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A Eucaristia, o maior dos milagres

Muitos se surpreendem – com quanta razão – com os chamados “milagres eucarísticos”, mas não valorizam devidamente o milagre da transubstanciação ou da divinização do cristão.

Redação (23/05/2022 16:54, Gaudium Press) O mistério eucarístico foi numerosas vezes sugerido no Antigo Testamento com maior ou menor força evocativa. Por exemplo, é inegável que o cordeiro pascal ou o maná do deserto são pré-figuras da Eucaristia.

Assim também são sugestivos outros trechos das Sagradas Escrituras que, ao relatar a expectativa do povo eleito à espera do Messias, apontam o que se cristalizaria em seu momento com a instituição eucarística. É o caso de algumas passagens dos Livros Históricos ou dos Sapienciais, onde vemos aludidas as dimensões de sacrifício, alimento e presença de que se reveste o magno mistério que nos ocupa. Vejamos um exemplo:

Santo Elias: exemplo de pessoas de fé que passam por tentações e sofrimentos, mas vivem à altura do ideal para o qual nasceram.

Santo Elias e a pré-figura da Eucaristia

No primeiro Livro dos Reis se destaca um homem absolutamente fora de série, o Profeta Elias. Entre outros acontecimentos de sua jornada, três particularmente impressionantes se destacam: seu decreto de seca que se abateu sobre Israel durante três anos como castigo por suas prevaricações, a matança de quatrocentos e cinquenta sacerdotes de Baal que ele degolou sozinho, um a um no Monte Carmelo, e sua prodigiosa elevação em uma carruagem de fogo para um lugar misterioso, de onde ele retornará no final dos tempos para lutar contra o anticristo e morrer. Definitivamente, Elias não é um personagem banal…

Mas este homem colossal teve, como todo mortal, debilidades e passou por infortúnios. Vamos reproduzir o texto sagrado e comentá-lo depois.

“Então [Elias] caminhou pelo deserto por um dia, até que, sentando-se debaixo de um junípero, implorou à morte dizendo: ‘Basta Senhor! Tirai minha vida, pois não sou melhor do que meus pais!’ Ele deitou-se e adormeceu debaixo do junípero, mas um anjo o tocou e disse: ‘Levanta-te e come’. Ele olhou em volta e em sua cabeça estava um pão cozido debaixo da cinza e uma jarra de água. Ele comeu, bebeu e deitou-se novamente. O anjo do Senhor voltou uma segunda vez, tocou-o e disse de novo: ‘Levante-se e coma, porque tens um longo caminho a percorrer’. Elias levantou-se, comeu e bebeu; e com o vigor daquela comida, caminhou quarenta dias e quarenta noites até Horeb, o monte de Deus” (1 Reis 19, 4-8).

Nestes versículos está narrada a marcha do Profeta pelo deserto fugindo da ímpia rainha Jesabel que jurou matá-lo, enfurecida por causa da matança dos sacerdotes de Baal perpetrada pelo homem de Deus. Elias teve medo, se sentiu desamparado e chegou a pedir para si a morte.

Uma atitude assim não tem semelhança com a de tantos fiéis desanimados que caminham pelos “desertos” do mundo atual e vão dormir, ou seja, ignoram o combate da vida? Neles, depois de uma primavera de fervor, sucede o inverno do desencanto.

Um anjo vem até Elias, o desperta e lhe dá ânimo encorajando-o a comer e beber. Aplicando este fato ao nosso tempo, consideremos os movimentos do anjo da guarda, de algum amigo ou da própria consciência, convidando aquele ao que está sobrecarregado para a mesa eucarística, “levanta-te e come”.

Elias come e… volta a dormir. Isso é o que acontece com muitos católicos em meio ao caos circundante; De repente, eles “acordam”, aproximam-se da Hóstia Santa para adorá-la ou para recebê-la em comunhão, e depois são conquistados de novo pelo sono, voltam a dormir. Assim acontece, por exemplo, com tantos meninos e meninas que piedosamente e com grande entusiasmo fazem sua primeira comunhão, para mais tarde serem vencidos pela indiferença, pelo esquecimento e pelo sono.

Mas o anjo observa. “O anjo do Senhor voltou uma segunda vez, tocou-o e lhe disse: ‘Levante-se e coma, porque tens um longo caminho a percorrer’. Elias se levantou, comeu, bebeu e, com a força daquela comida, caminhou quarenta dias e quarenta noites até o Horeb, o monte de Deus”.

Eucaristia: o alimento misterioso que dá forças

Aqui parece estar figurado o renascimento da alma depois de um pesado sonho, ao tomar consciência de que deve realizar a razão de sua vida para, desta maneira, alcançar a recompensa eterna. Essa longa caminhada de quarenta dias é a exigência diária do testemunho cristão; o alimento misterioso que dá forças é o Pão do céu; e a recompensa a conquistar é o Paraíso celeste, autêntico Monte Horeb onde se contempla beatificamente ao Senhor, sem véus.

Notemos nesta afirmação altamente decisiva “e com o vigor daquela comida, caminhou quarenta dias”. Convenhamos que é humanamente impossível caminhar todo esse tempo por um deserto depois de ter comido no início, apenas uma vez, pão e água. Trata-se, portanto, de um alimento milagroso que opera a maravilha de atingir a meta sem comer nada durante a viagem.

Ora, o fruto que a Eucaristia produz é, precisamente, o de dar essa energia para superar as dificuldades do caminho da vida, conseguindo a divinização do fiel através da identificação com Cristo e, finalmente, chegar ao céu.

Está comprovado que, para o pleno cumprimento dos deveres batismais, as pessoas, por si mesmas, são impotentes. Mas esses compromissos podem ser cumpridos com a ajuda do Pão da Vida, alimento revigorante para os peregrinos, um verdadeiro milagre que também produz milagres.

Quão pouco é fazer um mudo falar, restaurar a visão a um cego ou ressuscitar um morto, se compararmos com converter um pequeno pedaço de pão de trigo no próprio Deus e multiplicá-lo prodigiosamente! Em que medida aqueles que vão à Missa têm clara consciência de presenciar o maior e mais surpreendente dos milagres?

Muitos se surpreendem – com quanta razão – com os chamados “milagres eucarísticos”, mas não valorizam devidamente o milagre da transubstanciação ou da divinização do cristão.

Mas há algo ainda pior: nossos irmãos na Fé chegam a confiar nos horóscopos, a acreditar no poder de amuletos ou na fatalidade do destino, desinteressando-se por completo no auxílio onipotente, seguro e benevolente d’Aquele que disse ser o caminho, a verdade e a vida.

Por Padre Rafael Ibarguren EP – Assistente Eclesiástico das Obras Eucarísticas da Igreja.

Traduzido por Emílio Portugal Coutinho.

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