“Chegou o momento de estudar, refletir e olhar para a realidade de tantas injustiças criadas na comunidade universal”, afirma o bispo da diocese de Caçador
Caçador – Santa Catarina (Sexta-Feira, 28/03/2014, Gaudium Press) Dom Frei Severino Clasen, bispo da diocese de Caçador, no Estado de Santa Catarina, escreveu um artigo em que ele afirma que todo ser vivente é uma criatura em movimento. No início da reflexão, o prelado ressalta que dentro da criação, nós, humanos, destacamo-nos pela consciência, pelo saber e pela razão da existência, e como seres em contínuo ir e vir, crescemos na busca da verdadeira felicidade, caminho para a perfeição.
De acordo com o bispo, como cristãos, temos os ciclos litúrgicos onde nos expressamos com sentido próprio na busca da santidade e verdadeira felicidade. Ele destaca que o tempo da Quaresma, em que estamos vivendo, é uma oportunidade para rever atitudes, avanços e fraquezas na relação para conosco mesmos, com o semelhante, com a natureza e com Deus.
Ainda segundo dom Severino, chegou o momento de estudar, refletir e olhar para a realidade de tantas injustiças criadas na comunidade universal. Ele explica que, esse ano, caminhamos em direção de tantos irmãos que são explorados na sua dignidade humana, por isso, o convite é simples e direto, “Fraternidade e Tráfico Humano”, pois, “É para a liberdade que Cristo nos libertou” (Gl 5,1).
Para o prelado, com essa temática sobre o Tráfico Humano e com um lema que nos convoca para a busca da verdadeira liberdade, cresceremos na nossa convivência familiar e resgataremos o sentido da família, o sentido autêntico da religião, e somos desafiados a melhorar nossa relação, nosso respeito e cuidado com as pessoas fragilizadas e despojadas da sua dignidade. Ele acredita que abrindo nossos olhos, descobriremos como nossos antepassados, europeus, africanos, asiáticos, indígenas e outros, impulsionados pelo desejo de progresso, chegaram pobres aqui e enfrentaram discriminações.
“Da mesma forma, hoje temos tantos outros que chegam e somos convocados a acolhê-los. Que em cada paróquia se faça um exercício e descubra quem são os despojados na sociedade, na Igreja e na família. Quem são os que são explorados sexualmente e que pena curativa se aplica aos que exploram e machucam a vida humana. Já temos um grande número de haitianos em nossa Diocese. Como estamos acolhendo esses que vieram com esperança e sede de crescimento na vida?”, questiona o bispo.
Por fim, dom Severino enfatiza que não temos outras indicações mais evidentes e sagradas, a não ser refletir sobre a Campanha da Fraternidade e abrir nossos olhos para não escondermos os sofredores debaixo do tapete com celebrações emocionantes e individualistas, práticas que também escondem a vida de tantos despojados no seu direito de ser feliz.
Ele também salienta que a quaresma nos proporciona um tempo para refletir, meditar e rever nossas atitudes cristãs. Conforme o bispo, semanalmente, o Papa Francisco nos cutuca para sermos mais ativos, reais, autênticos no cuidado, no acolhimento, no sentido mais profundo de uma Igreja que busca a liberdade e a alegria de ser cristão.
“Desejo a todos os leitores um olhar mais sereno para proteger a vida com simplicidade e naturalidade. Eis a via que nos conduz para uma conversão real e que proporcione uma Quaresma penitencial, de conversão e que busque Cristo ressuscitado, esperança da nossa ressurreição. Que Maria, a mãe da ternura e do acolhimento, mostre-nos a singeleza de vivermos os ensinamentos de seu Filho crucificado e ressuscitado”, conclui. (FB)





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