O medo de prestar contas com Aquele que te criou…
Maringá – Paraná (Terça-Feira, 01/04/2014, Gaudium Press) “Medo de prestar contas.” Este é o título do mais recente artigo de Dom Anuar Battisti, arcebispo da Arquidiocese de Maringá, no Estado do Paraná, em que ele recorda que esta semana, em visita aos enfermos de uma paróquia da cidade, ouviu a seguinte expressão: “Não tenho medo de morrer, mas de prestar contas”.
Segundo o prelado, ele já ouviu e muitas vezes, e de vários modos, a expressão: “Tenho medo da morte”; mas pela primeira vez ouvir alguém dizer: “Tenho medo de prestar contas”. Para ele, essa será a porta de passagem pela qual todos nós seremos convidados a entrar: a porta estreita e diante do Pai Deus, ver e julgar em segundos, como se fosse um filme, toda a nossa existência terrena, e no final ouvir das duas uma palavra: “vinde, bendito” ou “ide, maldito”.
Ainda de acordo com dom Anuar, o julgamento, sem dúvida, será de um Pai que não quer a condenação e sim a salvação de todos; porém não deixa de ser um julgamento. Ele afirma que o Senhor não vai julgar pelas vezes que participamos da missa ou do culto; pelas vezes que pegamos a Bíblia para meditar ou preparar a pregação aos fiéis; pelas vezes que dobramos os joelhos para rezar no templo ou no quarto.
“O Senhor não quer saber se fizemos peregrinação para a Terra Santa, pelos santuários. Nunca vai perguntar sobre nossos ritos e rituais, nossas fórmulas de louvores. Não seremos sabatinados sobre as contas bancárias e muito menos sobre os bens materiais. O julgamento será sobre uma única pergunta: Tudo o que fizemos e possuímos serviu para amar a Deus sobre tudo e o próximo como a nós mesmos?”, avalia o prelado.
Outra questão abordada pelo arcebispo é que todas as nossas práticas religiosas, se não levarem para um amor maior entre nós, não servem para nada. Pelo contrário, acrescenta dom Anuar, dizendo que serão motivos do fogo eterno. Conforme ele, o amor verdadeiro se revela na prática da regra de ouro: “fazer aos outros o que gostaria que fizesse a nós”, e, portanto, o único critério a nos julgar será a nossa capacidade de atender às necessidades básicas dos mais necessitados.
“Estive com fome me destes de comer, estive com sede me destes de beber, estava nu e me vestistes, estava doente e preso e viestes me visitar. Porque todo o bem ou o mal feito ao próximo, é ao Senhor que fazemos, e ficará para a recompensa na eternidade, ou para a condenação eterna. Não precisamos ter medo da morte. Por isso ainda é tempo de fazer deste tempo um recomeço.”
Por fim, o arcebispo de Maringá destaca que no tempo presente está a oportunidade de refazer nossas escolhas e ser coerentes nas suas consequências. Ele acredita que o mundo precisa de cristãos autênticos, coerentes com o que professa com a boca, crê com o coração e efetiva nas ações. Segundo o prelado, de palavras e palavras, promessas e promessas o inferno já está cheio, e a tristeza de Deus está no coração humano petrificado pela prática hipócrita, onde as aparências são mais importantes.
“Estamos assustados pela epidemia de dengue, e com razão precisamos criar juízo sobre essa urgência, mas a pior epidemia, que está matando multidões é a falta de amor autêntico e verdadeiro. O coração ganancioso e prepotente nunca será capaz de ver o outro como alguém a ser amado. Não precisa ter medo da morte; comece a preocupar-se com a prestação de contas no encontro com Aquele que te criou por amor e para amar”, conclui.(FB)





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