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2023: o que vem pela frente?

“Ano novo, vida nova”. Mas, em que condições? Quais os prognósticos para 2023?

feliz 2023

Redação (31/12/2022 12:26, Gaudium Press) Por fim, chegamos ao cabo de 2022. De modo curioso, e sem deixar de ser inquietante, este ano se encerra de maneira análoga ao seu começo: em meio às interrogações.

Na esperança de deitar luz sobre algumas dessas interrogações, analisemos o presente para, assim, tentarmos descortinar o futuro.

Em primeiro lugar, na esfera espiritual: como está a Santa Igreja, em sua parte visível, neste fim de ano?

A recente publicação feita pelo articulista Specola desvenda um pouco a situação, dando-nos um aperçu: “em um processo acelerado e irreversível (salvo uma intervenção divina, é claro) de secularização e apostasia”.[1] Provam-no os crescentes escândalos morais e financeiros, as ameaças de cisma, o descrédito dos pastores e a perseguição declarada de que vem se tornando alvo. Se a situação continuar assim, o que nos espera pela frente?

Se não bastasse tudo isso, Specola ainda prossegue: “os fiéis serão intimidados e atemorizados para que não mais acorram aos ofícios religiosos nas igrejas, nem visitem os presépios, nem rezem. As igrejas se converterão em ginásios, declarando que as igrejas não são museus e devem estar “vivas”; não porque Cristo viva no tabernáculo, mas porque se jogará voleibol, ou basquetebol, ou se darão aulas de baile ou ainda se abrirá um fast food”.[2]

Seria esta uma visão pessimista da situação? Ou seja, de que as verdades de fé serão finalmente desacreditadas e a necessária revisão evolucionista do pensamento, da cultura, da moral e da fé tomará seu curso?

Previsões penosas e incômodas, mas que não deixam de ser reais.

Não obstante, há algo ainda mais importante para se comentar em relação à Santa Igreja, e que já é evidente para todos: não é apenas o ano que chega ao seu fim, mas também a peregrinação de Bento XVI neste vale de lágrimas.

Acaso esta morte não é também sintomática e simbólica? Se é verdade que, com o falecimento da Rainha Elizabeth uma era histórica se encerrou dentro da esfera civil – como apontaram abalizados observadores de História – o mesmo não pode ser dito – e com mais propriedade ainda – em relação a Bento XVI?

Passando ao campo civil, os prognósticos também desalentam: a tensão mundial não tem senão aumentado, seja pelo interminável conflito russo-ucraniano, que mantém todos em estado de alerta; seja pela recente confusão iraniana; ou ainda pelas intrigantes manobras chinesas nos arredores de Taiwan. Algo parece sugerir que a paz mundial está deixando de ser a utopia tantas vezes ventilada pela mídia.

Assim analisada, a virada deste ano se presta muito facilmente à analogia com um fenômeno da natureza: a formação de uma tempestade.

Apesar de, às vezes, se estar numa bela tarde, começam a soprar as rajadas de um forte vento. As nuvens iniciam sua apressada trajetória rumo a um ponto indefinido e, em meio a essa corrida acelerada, vão se somando e tomando maior densidade, impossibilitando a visão do sol. Por fim, o céu encontra-se todo plúmbeo e o cadre da tempestade está montado. Os últimos pássaros cantam, as últimas folhas se agitam nas árvores; está tudo feito, só resta esperar pelas primeiras gotas. Por mais que tardem a cair, não há dúvida de que choverá, e a espera não faz senão aumentar a expectativa.

Não é essa a conjuntura atual dos fatos? Há muito que esses fortes ventos começaram a soprar; as nuvens já se acumularam; o sol já está encoberto. Não é verdade que sentimos – e aqui, friso o verbo sentir – estar tudo preso por um frágil fio? Fio este que mantém, contudo, uma situação já insustentável?

Portanto, cairá a tempestade em 2023?! E se cair, onde nos refugiar?

Façamos como Noé, ou seja, entremos na arca. Mas, em nossos dias, caro leitor, não necessitamos construí-la com nossas próprias mãos; Cristo deixou-a sob os véus dos Sacramentos, onde podemos nos refugiar. Ademais, sempre encontraremos o necessário amparo nos braços daquela que é a Arca da Aliança, Maria Santíssima.

Logo, não cedamos ao desânimo. A convulsão do mundo não deve ser motivo de tristeza para o verdadeiro católico. Pelo contrário, ela apenas realça as palavras de Nosso Senhor: “Coragem! Eu venci o mundo”. (Jo 16,33)

Por piores que sejam as tempestades, essa barca de Cristo continuará sempre a singrar os mares da História rumo à Terra Prometida.

Voltemo-nos, pois, à Santíssima Virgem, suplicando que o quanto antes o Reinado de Cristo e de Maria se estabeleça entre os homens. Oxalá possamos dizer, ainda no ano de 2023, que, por fim, o Imaculado Coração de Maria triunfou!

Feliz ano novo!

Por Aloísio de Carvalho


[1] Cf. www.infovaticana.com/blogs/specola/el-cristianismo-ante-el-precip…s-del-vaticano-kiriil-escribe-al-papa-francisco-silencio-sobre-iran.

[2] Ibid.

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