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2020: Que título colocar?

A atmosfera carregada de desgastes, de equívocos e de entrechoques com que temos vivido este 2020 remete-nos para um exame de consciência…

Redação (13/10/2020 01:30, Gaudium Press) Internet e Whatsapp: cada uma dessas palavras tem sido, a seu tempo, símbolo de atualização vivaz, de informação rápida e sensacional, quase de intercomunicação dinâmica. Fator decisivo da vida virtual – tantas vezes sem virtude – trepidante e agitada dotando a palavra “modernidade” de um encantamento de amuleto. Qualquer possuidor de ambos instrumentos de publicidade exercia, até o início deste ano, atrativos de vida, saúde e prosperidade: o futuro era entrevisto por eles e neles, em simples telas.

Os ambientes onde faltassem a internet e o celular pareciam sombrios, carregados de bolor e de velhice; não detinham o antídoto contra quaisquer males.

No entanto, este ano de 2020 vinha trazendo um “ar fresco”, que foi logo cortado pelas rajadas do infortúnio de uma pandemia mundial responsável pela mudança nos costumes, desfazendo certos encantos daquele mundo prometido.

Ora, presentemente, o mundo está extenuado: a doença não poupa a saúde; as queimadas não se apagam – pois o calor dos egoísmos tem se multiplicado; os furacões das paixões andam tão soltos quanto os muitos que cruzam, diariamente, desde o Atlântico até o Pacífico; a disputa por cargos de realce, tão escurecidos, torna-se rinha diária – brigam para saber quem será o responsável pela derrocada final?!

O dinheiro, por exemplo, tantas vezes buscado como solução – seja quando adquirido por esforço honesto, ou ainda obtido fraudulentamente – acaba sendo, no final das contas, a “casca de todas as coisas, mas não o cerne. Traz-nos o alimento, mas não o apetite; o médico, mas não a saúde; relações, mas não amigos; servidores, faltando o devotamento; momentos de alegria, com a ausência da paz de alma e da felicidade”.

A atmosfera carregada de desgastes, de equívocos e de entrechoques com que temos vivido este 2020 – ano sem luz nem brilho – remete-nos para um exame de consciência: onde encontrar a misericórdia tão apregoada? E a paz? Temos ouvido notícias sobre conflitos entre Azerbaijão e Armênia… O clima só esquenta, embora a preocupação pelo globo preconizasse um retroceder do aquecimento mundial.

Portanto, nem a técnica – muito útil, aliás –, nem o dinheiro ou a falsa doutrina foram capazes de dissuadir aqueles que, embora vivendo na babel contemporânea, deixaram de se apegar do sobrenatural.

O ano de 2020 vai caminhando para o fim. Dentro de dois meses, todos estarão com as vistas voltadas para as festas de fim de ano – se a economia o permitir. Deste modo, virão os inevitáveis retrospectos para o balanço do quanto ficou para trás.

Finda a “aritmética das boas e más ações”, todos fazemos a balança preponderar para algum lado. As escolhas feitas pelo coração são o verdadeiro peso na balança de Deus; e Ele as vê.

Nunca, talvez, a humanidade tenha estado diante de uma encruzilhada interior tão séria, grave e decisiva: a mudança do ano a apontará. Nessa hora, só serão capazes de escolher bem o rumo, os que souberam desejá-lo, antes, no coração e, nossa única testemunha será o nosso interior.

Cabe, unicamente, crer que a solução só pode ser achada num lugar: no SOBRENATURAL. Por isso, mais do que nunca, é necessário nos colocarmos de joelhos e pedirmos a Deus que ELE INTERVENHA, que ELE SE MANIFESTE, que ELE HABITE ENTRE NÓS.

Com efeito, nós católicos, como temos levado nossa vida sacramental? Que propósitos temos feito? Que anelos temos carregado nos corações? Temos nos preocupado com a situação atual da Santa Igreja? Temos rogado a Deus alguma intervenção? São perguntas cujas respostas só podem ser achadas no nosso interior, desde que regado por uma fervorosa vida sobrenatural.

Se não for isto, as páginas de 2021 provavelmente serão pintadas com tintas menos belas e alegres com as que, até o momento, os “artistas” têm tentado esboçar, com equívoco, este ano já próximo de expirar.

Por Bonifácio Silvestre


Nota: Trechos do presente artigo são adaptações de dois Artigos publicados pela Folha de São Paulo, de autoria do Prof. Dr. Plinio Corrêa de Oliveira, respectivamente: Folha de São Paulo, 5 de março de 1980 e Folha de São Paulo, 25 de outubro de 1980.

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