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A Consagração ao Imaculado Coração de Maria e o dia seguinte

Consagrar a Rússia e a Ucrânia ao Coração Maria implica numa mudança de conduta; caso contrário, como será o dia seguinte?

Redação (25/03/2022 16:02, Gaudium Press) Opinar sobre a Consagração da Rússia e da Ucrânia ao Imaculado Coração de Maria torna-se uma tarefa complexa.

De um lado, é fácil ver o gesto com bons olhos; e isso é mais do que excelente. É o que o povo cristão, há muito, reclamava.

Por outro lado, convém sermos bons observadores dos acontecimentos, auferindo de muitos dados, por vezes desconexos entre si, o pano de fundo sobre o qual é pintado o panorama do dia seguinte.

Contrastados, os períodos de perseguição e de guerra costumam prenunciar mudanças substanciosas nas almas e, logo, na sociedade. Uma das quais, em larga medida, o afervoramento da massa católica fiel.

Recorde-se o leitor o que registra a História:

. Da caça aos cristãos primitivos, quais sementes regadas com sangue, não nasceu a Europa cristã?

. Da fé calcada pelos hereges, o nosso Credo católico?

. De uma Igreja balouçada por conflitos intestinos – financeiros e morais –, almas de escol que a reconduziram ao caminho da virtude?

. Da religião católica caluniada e vendida, na França revolucionária, a insurreição do Oeste?

. Do papado perseguido, o testemunho da infalibilidade da Cátedra de Pedro?

De todos esses fatos, e muitos outros, uma só virtude seria capaz de resumi-los na força de sua eficácia: a obediência.

. Obediência à lei natural impressa por Deus em nossa alma;

. Obediência a Deus, mediante a lei outorgada por Ele a nós, seus mandamentos;

. Obediência às legítimas autoridades, pessoas investidas do múnus de apontar o rumo desejado pelo mesmo Deus.

Dessa maneira, parece justo enquadrar a presente conjuntura nesse ponto vital, a obediência.

Explico-me: a Consagração da Rússia e da Ucrânia ao Imaculado Coração de Maria é um meio pelo qual Nossa Senhora elegeu dos homens o fim, isto é, a obediência à voz dela e, como consequência, a de seu Filho, nosso Senhor.

Portanto, as decorrências do porvir dependem desta obediência; fator decisivo para que as almas e a sociedade rumem para um ou outro lado, o da virtude ou o do vício.

A Consagração é, pois, um contrato: se pedimos a paz, devemos ser seus promotores; se rogamos que seja paralisado nosso egoísmo e desfeita nossa indiferença, precisamos assumir os encargos de verdadeiros cristãos.

Neste sentido, o escutar a voz da Virgem em 1917 foi o início; consagrar-lhe a Rússia e a Ucrânia, bem como a humanidade, está sendo o meio; nossa conduta obediente a ela deve ser o fim.

Caso contrário, como fazer triunfar o Imaculado Coração de Maria?

* * *

Rezemos, pois, para que do malogro dessa guerra desponte entre os católicos fiéis a reação fervorosa, intransigente e sincera de obediência ao Imaculado Coração, único meio de vermos, em breve, uma renovação da sociedade civil e espiritual.

Se isso se der, observando a guerra Russo-Ucraniana com os olhos postos no panorama do dia seguinte, nós bem poderemos aplicar-lhe a célebre frase: “mais do que um crime, um erro!” [1]

 

Por Bonifácio Silvestre


[1] Frase proferida por Boulay de La Meurthe, erroneamente atribuída a Fouché ou a Talleyrand, por ocasião do assassinato do Duque D’Enghien (encomendado por Joseph Fouché), na tentativa frustra de reestabelecimento da monarquia na França, em março de 1804, por parte de Georges Cadoudal e Pichergu.

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