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A pregação de Jonas e a conversão de Nínive

Depois de ser lançado ao mar revolto, Jonas chega a Nínive e  converte toda a sua população.

Redação – (Sexta-feira, 08/07/2016 [atual. 10/08/2020], Gaudium Press) – Deus deseja ardentemente a conversão não só das pessoas, mas também dos povos. Uma das provas mais marcantes dessa verdade é a bela história do Profeta Jonas, o qual foi quase contemporâneo de Eliseu (século VIII a. C).

Jonas: Lançado ao mar revolto…

O Altíssimo ordenou a Jonas que fosse até a cidade de Nínive a fim de que, através de sua pregação, seus habitantes mudassem de vida e se voltassem para o verdadeiro Deus (conversão).

Nínive era uma grande cidade, capital do império dos assírios, situada aproximadamente no local onde hoje existe Mosul, no Iraque. Os assírios, bem como os babilônios, se caracterizaram por sua crueldade inaudita. Frequentemente moviam guerras contra outros povos e, sendo vencedores, “furavam os olhos dos prisioneiros, cortavam-lhes as orelhas, arrancavam o nariz, e os faziam entrar na cidade acorrentados, como se fossem animais, sob apupos do povo vencedor”.

E Nínive “tinha-se abandonado à prática das mais graves desordens e os seus pecados tinham provocado a cólera de Deus. Para que se convertesse, mandou Deus o Profeta Jonas pregar-lhe a penitência e ameaçar sua destruição, se não se emendasse”.

Desobedecendo à ordem do Altíssimo, Jonas tomou um navio que o levaria para Társis, na Espanha, num sentido oposto ao de Nínive. Mas Deus enviou um vento forte, provocando ondas violentas que pareciam arrebentar a embarcação. Os marinheiros puseram-se a rezar, cada um a seu deus, e jogaram no mar toda a carga.

Enquanto isso acontecia, Jonas se encontrava no porão do navio e “dormia a sono solto” (Jn 1, 5). O capitão acordou-o e, depois de censurá-lo, levou-o para o convés. Então, os marinheiros tiraram a sorte para saber quem era o culpado pelo que acontecia; e a sorte caiu sobre Jonas.

O próprio Jonas disse-lhes: “Atirai-me ao mar e ele ficará todo calmo ao vosso derredor, porque eu sei que foi por minha causa que vos veio tão forte temporal” (Jn 1, 12). E o lançaram ao mar, que imediatamente se acalmou.

…é engolido por um grande peixe

Deus, na sua misericórdia, fez com que um grande peixe engolisse Jonas sem feri-lo. Ele ficou no ventre do peixe durante três dias; e dirigiu ao Criador uma bela oração, na qual pedia auxílio divino e exprimia sua confiança na bondade do Senhor: “Voltarei a admirar a beleza de teu santo Templo” (Jn 2, 5).

Então o Altíssimo mandou que o peixe expelisse Jonas para a terra firme, exatamente próximo à Nínive, insistindo que ele deveria ir a essa cidade para lhe anunciar o que Deus ordenara.

Localizada às margens do Rio Tigre, Nínive estava protegida por extensa muralha, com 30 m de altura e 10 m de espessura, de modo que poderiam correr sobre ela três carros lado a lado; na muralha erguiam-se 1.500 torres, cada uma com 70 m de altura. Possuía 120.000 habitantes, que não sabiam “distinguir entre a direita e a esquerda” (Jn 4, 11). Segundo Fillion, esse número se refere às crianças; a população total de Nínive era de 600.000 pessoas.

Pregação de Jonas e conversão dos habitantes de Nínive

Jonas entrou na cidade e pregou. Conforme diz a Bíblia: “caminhou um dia inteiro dizendo assim: ‘Dentro de 40 dias Nínive será destruída!'” (Jn 3, 4). Os ninivitas passaram a crer em Deus e começaram a fazer penitência pelos seus pecados. Isso chegou ao conhecimento do rei, que tirou seu manto real, vestiu-se de pano grosseiro e sentou-se sobre cinzas.

Mostrando que sua conversão era sincera, publicou um decreto ordenando que as pessoas – inclusive o gado e as ovelhas – deviam se vestir de saco, nada podiam comer nem beber; todos precisavam clamar a Deus fortemente e abandonar “seus caminhos perversos”. E acrescentava que, assim, certamente o Altíssimo teria compaixão deles, abandonando sua ira e não os destruindo.

“Deus viu o que eles fizeram e como voltaram atrás de seus caminhos perversos. Compadecido, desistiu do mal que tinha ameaçado” (Jn 3, 10).

Ao invés de ficar alegre com essa prodigiosa conversão, Jonas irritou-se e pediu a Deus a morte. Saiu de Nínive e sentou-se num local para ver o que aconteceria à cidade. Tendo pena de Jonas, o Altíssimo mandou que crescesse uma mamoneira junto dele a fim de lhe proporcionar sombra.

Mas no dia seguinte o Criador fez com que um verme atacasse a mamoneira, a qual logo secou. Além disso, enviou um vento muito quente e o sol ardente fez com que Jonas se sentisse mal; ele, então, ficou raivoso e novamente pediu a morte.

O Senhor censurou bondosamente a Jonas, dizendo que este tivera pena da mamoneira a qual secou; com muito mais razão Deus teve compaixão de Nínive, a fim de levar seus habitantes a mudarem de vida e se voltarem para o Altíssimo.

Símbolo da Ressurreição de Nosso Senhor

O fato de ter permanecido vivo, durante três dias, no ventre de uma baleia simboliza a Ressurreição de Cristo, como Ele próprio o declarou. Respondendo a escribas e fariseus que Lhe pediam um sinal, afirmou o Divino Mestre:

“Uma geração perversa e adúltera busca um sinal, mas nenhum sinal lhe será dado, a não ser o sinal do Profeta Jonas. De fato, assim como Jonas esteve três dias e três noites no ventre da baleia, assim também o Filho do Homem estará três dias e três noites no seio da terra. No dia do Juízo, os habitantes de Nínive se levantarão juntamente com esta geração e a condenação, pois eles mostraram arrependimento com a pregação de Jonas, e aqui está Quem é mais do que Jonas” (Mt 12, 39-41).

Vencendo seus defeitos, Jonas se santificou e a Igreja comemora sua festa em 21 de setembro.

Por Paulo Francisco Martos
(in Noções de História Sagrada – 76)

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1 – Cf. SÃO JOÃO BOSCO. História Sagrada. 10 ed. São Paulo: Salesiana, 1949, p.135.
2 – CORRÊA DE OLIVEIRA, Plinio. Da brutal barbárie à doçura cristã. In Revista Dr. Plinio, São Paulo, n. 38, maio 2001, p. 18.
3 – SÃO JOÃO BOSCO. Op. cit., p. 135.

4 – Cf. WEISS, Johann Baptist. Historia Universal. Barcelona: La Educación. 1927, v. I, p. 370.
5 – Cf. FILLION, Louis-Claude. La Sainte Bible commentée – Jonás. Paris: Letouzey et aîné.1923, p.465.

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