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A hora da colheita

Assim como as sementes produzem frutos para o sustento e alegria dos homens, do mesmo modo cabe ao gênero humano acolher a semente da Palavra de Deus, a fim de produzir frutos de virtude e santidade.

Foto: divulgação

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Redação (16/06/2024 09:05, Gaudium Press) Quão bela deveria ser a cena de uma pregação de Jesus. Seja no alto de um monte, ou às margens do mar, ou até mesmo sentado numa barca sobre o balouçar das ondas, não havia lugar onde sua voz e seus gestos não falassem profundamente nos corações.

Colhendo elementos simples da vida cotidiana, Nosso Senhor desenvolvia ensinamentos profundos e acessíveis para nutrição espiritual de todos. Com efeito, nada mais cogente para a sociedade campestre daqueles tempos do que tratar de sementes…

A potência interior da semente

Os Padres da Igreja, em geral, sempre interpretaram a figura do Reino de Deus como uma representação da Santa Igreja Católica:

“O Reino de Deus é como quando alguém espalha a semente na terra. Ele vai dormir e acorda, noite e dia, e a semente vai germinando e crescendo, mas ele não sabe como isso acontece. A terra, por si mesma, produz o fruto: primeiro aparecem as folhas, depois vem a espiga e, por fim, os grãos que enchem a espiga. Quando as espigas estão maduras, o homem mete logo a foice, porque o tempo da colheita chegou” (Mc 4,26-29).

Percebe-se que a atenção de Jesus está mais voltada à semente do que ao semeador. Este, uma vez cumprido seu ofício, se atém a outros afazeres. Passa-se o tempo e, paralelamente ao existir do semeador, a semente brota.

Há dentro dela um dinamismo próprio, uma força vital que em contato com a terra inicia seu florescimento e a sustenta até a hora da colheita.

A figura é uma pálida imagem do que acontece com a Santa Igreja. Esta, ao ser semeada no mundo, foi sendo robustecida pela ação do próprio Espírito Santo, o qual introduziu nela uma tal energia que não foi limitada apenas ao seu nascedouro, mas ao longo de todos os séculos de sua existência, num transbordamento de vida e de crescente frutificação.

Isso significa dizer que, apesar da ação maléfica de tantos frutos contaminados e podres que tentam destrui-la, a Igreja Católica sempre se manterá incólume. Não há força humana ou diabólica capaz de a derrotar e de minguar seus verdadeiros frutos, pois é o Divino Paráclito quem a conduz. E é Deus quem lança a foice e colhe os frutos. E qual será o destino de todos eles?

Contemplemos antes outra belíssima imagem usada pelo Divino Mestre.

Um chamado a ingressar no Reino de Deus

Com que mais poderemos comparar o Reino de Deus? Que parábola usaremos para representá-lo? O Reino de Deus é como um grão de mostarda que, ao ser semeado na terra, é a menor de todas as sementes da terra. Quando é semeado, cresce e se torna maior do que todas as hortaliças, e estende ramos tão grandes, que os pássaros do céu podem abrigar-se à sua sombra. (Mc 4,30-32)

Realmente, em que consistiu o nascimento da Igreja? Quem poderia imaginar que uma dúzia de simples homens conquistariam o mundo para seu Senhor, a quem por vezes foram infiéis?

Aquela frágil semente não vivia de sua vida natural. A seiva que corre em suas fibras é divina e, como diz o salmista, por estar plantada nos átrios do Senhor, jamais as suas folhas vão murchar (cf. Sl 91,14).

De modo muito semelhante o predisse Ezequiel, como vemos na 1ª leitura, ao referir-se a Deus que exalta o humilde arbusto e abate a árvore soberba: de um pequeno ramo fez brotar uma árvore frondosa em cujos ramos as aves de toda espécie tomam abrigo (cf. Ez 17,22-23). Ou seja, a universalidade da Igreja abarca a humanidade inteira, a qual, com toda sua pluralidade de etnias, é destinada a integrar o Reino de Deus.

A condição para produzirmos frutos espirituais

Entretanto, o Apóstolo ensina, em sua Segunda Epístola aos Coríntios, que caminhamos na fé e não na visão clara (cf. 2Cor 5,7). Participar do Reino de Deus exige da nossa parte uma adesão. Assim como a planta se estabelece sobre suas raízes, assim também a vida do cristão sobre a sua fé. Esta adesão não se baseia em cálculos humanos, mas na confiança das promessas de Nosso Senhor. E é mediante esta fé e esta confiança que devemos nos esforçar para lhe sermos agradáveis em tudo, visto que, em dado momento, chega a hora da colheita.

Aqui não seremos nós, mas o próprio Deus que lançará a foice. Todos nós teremos a nossa hora: hora desconhecida; hora em que cada um receberá o que mereceu. Prêmio para os bons, castigo para os maus.

Peçamos à Santíssima Virgem Maria que cultive em nossas almas as sementes lançadas por seu amado Jesus. Que Ela nos impeça de sermos como figueiras infrutíferas destinadas ao fogo, mas que, chegada a hora da colheita, Ela própria colha frutos maduros de virtude e santidade e os ofereça ao seu Divino Filho.

Por Rodrigo Siqueira

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