Bispo espanhol faz apelo ao idealismo em um mundo egoísta e materialista
San Sebastián – Espanha (Terça-feira, 05-08-2014, Gaudium Press) No último dia 31 de julho Dom José Ignacio Munilla celebrou a eucaristia na Basílica de Loyola, em honra ao santo comemorado nesse dia, o fundador da Companhia de Jesus, Santo Inácio de Loyola. Dom Munilla é Bispo de San Sebastián (Espanha) e o padroeiro de sua sede também é Santo Inácio.
No momento de falar desse grande modelo que foi Santo Inácio, o Bispo de San Sebastián recordou que o santo “foi um homem seduzido pelas narrações da vida dos santos, as que pode ter acesso durante sua convalescência na Casa Torre de Loyola”. Essas leituras “despertaram no coração de Ignácio um vivo desejo de conversão e de imitação: ‘Se São Francisco o fez, eu tenho que fazer. Se Santo Domingo fez eu tenho que fazer’… Agora bem, ninguém se converte a um livro, mas ao que um livro desvela. E que é o que lhe desvelaram aqueles livros piedosos? Lhe descobriram que só vale a pena entregar a vida plenamente ao Rei Eterno, quer dizer, a Deus; dar a vida pela Verdade com maiúscula, apaixonados por sua Bondade, e atraídos por sua Beleza infinita”.
Este entusiasmo pelas vidas dos santos, já evidenciava a grandeza da alma do Santo de Loyola. “Com efeito, no geral, se percebe aquilo que se está preparado para perceber, aquilo que se deseja”. Era realmente Santo Inácio “um herdeiro do idealismo cristão”; “Ignácio acreditava na existência dos grandes ideais”.
Dom Munilla supõem que o “Ignácio jovem não estaria isento das paixões que nos tiram do egoísmo. (…) Mas é óbvio que o de Loyola era herdeiro de uma concepção da vida de profunda raiz cristã… A conversão de Santo Inácio não consistiu em passar da indiferença, do cinismo ou do “pasotismo”, a começar a crer na existência dos grandes ideais. É um fato que Ignácio já era um idealista antes de sua conversão em Loyola. Em seu caso, a conversão consistiu em fixar o verdadeiro norte, ao qual dirigir sua paixão pela vida, assim como ao ordenamento de sua vida conforme estes ideais”.
Tendo o anterior em perspectiva, Dom Munilla afirmou que a Igreja deve, sim, proclamar o kerigma, “mas além disto, é necessário também fazer um juízo crítico das bases sobre as quais se sustenta nossa cultura materialista e capitalista. A cosmovisão de nossa cultura secularizada dando as costas a qualquer idealismo”.
“Acaso tenham hoje maior atualidade que nunca as palavras que, tomadas do Evangelho, Ignácio de Loyola dirigiu a um Francisco Xavier que vivia sua liberdade sem norte: ‘De que te serve ganhar o mundo inteiro se perdes a tua vida?’. Que traduzido para nossa linguagem seria: De que te serve uma liberdade que te conduz ao abismo?”, se perguntou o Bispo de San Sebastián.
Dom Munilla concluiu recordando as palavras do salmo 119 que reza “Lâmpada é a tua palavra para meus passos, luz em meu caminho; o juro e o cumprirei: guardarei teus justos mandamentos”. “Oxalá nossos passos possam iluminar também aos que venham atrás de nós! E é que nossa liberdade não é nem absoluta, nem plenamente autônoma. É a liberdade própria dos que foram criados por Deus para dar-lhe glória, e fazemos parte de uma história de salvação: É a liberdade dos filhos de Deus”. (GPE/EPC)





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