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A cátedra que nenhum poder humano conseguirá destruir

Os ensinamentos pontifícios ressoarão sempre como a voz do autêntico Pastor nos ouvidos interiores das ovelhas escolhidas pelo Senhor.

Cátedra de São Pedro. Foto: Wikipédia

Cátedra de São Pedro. Foto: Wikipédia

Redação (22/02/2024 11:44, Gaudium Press) É um secular e venerável costume comemorar a Cátedra de Pedro, exaltada pelos Padres da Igreja em seus escritos. A pioneira em instituir essa festa foi a cidade de Antioquia, em lembrança de seu primeiro Bispo, o próprio Príncipe dos Apóstolos. Mais tarde Roma, sua última diocese, começou também a celebrá-la, estendendo-a depois à Igreja universal.

Ao referir-nos à cátedra entendemos a sede estável da qual o Bispo ensina palavras de salvação aos seus fiéis. Tratando-se da Cátedra de Pedro, fazemos alusão ao ensinamento infalível do Papa, pastor universal da Igreja, de cujos lábios o rebanho de Cristo deve receber o alimento puro e santo da verdade divina.

Nesse sentido, o Concílio Vaticano I consagrou uma antiquíssima tradição eclesial ao declarar: “O Romano Pontífice, quando fala ex cathedra – isto é, quando no desempenho do múnus de pastor e doutor de todos os cristãos, define com sua suprema autoridade apostólica que determinada doutrina referente à fé ou à moral deve ser sustentada por toda a Igreja –, em virtude da assistência divina prometida a ele na pessoa do Bem-Aventurado Pedro, goza daquela infalibilidade com a qual o Divino Redentor quis que estivesse munida a sua Igreja quando deve definir alguma doutrina referente à fé e aos costumes; e que, portanto, tais declarações do Romano Pontífice são, por si mesmas, e não apenas em virtude do consenso da Igreja, irreformáveis”.

Contudo, a autoridade doutrinal do Vigário de Cristo não é independente, nem absoluta. O mesmo concílio explica com clareza sua subordinação à Divina Revelação: “O Espírito Santo não foi prometido aos Sucessores de Pedro para que, por revelação sua, manifestassem uma nova doutrina, mas para que, com sua assistência, conservassem santamente e expusessem fielmente a revelação transmitida pelos Apóstolos, ou seja, o depósito da Fé”.

Portanto, pelo múnus petrino o Papa possui um poder delegado por Cristo para certificar os católicos das verdades fundamentais, de sorte que conhecendo e amando Deus com segurança possam santificar-se e, na conclusão de seu percurso terreno, ter acesso às mansões eternas. Foi o próprio Jesus, na região de Cesareia de Filipe, quem quis estabelecer sua Igreja sobre a rocha da confissão de fé de São Pedro. Trata-se de um dom de inestimável valor, pelo qual somos gratos a Deus.

Entretanto, ao longo da História não faltaram acontecimentos infelizes que puseram em evidência a fragilidade de alguns Papas e o mau uso feito de seu magistério. Por temor à opinião dominante, em diversas circunstâncias a Fé foi posta em risco de forma vergonhosa. Basta lembrar – além dos casos de Vigílio e Libério – a defecção de Honório, condenado por heresia pelo III Concílio de Constantinopla, com a posterior confirmação do Papa São Leão II. Eis a solene sentença do Pontífice:

“Anatematizamos […] Honório, que não iluminou esta Igreja Apostólica [de Roma] com a doutrina da tradição apostólica, mas permitiu que a Igreja imaculada fosse manchada por ímpia traição”.

A este fato soma-se a longa lista de antipapas que semearam a confusão na Igreja por anos a fio, seja pela ilegitimidade de sua nomeação, seja pelas confusões doutrinárias e disciplinares que se propagaram sob seus auspícios.

Esses escândalos põem em xeque a garantia de veracidade da Cátedra de Pedro? Não, pois em nenhum deles – nem em outros semelhantes ocorridos ao longo dos séculos – os Pontífices fizeram uso da infalibilidade. Tais episódios evidenciam apenas a debilidade herdada do pecado original e, ao mesmo tempo, a força indestrutível da cátedra que nem seus ocupantes, por mais fracos ou perversos que possam ter sido, lograram destruir.

Em contraposição, nos céus da História fulguram abundantes exemplos de Papas santos e intrépidos, capazes de declarar a verdade de maneira definitiva e vinculante sem temor às consequências, por vezes dramáticas, para si mesmos. Alguns, inclusive, pagaram com a vida a fidelidade ao dom da fé, consolidando com seu sangue a cátedra que o Divino Mestre lhes confiara.

Assim, a Fé Católica pode ser posta à prova em certas circunstâncias pelo pandemônio causado por falsas doutrinas espalhadas por agentes do maligno na Igreja, mas encontrarão eles invariavelmente o entrave da infalível Cátedra de Pedro, que permanece impertérrita e imutável em sua fidelidade à verdade de Cristo. Será ela também critério certeiro para distinguir a voz dos pastores autênticos dos enredos perniciosos dos lobos disfarçados de ministros.

Portanto, mesmo em tempos de crise e de desorientação, fujamos de qualquer desalento, certos de que os homens passam, com suas falácias e enganos, mas a verdade permanece. Nosso Senhor Jesus Cristo, que fundou a Igreja sobre Pedro e a edificou como fortaleza inexpugnável, continua a vigiar e guiar sua Igreja. A vitória será dos que n’Ele confiarem!

Por Mons. João Scognamiglio Clá Dias, EP.

Texto extraído, com adaptações, da Revista Arautos do Evangelho n. 266, fevereiro 2024.

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