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"Uma das formas mais comuns de tráfico é o aliciamento de jovens": bispo de Santa Cruz do Sul

Santa Cruz do Sul – Rio Grande do Sul (Quarta-Feira, 02/04/2014, Gaudium Press) Dom Canísio Klaus, bispo da diocese de Santa Cruz do Sul, no Rio Grande do Sul, escreveu um artigo sobre “Tráfico de Crianças e Adolescentes”. No texto, o prelado afirma que uma das quatro modalidades de tráfico humano apontadas pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) no Texto Base da Campanha da Fraternidade é o tráfico de crianças e adolescentes, visando a adoção de crianças, a prostituição, o trabalho escravo, os experimentos científicos, a extração de órgãos, entre outros.

De acordo com o bispo, continuam bastante comuns as notícias sobre raptos de crianças e adolescentes no interior e nas periferias pobres das cidades. Ele recorda que em anos passados também eram comuns os raptos nas maternidades dos hospitais, quase sempre com o objetivo da adoção. Conforme dados de entidades não governamentais que pesquisam a questão, “as redes internacionais de tráfico movimentam crianças no mundo todo”.

Dom Canísio ainda destaca que existem dados que nos levam a afirmar que, “somente na década de 80, quase 20 mil crianças brasileiras foram enviadas ao exterior para adoção, sendo que a situação de muitas permanece uma incógnita” (CNBB, n. 18). Em muitos destes casos aconteceu o “envolvimento de mães empobrecidas, a quem se paga para que cedam seus filhos a um mercado de adoções ilegais”.

Segundo o prelado, na atualidade, uma das formas mais comuns de tráfico é o aliciamento de adolescentes para trabalharem na Europa ou em grandes centros urbanos como modelos, jogadores de futebol, babás, enfermeiras, garçonetes, dançarinas, e outros. Ele acredita que alguns deles, certamente, se dão bem, mas muitos se tornam vítimas da exploração sexual ou de trabalho em regime de semi-escravidão.

“Os meios utilizados para angariar candidatos, quase sempre são a internet e os descobridores de talentos, que percorrem as pequenas cidades para venderem ilusões e conquistar as potenciais vítimas. As famílias, que normalmente vivem em situações econômicas precárias, são envolvidas pela promessa de que os ganhos pelos trabalhos que os filhos ou as filhas farão poderão melhorar a situação de toda a família. O final da história é bem diferente do que foi prometido.”

Por fim, o bispo espera que as reflexões da Campanha da Fraternidade que estamos fazendo em nossos grupos de família, nas comunidades e em vários outros ambientes, nos ajudem a erradicar a praga do tráfico de pessoas. Ele ainda salienta que, para isso, ganhamos um importante reforço no dia 17 de março, quando as lideranças de três grandes religiões da atualidade (Catolicismo, Islamismo e Anglicanismo) assinaram, no Vaticano, um acordo de mútua cooperação para que até o ano de 2020 o tráfico de seres humanos seja erradicado em todo o mundo.

“Dizem as lideranças que ‘o mal é obra do homem e pode ser combatido por uma vontade inspirada na fé e no empenho humano’. Façamos a nossa parte para evitar que crianças e adolescentes de nossas comunidades se tornem vítimas dos traficantes. Vamos alertar as pessoas que vivem em situação de vulnerabilidade e denunciar a presença de traficantes nas comunidades e nas redes sociais”, conclui dom Canísio. (FB)

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