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A Fé exige as obras

“Ora, o julgamento é este: a luz veio ao mundo, mas os homens preferiram as trevas à luz, porque suas ações eram más” (Jo, 3,20).  

Redação (22/03/2022 09:06, Gaudium Press) Crer não significa aceitar passivamente um conjunto de verdades sem implicações concretas para nossa existência particular. Nas palavras de São Tiago, “a Fé, se não tiver obras, é morta” (Tg 2, 17).

Quem crê deve traçar um plano de vida cristã para imitar Nosso Senhor, adequando a Ele sua mentalidade, inteligência, vontade e sensibilidade, na disposição de sempre progredir nessa união.

Se a Fé move montanhas (cf. Mt 21, 21), também produz efeitos extraordinários – e muito mais! – na alma que a possui, conferindo-lhe as energias necessárias para toda espécie de boas obras.

“Quem n’Ele crê, não é condenado, mas quem não crê, já está condenado, porque não acreditou no nome do Filho Unigênito” (Jo, 3,19).

Por outro lado, essa afirmação categórica de Jesus ressalta o quanto Ele é pedra de escândalo e divisor, em função do qual os homens optam pelo Céu ou pelo inferno.

A oposição entre a luz e as trevas

Não se trata propriamente de uma luta, que se verifica quando há um enfrentamento e uma resistência entre duas forças. Isso não ocorre entre a luz e as trevas: quando aquela se faz presente, estas desaparecem.

Deus, “a verdadeira luz que, vindo ao mundo, ilumina todo homem” (Jo 1, 9), é o Bem. O mal, por sua vez, só existe em quem se afasta ou se levanta contra Ele; consiste, portanto, na ausência de bem.

Ora, quando alguém abraça um caminho contrário ao bem, à verdade e ao belo, distancia-se da luz e entra nas trevas. E isso ocorre mesmo com pessoas dotadas de profusas luzes intelectuais.

Com efeito, também os demônios e precitos conservam sua inteligência no inferno, pois se trata de uma luz natural, muito diferente da luz por excelência de que fala Nosso Senhor, capaz de penetrar a fundo na alma e nos levar a entender algo a respeito de Deus.

“Quem pratica o mal odeia a luz e não se aproxima da luz, para que suas ações não sejam denunciadas” (Jo, 3,21).

Eis uma terrível constante na alma entregue ao pecado: a aversão a tudo quanto lembra a retidão e a virtude, sobretudo àqueles que, por estarem mais avançados no caminho da santidade, refletem com maior intensidade a Luz que é Deus.

Quantas vezes percebemos que alguém anda mal pela indignação que demonstra em relação a um bom!

De fato, ninguém adere ao mal, ao erro e ao feio enquanto tais. Quando uma pessoa quer prevaricar, precisa construir uma doutrina para justificar sua má conduta e, se ela se achegar à luz, esta racionalização cairá por terra.

É como alguém que, ao entrar numa festa, nota uma mancha na própria vestimenta e procura não se expor à claridade, a fim de evitar que os outros vejam sua situação.

Se, pelo contrário, há integridade e desejo de conformar-se com Deus, nada causa mais alegria do que conviver com aqueles que, por tanto terem amado a Luz, transformaram-se eles mesmos em luz para os demais.

 Qual caminho escolheremos?

A felicidade não se encontra nas vias do afastamento de Deus, cujo termo é a “Babilônia” do pecado e o castigo divino. Se “todo homem que se entrega ao pecado é seu escravo” (Jo 8, 34), quem enceta este caminho torna-se prisioneiro de um “Nabucodonosor” muito pior que o tirano histórico: o demônio, o qual odeia a Deus e sua obra, e por isso quer a perdição dos homens.

Deus nos livre de seguir as sendas desta escravidão! Pelo contrário, possa o Senhor nos conceder a graça de optar pelas veredas da liberdade, servindo a Ele, fonte da única e verdadeira alegria.

E somente a obteremos depois de passarmos pelas dificuldades da vida, dando cada vez mais de nós mesmos, por inteiro e sem olhar para trás. Assim agiram todos os Santos, Nossa Senhora e o próprio Nosso Senhor Jesus Cristo, em cujo Corpo não restou uma só gota de sangue.

Que Maria Santíssima nos alcance, por sua intercessão onipotente junto a Jesus, a ufania de sermos filhos da Igreja e, em consequência, imensamente amados e perdoados desde que reconheçamos nossas faltas com dor e as depositemos confiantes nas brasas do amor divino. Dessa forma, o Preciosíssimo Sangue de Cristo e as lágrimas extraordinariamente santas de Nossa Senhora se derramarão sobre nossas almas, conferindo-lhes um perfume agradável a Deus.

Mons. João Scognamiglio Clá Dias, EP

Texto extraído, com adaptações, da Revista Arautos do Evangelho n.231, março 2021.

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