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A Eucaristia é tão necessária quanto o pão material, destaca sacerdote missionário

Segundo o religioso, o maior erro dos governos, neste período de quarentena, reside no fato de se dedicaram a encher a barriga do povo, esquecendo-se que o homem não é apenas um estômago.

Filipinas – Manila (25/05/2020 15:00, Gaudium Press) O Padre Stefano Mosca, sacerdote missionário do Pontifício Instituto de Missões Estrangeiras (PIME), publicou um artigo sobre a necessidade de acesso aos sacramentos durante as medidas de isolamento. Sua experiência de 17 anos de missão nas Filipinas e mais concretamente de 14 anos na ilha de Mindanao lhe permite comprovar uma coisa: a Eucaristia é tão necessária como o pão material. Além disso, este sacramento combate a desesperança, um dos mais graves riscos da pandemia.

O artigo, divulgado pela agência AsiaNews, busca oferecer uma contribuição para o debate na Itália. Nesse país se apresenta um dilema entre as necessidades espirituais dos fiéis, o direito à liberdade religiosa e a promulgação de medidas de prevenção de contágio que proíbem a celebração de Missas Públicas. Apesar das diferentes opiniões terem parte da razão, o presbítero ofereceu sua reflexão, produto de sua experiência concreta.

Uma vida cristã sem Eucaristia não é a mesma coisa

“Posso afirmar com certeza que uma vida cristã sem Eucaristia não é o mesma coisa que uma vida cristã que se alimenta regularmente da Eucaristia”, recordou o Padre Mosca. “Da mesma forma, um corpo bem alimentado que pode trabalhar, pensar, projetar não é a mesma coisa que um corpo mal alimentado que tenta apenas sobreviver e, com muita relutância, se vê limitado na ação e no pensamento, por falta de forças”.

As circunstâncias de seu território missionário demonstram essa realidade. Devido à falta de alimentos variados, os jovens não alcançam bons resultados acadêmicos. Ao se beneficiar de um refeitório caritativo, seu desempenho melhora. “O mesmo acontece com a Eucaristia”, indicou o sacerdote.

“Há dois meses que meu povo não vê um sacerdote nas capelas e nem participa da Missa. Há dois meses que meu povo não se alimenta da Eucaristia”, lamentou o sacerdote. “Para dizer a verdade, já existem muitos sinais de colapso em meus cristãos: crescem cada vez mais as reclamações, a fúria contra funcionários, a inveja e o ciúme; brigas familiares estão na ordem do dia, em parte devido a esse confinamento forçado, e o mesmo se aplica a disputas com os vizinhos”. A grave situação degenerou em violência e em graves abusos de poder contra a população.

O verdadeiro bem estar da população

Embora o Estado se preocupe em enviar algumas ajudas que aliviam parcialmente as necessidades nutricionais, o mesmo não ocorre com a necessidade espiritual. “Quem se importa em distribuir a Eucaristia nas ruas das aldeias, para que a alma também seja nutrida, e não apenas o corpo?”, questionou. “Meu colega missionário, um filipino dehoniano da paróquia ao lado da minha, visitou todas as suas aldeias, distribuindo a Eucaristia aos católicos que esperam que ele passe pela porta de suas casas, após a transmissão da Missa pela televisão”.

“Nisto reside o maior erro de todos os governos do mundo neste período de quarentena: eles se dedicaram a encher a barriga do povo, mas esqueceram que o homem não é apenas um estômago; não somos como os porcos, que não se importam em estar enjaulados enquanto comem e engordam”, alertou o Padre Mosca. Prova disso são os suicídios registrados na Itália durante o isolamento. “Não tenho dúvida que não lhes faltava alimento, mas todos escreveram: ‘Eu não aguento mais'”.

Os danos da ausência da Eucaristia

Em uma abordagem distinta, o Padre Mosca convenceu as autoridades locais das condições de seu templo, de grande e boa ventilação. Desta maneira, obteve permissão para celebrar três Missas públicas a cada domingo, com espaço para 120 pessoas distanciadas umas das outras. “Mas a verdade é que poucos participaram. Não vieram nem sequer as pessoas que moram no centro, mesmo estando bem próximas da igreja”. Na ausência da Eucaristia, os fiéis menos praticantes se afastaram ainda mais.

A situação é preocupante. No passado, o Padre Mosca conseguiu reduzir a violência de dois povoados convencendo as famílias a comparecerem nas Eucaristia e reabilitar a Capela, que permanecia fechada por falta de fiéis. Os fiéis conseguiram se livrar dos líderes corruptos e violentos, superaram os massacres cometidos sob os efeitos do álcool e diminuíram os roubos. “Que milagre a Eucaristia faz no coração do homem e na sociedade!”, expressou o sacerdote.

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“É por isso que reafirmo que, embora seja razoável interromper a comunhão dos fiéis neste longo período de quarentena, também afirmo energeticamente que, não é o mesmo se alimentar da Eucaristia todo domingo e não se alimentar”, concluiu o missionário. “O normal deve ser receber a Eucaristia para ser forte na vida da Fé, da caridade e da esperança, que de outra forma seriam enfraquecidas pelos golpes do demônio. Para mim, esta é a verdadeira crise de hoje: uma vida cristã que, por várias razões, entrou em um estado de espera, esperando que não desapareça completamente”. (EPC)

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