Austrália propõem que se volte a praticar a abstinência durante as sextas-feiras
Perth – Austrália (Sexta-feira, 21-03-2014, Gaudium Press) Durante o tempo litúrgico da Quaresma, os católicos de todo o mundo praticam de forma especial o jejum e a abstinência como uma forma de penitência que lhes ajuda a fortalecer a sua união pessoal com Deus. Entretanto, a penitência não é uma prática exclusivamente quaresmal e se estende, como tem sido uma constante tradição ao longo dos séculos, a todas as sextas-feiras do ano em celebração da Paixão e Morte de Jesus Cristo. Para recuperar este significado especial às sexta-feira e como uma manifestação de Fé que pode contribuir para a Nova Evangelização, vários Bispos da Austrália propuseram o retorno à prática da abstinência de carne em todas as sextas-feiras do ano.
Não é que esta prática tinha sido abolida na Austrália, mas que, como em muitos outros países, a Conferência dos Bispos aplicou o poder que lhe é conferido pelo Código de Direito Canônico para definir a forma como esta é regulada. Por esta razão, durante as sextas-feiras do tempo da Quaresma, a abstinência pode atualmente se trocada por outro sacrifício ou oração, à escolha dos fiéis.
Razões para um possível retorno de abstinência
O Bispo Auxiliar de Melbourne, Dom Peter Elliot, comentou ao Catholic News Service sua impressão pessoal sobre esta decisão, que afirmou que, embora compreenda sua intenção, “falhou ao desconsiderar a psicologia humana”. Na sua opinião, passar de uma norma estabelecida para a liberdade que cada fiel tem de estabelecer o tipo de sacrifício levou a muitos, ao longo do tempo, esquecer completamente o preceito. Neste sentido, a cessação da prática resultou em “um grande erro pastoral e espiritual”.
“Na Igreja ampla e inclusiva proclamada pelo Papa Francisco precisamos oferecer maneiras para que os católicos casuais realizem simples atos de posse”, explicou Dom Elliot. “Não comer carne na sexta-feira era simplesmente isso”. Uma opinião semelhante foi argumentada a CNS por Dom Geoffrey Jarrett, Bispo de Lismore: “Foi difícil para os padres pregar-la (a abstinência), quando não há uma disciplina uniforme ligada a ela”. Para o prelado abstinência de carne às sextas-feiras é “uma prática católica antiga e universal profundamente enraizada em nossa identidade com Cristo e a Igreja”.
O Arcebispo de Hobart, Dom Julian Porteus, também expressou seu desejo pelo retorno da regra, já que ao retirar a abstinência obrigatória a Igreja “perdeu uma marca distintiva da nossa identidade como católicos”. Esta simples prática tinha a dupla dimensão de sacrifício individual e de testemunho coletivo de Fé. “No passado, era uma dessas práticas que todos conheciam: os católicos não comem carne na sexta-feira”, recordou. É claro que a norma não poderia voltar sem um forte apoio pastoral. Para Dom Porteus, se requer “uma catequese séria” para que os fiéis compreendam e apliquem corretamente o preceito. (GPE/EPC)





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