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Somos batizados, “devemos viver como ressuscitados", afirma bispo de Campo Mourão

Campo Mourão – Paraná (Quinta-Feira, 03/04/2014, Gaudium Press) Artigo de Dom Francisco Javier Delvalle Paredes, bispo da diocese de Campo Mourão, no Estado do Paraná, em que ele afirma que foi para a liberdade que Cristo nos libertou (Gl 5,1). Em sua reflexão, o prelado afirma que vivenciando a mística quaresmal somos convidados à frutuosa preparação à experiência com o Cristo morto e ressuscitado para a salvação do gênero humano.

O bispo recorda que dentro em breve celebraremos a Semana Santa, cujo ápice se encontra no Tríduo Sacro da Paixão, Morte e Ressurreição do Senhor. Segundo ele, apoiados na espiritualidade proposta pelo Concílio Vaticano II, aprendemos que durante a Quaresma os fiéis devem se dedicar a ouvir com maior afinco a palavra de Deus e à oração, preparando a celebração do mistério pascal na liturgia e na catequese litúrgica (cf. Sacrossanctum Concilium, 109).

“Se a Quaresma é compreendida como tempo de preparação, requer dos corações cristãos sensibilidade e abertura necessárias, a fim de que cumpra seu objetivo. Anualmente, por ocasião do ingresso no período quaresmal o Papa envia uma mensagem aos católicos espalhados pelo mundo, orientando-os acerca de aspectos basilares constitutivos do autêntico ser cristão à luz da vida nova inaugurada por Cristo”, avalia o bispo.

Ainda de acordo com Dom Francisco, neste ano o Papa Francisco, em sua mensagem quaresmal, toma como baliza interpretativa a seguinte expressão de São Paulo: “Fez-se pobre, para nos enriquecer com a sua pobreza” (2Cor 8,9). Para o prelado, a expressão carregada de significado, tanto espiritual quanto teológico, é ocasião para o Santo Padre despertar nossa atenção às dimensões práticas da existência.

Para tanto, recorda-nos que “a finalidade de Jesus se fazer pobre não foi a pobreza em si mesma, mas – como diz São Paulo – ‘para vos enriquecer com a sua pobreza’. Não se trata de um jogo de palavras, de uma frase sensacional. Pelo contrário, é uma síntese da lógica de Deus: a lógica do amor, a lógica da Encarnação e da Cruz”.

O bispo de Campo Mourão salienta também que, guiado por tal inspiração, o Papa Francisco faz ver além, colocando-nos diante da miséria, caracterizada pela pobreza sem confiança. Conforme ele, miséria que se constituiu pela pobreza imersa no desespero de quem não vê saída para as várias dificuldades da vida; miséria entendida como incapacidade de se reerguer de uma situação de morte e exclusão.

“Esta miséria, por sua vez, deve ser encarada pelos cristãos numa forma tripartida. Sendo assim, o Papa fala em miséria material, moral e espiritual. Miséria material equivalente às condições de vida inumanas impostas a imensos contingentes de homens e mulheres. Miséria moral, isto é, tornar-se escravo do vício e do pecado. Enfim, miséria espiritual enquanto afastamento de Deus e recusa do seu amor”, completa.

“Tais níveis da miséria são simplesmente isolados”?, questiona o bispo, que logo em seguida nos aponta a resposta: “Não”. Para ele, convivem conflitivamente no interior de conjunturas sociais e mais ainda, no íntimo da pessoa que gradualmente se desumaniza em consequência de inúmeros fatores internos e externos.

Dom Francisco acredita que vai de encontro com a reflexão do Papa o propósito da Campanha da Fraternidade em curso, cujo tema é Fraternidade e tráfico humano, e o lema: É para a liberdade que Cristo nos libertou (Gl 5,1). Segundo o prelado, esse mal social tem por pano de fundo a miséria humana na sua vertente mais radical e selvagem. Com efeito, o imperativo máximo desta modalidade de tráfico é a instrumentalização da pessoa criada à imagem e semelhança de Deus.

“Esta prática cruel desconsidera todo tipo de direito ou liberdade pessoal, além de absolutizar a tirania do homem sobre o próprio homem. Esse não é o projeto de Deus para humanidade. A liberdade concedida por Cristo em sua morte e ressurreição toca as fibras mais íntimas das relações humanas. Não se trata apenas da libertação do pecado enquanto realidade abstrata que não se pode tocar. Trata-se sim da libertação do mal encarnado em ações e situações que desfiguram a face de irmãos e irmãs.”

Por fim, o bispo enfatiza que o tráfico humano ocorre muito perto de nós, configurando-se na pluralidade da opressão e da violência identificáveis tão constantemente entre as comunidades. Ele lembra que estamos caminhando para a Páscoa, a festa da vida e da libertação, e se ressuscitamos com Cristo pelo batismo, e é essa a nossa fé, devemos viver pois como ressuscitados!

Recordando as palavras do Papa Emérito Bento XVI, a ressurreição de Jesus Cristo “é um salto de qualidade na história da ‘evolução’ e da vida em geral para uma nova vida futura, para um mundo novo que, a começar de Cristo, incessantemente penetra já neste mundo, transforma-o e atrai-o a si” (Homilia na Vigília Pascal, Basílica Vaticana, 15 de abril de 2006).

O prelado ressalta que a qualidade de vida que emana da ressurreição do Senhor é antídoto contra as diferentes misérias presentes no ser e no existir do gênero humano. “Aproveitemos a bendita hora da Páscoa, as celebrações litúrgicas, a Campanha da Fraternidade e a mística deste tempo sacrossanto para crescer em humanidade e nos apoderar do incalculável tesouro legado por Deus em seu Filho morto e ressuscitado: vida plena e abundante para todos”, conclui. (FB)

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