eterno da glória, recebei-me assim pendido como estou ao madeiro, à cruz tão doce. Vós sois meu Deus, Vós a quem eu vi. Não permitais que me desliguem da cruz; fazei isto por mim, Senhor, que conheci a virtude da vossa Santa Cruz! ’ E com estas palavras expirou.

“Uma morte tão pulcra, da qual poder-se-ia dizer que apenas a de Nosso Senhor superou em beleza, era merecedora das maiores honras por parte da Santa Igreja, como de fato constatou-se séculos depois. […]

“O crânio de Santo André estava no Império Bizantino, infelizmente cismático. E à medida que os turcos invadiam o Império, algumas das relíquias insignes foram sendo retiradas do Império e levadas por mãos fiéis para terras católicas, onde pudessem ser adequadamente veneradas. Assim ocorreu com o crânio sagrado de Santo André.”

Esse crânio foi recebido pelo Papa Pio II, em 1462, com toda a veneração e depois colocado num relicário embutido numa das colunas da Basílica de São Pedro.

E a própria cruz de Santo André foi guardada por cristãos fervorosos. Durante a IV Cruzada (1202-1204), para que os maometanos não a conspurcassem, levaram-na até uma basílica de Marselha, no Sul da França.

Algumas relíquias do Apóstolo foram levadas para a Escócia, cujo povo muito as venerou.
Por isso na bandeira dessa nação figura sua cruz em forma de X, que a atravessa diagonalmente.
Na bandeira da Inglaterra já havia uma enorme cruz em pé, chamada Cruz de São Jorge.

Após a união da Escócia com a Inglaterra, ambas as cruzes ornamentam a bandeira do Reino Unido, que reúne, além desses dois países, a Irlanda do Norte e o País de Gales.

Por Paulo Francisco Martos
(in  “Noções de História da Igreja” – 18)

 

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1 – Cf. DARRAS, Joseph Epiphane. Histoire Génerale de l’Église. Paris : Louis Vivès. 1869, v. VI, p. 457-461

2 -Escreveu uma carta a uma associação de fiéis chamada “Amigos da Cruz”, aos quais estimulou a amarem o sofrimento para alcançarem a união com Jesus e Maria Santíssima.

3 – CORRÊA DE OLIVEIRA, Plinio. Santo André, Apóstolo: imitador do Divino Mestre em sua Paixão na Cruz. In Dr. Plinio, São Paulo. Ano XII, n. 140 (novembro 2009), p. 10-13.

 

 

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