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3 passos para ficar mais inteligente

Isso é possível! Saiba como fazê-lo para você, seus filhos e seus alunos.

                                                           

Redação (18/12/2020 18:16, Gaudium Press) Antes de tudo, é preciso esclarecer um ponto: como católicos, nós sabemos que o homem é um composto de alma e corpo. A inteligência é uma potência da alma. Ora, a alma é espiritual, e algo espiritual não é passível de ser medido. Portanto, não podemos falar em um crescimento da inteligência enquanto tal.

Entretanto, essa potência da alma chamada inteligência utiliza-se de um instrumento material: o nosso cérebro. Ora, esse instrumento sim pode ser trabalhado para estar em melhores condições e, consequentemente, funcionar melhor!

Vamos, agora, explicar como.

Como funciona o meu cérebro?

Do ponto de vista biológico, é um emaranhado extremamente complexo de redes neurais dotadas de uma característica importantíssima: são reconfiguráveis! Ou seja, elas podem ser desfeitas ou reforçadas.

Passo agora a uma explicação um pouco teórica, mas necessária e – para quem gosta de neurologia – muitíssimo interessante!

Cada um de nossos neurônios possui “ramificações” parecidas com raízes, denominadas dendritos. São elas que recebem as informações dos outros neurônios. Se estas informações preencherem determinadas condições, o neurônio dispara um pulso elétrico por um caminho – como quê um fio – chamado axônio. Quando este pulso elétrico chega à extremidade do axônio, distribui-se por mais ramificações que estão conectadas a outros neurônios. Estas ramificações chamam-se sinapses.

Por sua vez, esse neurônio que recebeu o pulso elétrico das sinapses só vai disparar o seu pulso elétrico se a soma de todas as excitações que ele recebeu dos outros neurônios atingir ou superar certa intensidade-limite. Se não atingir esse limite, ele permanece quieto.

Ou seja, se conseguimos aprimorar a “força” de algumas sinapses, poderemos mudar consideravelmente o padrão de resposta da rede neural.

É isso que torna o nosso cérebro um órgão capaz de “aperfeiçoamento”: no fundo, ele muda sua própria configuração física! No processo da verdadeira aprendizagem há um crescimento de dendritos neurais, ou seja, a própria fiação fica mais rica e complexa. E, quanto mais complexa, maior será a capacidade operacional da massa encefálica.

Então, como fazer para reconfigurar o cérebro? É mais simples do que parece.

3 passos para aprimorar meu cérebro

Essa reconfiguração obedece a um ciclo de 24h, e se repete todos os dias.

Durante essas 24h, três coisas precisam acontecer, e em uma ordem certa:

  1. Entender;
  2. Apreender;
  3. Fixar;

Cada uma destas é executada em um momento diferente. Veremos agora qual é:

1.     Entender

É o que acontece – ou ao menos deveria acontecer – durante a aula. Este é o momento em que se conecta o novo com o previamente apreendido. É como se o aluno tivesse um quebra-cabeças (os conhecimentos adquiridos das matérias já estudadas), no qual falta uma peça, e esta peça é a aula a que ele está assistindo.

Neste momento, ele precisa ser estimulado, questionado, incentivado a relacionar o novo com o previamente apreendido. O interesse é fundamental!

2.   Apreender

Após a aula, dá-se um segundo momento: é o do estudo, ou, em termos menos simpáticos para alunos de colégio, o dever de casa…

Aqui, a aprendizagem passa do nível passivo para o ativo. Quando se estuda no mesmo dia em que foi dada ou lida a matéria, se preparam os caminhos para transformar a informação recebida em sala de aula em conhecimento.

Inclusive um certo cansaço, gerado pela intensa utilização de algumas redes neurais durante o estudo, acaba provocando um crescimento dos dendritos, enriquecendo a possibilidade de novas ligações entre os neurônios.

Faço notar que esse conhecimento a que me refiro não se limita a um acúmulo de memória ou de dados. Trata-se, isto sim, de um incremento no nível de processamento do cérebro, ou seja, uma melhora do elemento material de que se utiliza nossa inteligência.

3.   Fixar

Esta talvez seja a parte mais agradável: dormir!

À noite, o sono é marcado por períodos REM (Rapid Eyes Movement, Movimento Rápido dos Olhos), quando se dá a reestruturação de nossas redes sinápticas, e a fase da fixação. É também nesses momentos que ocorrem os sonhos.

Evidentemente, há um limite para essa reconfiguração, imposto por sistemas de proteção do próprio organismo para impedir mudanças drásticas demais…

Portanto, o método ideal para melhorar a capacidade do cérebro precisa desses três passos diários, como numa valsa: 1-2-3, 1-2-3, 1-2-3… e assim por diante.

O sistema educacional a que estamos acostumados estimula os alunos a estudar apenas para a prova, em um ritmo que poderia ser simbolizado assim: 1-3, 1-3, 1-3, e, no dia anterior à avaliação, 222222222222222222222222222!

Isto faz com que se mantenha uma série de informações de maneira instável na memória, pelo tempo suficiente para fazer o exame. Em seguida, tudo desaparece! No fundo, você perdeu seu tempo…

Consequentemente, o ideal é estudar pouco, mas todos os dias.

Se, ao cabo de um dia, você tiver aprendido palavras novas, lido algum trecho de um livro interessante, descoberto uma maneira de solucionar um problema que até então não havia conseguido resolver, meus parabéns: nesta noite, suas redes sinápticas serão reconfiguradas e, amanhã, você acordará com um cérebro mais aprimorado![1]

Por Oto Pereira


[1] Se quiser saber mais sobre isso, leia a interessantíssima coleção do Prof. Pierluigi Piazzi: Neuroaprendizagem. 2. ed. São Paulo: Aleph, 2014.

Fazemos apenas a ressalva de que o “Prof. Pier”, como costuma ser chamado, não considera em sua obra o aspecto hilemórfico do ser humano, ou seja, a relação alma-corpo, e tende a levar leitores menos preparados a uma visão materialista, ou fisicalista, na expressão de alguns autores. Esta visualização reduz as atividades cognitivas a produtos de reações físico-químicas localizadas no cérebro, prescindindo do conceito de alma. Ora, de acordo com os princípios da filosofia perene, o cérebro pode ser considerado apenas como um instrumento da inteligência (potência da alma). (Cf. TOMÁS DE AQUINO. Suma teológica. São Paulo: Loyola, 2001-2006. v. 2. (I, q. 79, 84-89)).

Entretanto, enquanto tal, ele pode estar em melhores ou piores condições. Tendo isso em mente, os conselhos do Prof. Pier possuem implicações práticas muito úteis para aprimorar esse instrumento.

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