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O centurião Cornélio: um homem cheio de Fé

Redação (Terça-feira, 17-03-2020, Gaudium PressEnquanto São Paulo permanecia nas proximidades do Monte Horeb, onde recebeu graças místicas extraordinárias, o que se passava na Judeia?

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Um Anjo apareceu-lhe e disse:
“Tuas preces e tuas esmolas subiram para serem lembradas diante de Deus”.
Foto: Arquivo Gadium Press

São Pedro cura um paralítico e ressuscita uma costureira

Aproximadamente no ano 38, o Imperador Calígula mandou que fosse erigida uma estátua em sua honra no Templo de Jerusalém. E os judeus, tendo suas atenções voltadas para esse horrendo fato, deixaram de perseguir os cristãos.
Então, a Igreja “vivia em paz em toda a Judéia, Galileia e Samaria. Ela se consolidava e andava no temor do Senhor e, com a ajuda Espírito Santo, crescia em número” (At 9, 31).

Certa ocasião, São Pedro visitou “os santos que residiam em Lida” (At 9, 32). A palavra “santos” é empregada para designar os primeiros fieis, “por causa da eminente santidade de suas vidas, bem como das manifestações miraculosas do Espírito divino que residia neles”. Nos Atos dos Apóstolos, para exprimir essa ideia são também utilizados os termos: irmãos, discípulos e cristãos.
Nessa cidade, o Príncipe dos Apóstolos curou milagrosamente um homem que havia oito anos estava paralítico. E todos os habitantes da região se converteram.

Em seguida, ele foi a Jope, que era o principal porto da Palestina, onde uma cristã chamada Tabita, costureira muito admirada pela sua generosidade, havia falecido. São Pedro ressuscitou-a e permaneceu muitos dias nesse local.

Em Jope, São Pedro tem uma visão

Em Cesareia da Palestina, residia Cornélio, centurião romano, “homem religioso e temente a Deus, com toda a sua casa” (At 10, 2). Era pagão e possuía um cargo honroso, pois comandava cem soldados. Toda a sua família e seus servidores adoravam o Criador. Ele rezava bastante e certo dia, enquanto fazia suas orações, um Anjo apareceu-lhe e disse:
“Tuas preces e tuas esmolas subiram para serem lembradas diante de Deus. Agora, envia alguns homens a Jope e manda chamar um homem chamado Simão, conhecido como Pedro” (At 10, 4-5).

Cornélio convocou dois servos e um soldado, explicou-lhes o que acontecera e mandou-os a Jope. A caminhada de Cesareia a Jope durava doze horas.

Os três homens já se aproximavam de Jope, quando São Pedro – que se encontrava rezando no terraço de uma casa na qual estava hospedado – viu no céu uma enorme toalha, segurada pelas quatro pontas, sobre a qual havia diversas espécies de animais, e que baixava para a terra.

Então, “uma voz lhe disse:
– Levanta-te, Pedro, mata e come!
Mas Pedro respondeu:
– De modo algum, Senhor! Nunca comi coisa profana ou impura.
A voz lhe falou pela segunda vez:
– Não chames de impuro o que Deus tornou puro.
Isso se repetiu por três vezes” (At 10, 13-16). Depois, a tolha foi recolhida ao céu.

Alguns animais, por exemplo o porco, eram considerados impuros pela lei judaica. Os judeus jamais os comiam, mesmo estando no exterior, conforme mostra o livro de Daniel (cf. Dn 1, 8).
Por essa visão, verifica-se que Deus revogava a parte da legislação mosaica relativa aos alimentos. A toalha simbolizava o mundo inteiro, sobretudo os pagãos que o Criador queria introduzir na Igreja, e São Pedro não devia recusar recebê-los.

O Espírito Santo desceu sobre os que ouviam as palavras de São Pedro

Quando os três homens estavam chegando à casa onde se encontrava São Pedro, o Espírito Santo disse-lhe:
“Vai com eles sem hesitar, pois fui Eu que os mandei” (At 10, 20).

No dia seguinte, o Príncipe dos Apóstolos, acompanhado de alguns cristãos de Jope, dirigiu-se com os três homens até Cesareia, onde Cornélio o estava esperando, com seus parentes e amigos.
“Quando Pedro estava para entrar na casa, Cornélio saiu-lhe ao encontro e prosternou-se a seus pés em adoração. Mas Pedro o reergueu e disse: ‘Levanta-te, eu também sou apenas um homem'” (At 10, 25-26).

E perguntou-lhe por que mandara chamá-lo. Cornélio narrou a aparição do Anjo e acrescentou:
“Estamos todos aqui, na presença de Deus, prontos para ouvir o que o Senhor te encarregou de nos dizer” (At 10, 33).
É admirável esse centurião, pela sua Fé e retidão de alma!

Com palavras cheias de unção, São Pedro afirmou, entre outras coisas, que Jesus por toda parte “andou fazendo o bem e curando a todos os que estavam dominados pelo diabo” (At 10, 38). Os judeus O mataram, mas Ele ressuscitou ao terceiro dia.

Enquanto São Pedro falava, “o Espírito Santo desceu sobre todos os que estavam escutando a palavra” (At 10, 44). E logo depois foram batizados.
“Assim, o primeiro da gentilidade que entrou na Igreja cristã foi um homem de guerra, um centurião romano.”

Os judaizantes

A notícia desse belíssimo fato difundiu-se por toda a Judeia. Mas quando São Pedro regressou a Jerusalém, “os fiéis de origem judaica se puseram a discutir com ele, dizendo: ‘Tu entraste em casa de incircuncisos e comeste com eles!'” (At 11, 2-3).

Então, ele narrou detalhadamente a visão que tivera em Jope, o batismo de Cornélio e todos de sua casa, em Cesareia. E acrescentou:
“Se Deus concedeu a eles o mesmo dom que a nós, que acreditamos no Senhor Jesus Cristo, quem seria eu para me opor à ação de Deus?” (At 11, 17).

Ao ouvirem isso, eles se acalmaram. Entretanto, “essa falsa apreciação dos direitos do judaísmo para com os gentios tornados cristãos ressurgirá mais tarde, causando graves perigos para a Igreja”.

De fato, esses contestatários se uniram e formaram um movimento chamado dos judaizantes, querendo impor a lei mosaica – especialmente a circuncisão – a todos os cristãos. Isso “não só daria ocasião a contínuas discórdias, mas também impediria eficazmente a conversão de inumeráveis gentios. Era, pois, necessário proclamar abertamente a liberdade cristã frente à lei mosaica.”

Essa proclamação foi feita durante o Concílio de Jerusalém, no ano 51.

 

Por Paulo Francisco Martos
(in “Noções de História da Igreja” – 7)

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1-Cf. FILLION, Louis-Claude. La sainte Bible avec commentaires – Actes des Apotres. Paris: Lethielleux.c. 1889, p. 677.
2- FILLION, op. cit., p. 673
3- Cf. FILLION, op. cit., p. 681.
4-Cf. FILLION, op. cit., p. 682.
5- ROHRBACHER, René-François. Vida dos Santos. São Paulo: Editora das Américas. 1959. v. XI, p. 311.
6- FILLION, op. cit., p. 690.
7- LLORCA, Bernardino. Historia de la Iglesia Católica – Edad Antigua. 6. ed. Madri: BAC, 1990, v. I, p. 88-89.

 

 

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