Gaudium news > Dachau pode ser o maior cemitério de sacerdotes católicos do mundo

Dachau pode ser o maior cemitério de sacerdotes católicos do mundo

Paris – França (Quinta-feira, 05-02-2015, Gaudium Press) Os campos de concentração do regime nazista ficaram para a história como símbolo da barbárie e inquietante capacidade do homem para a maldade. Os relatos dos sobreviventes dão conta dos graves sofrimentos impostos aos reclusos em verdadeiros campos de morte e a eliminação sistemática de uma enorme quantidade de pessoas. Apesar de que a história deu a conhecer muitos dos horrores acontecidos, ainda restam aspectos pouco explorados da tragédia. Um deles é a grande participação da dor e sofrimento que teve que suportar a Igreja Católica, a qual ofereceu também um grande número de vítimas.

Dachau pode ser o maior cemitério de sacerdotes católicos do mundo.jpg

Capa de “La Barraca de los Sacerdotes”.
Foto: Guillaume Zeller.

O livro “La Baraque des Pretres” (A Barraca dos Sacerdotes) do escritor francês Guillaume Zeller dá conta de um dos principais centros de condenação de católicos durante o regime nazista: o campo de concentração de Dachau. Não foi o único (São Maximiliano Kolbe morreu mártir em Auschwitz), mas as cifras coletadas por Zeller neste campo específico permitem vislumbrar um panorama estarrecedor: entre os anos 1938 a 1945 pelo menos 2579 sacerdotes, seminaristas e religiosos católicos da Europa tinham sido enviados para este lugar. Deles, 1034 não sobreviveram às terríveis condições do mesmo.

Testemunho cristão em meio do horror

“O campo de Dachau continua sendo o maior cemitério de sacerdotes católicos no mundo”, afirmou Zeller em uma entrevista concedida ao informativo Le Figaro. As condições destes sacerdotes são distintas às de outras vítimas, já que a estratégia dos sequestradores de empregar presos contra seus companheiros de cativeiro -alguns chegaram a ser mais cruéis que os membros das SS- não funcionava entre homens consagrados a Deus. Em seu lugar muitos dos sacerdotes e religiosos morrem servindo a enfermos e moribundos em meio de epidemias e fome. Comovedores e peculiares casos como o de um seminarista alemão, já moribundo, que foi ordenado sacerdote por um Bispo francês, Dom Gabriel Piguet, de maneira clandestina no próprio campo de concentração ilustram como o bem floresceu também em meio do horror que parecia triunfar. 56 sacerdotes dos numerosos falecidos neste campo de concentração são hoje Beatos da Igreja.

Os sacerdotes foram presos segundo o autor por uma grande variedade de motivos. Alguns foram levados ao campo de concentração como castigo à Igreja por sua condenação na Alemanha ao programa de eutanásia implementado pelo regime, que levou à morte deficientes, enfermos incuráveis e outros julgados como “improdutivos”. Também numerosos sacerdotes poloneses foram deportados ao campo de concentração (ofereceram 868 das vítimas fatais) por considerá-los uma elite eslava e muitos dos sacerdotes franceses foram acusados de pertencer ao movimento de resistência à dominação nazista.

O fato de que foram reunidos em Dachau obedece aos esforços da Santa Sé para tentar bloquear a extradição de seus membros, explicou Zeller, o qual finalmente só conseguiu que chegassem a um mesmo lugar onde padeceram as mesmas condições de cativeiro que o resto dos prisioneiros. Os sacerdotes mantiveram em sua reclusão sua vida de oração e sacramentos, desenvolveram atividades pastorais e formativas clandestinas e preservaram sua dignidade cristã revivendo no coração do século XX os relatos de fidelidade em meio da perseguição dos primeiros séculos de cristianismo. (GPE/EPC)

Deixe seu comentário

Notícias Relacionadas