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Confissão ou saudades da inocência?

Redação (Quarta-feira, 11-03-2020, Gaudium Press) Era uma quinta-feira ensolarada e úmida na capital paulistana, perto do fim do ano. A Catedral da Sé abriu suas portas para os fiéis já cedo, como de costume.

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Em certo momento Jesus Cristo bate paternalmente à porta das almas
com um carinhoso convite para fazerem uma boa Confissão.
Foto: Arquivo: Gaudium Press

Às nove horas começavam alguns padres a caminhar pelos corredores laterais do grande edifício em direção aos confessionários, diante dos quais vários fiéis aguardavam a chegada do sacerdote.

– Para que essas filas dentro da Igreja? – perguntou a um deles um curioso observador.

– Estamos esperando para nos confessarmos.

– Como assim?

– Essa fila é para a Confissão, para que o padre nos atenda. Você é católico?

– Sim… Faz tempo que ouvi falar disso. Somente na minha Primeira Comunhão. Como é mesmo?

– A Confissão é para Deus perdoar nossos pecados. Ajoelhamos ali no confessionário, junto ao padre, e ele perdoa em nome de

Deus.

– Ah! E… Deus perdoa mesmo?

– Sim, claro, desde que haja arrependimento.

Seguiu-se um silêncio prolongado, enquanto o visitante ia mudando de expressão e se abstraia das coisas em torno de si. Entrara na Catedral movido por mera curiosidade e sentia-se agora convidado a mudar de vida. Há tanto tempo não se confessava, e já nem sabia como fazer. Trinta, quarenta anos?

– Eu também posso entrar na fila?

Qualquer um perceberia o drama interno desse desconhecido, a quem Deus chamava à conversão.

– Sim, entre aqui na minha frente.

Um passo decisivo fora dado na vida daquele homem rumo à salvação de sua alma. Colocou-se junto ao demais, à espera de sua vez, mas não conseguia mais falar, pois as lágrimas corriam às torrentes pelo seu rosto.

“Terei Eu prazer com a morte do ímpio?”

Casos como este não são raros em nossos dias. Quantos e quantos homens fizeram bem sua Primeira Comunhão, mas depois, infelizmente, levados pelas preocupações da vida, deixaram-se arrastar pelas atrações do mundo e esqueceram-se por completo de seus deveres para com Deus!

Continuam sendo católicos, sim, mas católicos cuja fé tornou-se como uma brasa abafada debaixo da espessa camada de cinzas dos pecados. E mal guardam na memória alguns resquícios de suas primeiras lições de Catecismo, aprendidas na infância.

Deus, entretanto, não os esquece. Em certo momento Jesus Cristo bate paternalmente à porta de suas almas com um carinhoso convite para fazerem uma boa Confissão.

Que coisa terrível seria uma pessoa, por causa dos seus graves pecados, ser condenada às masmorras eternas, onde os réprobos são castigados com o afastamento de Deus, para o qual foram criados, e sofrem terríveis tormentos, sem um só instante de alívio!

Ele, porém, sumamente misericordioso, não deseja para o pecador esse destino:

“Terei Eu prazer com a morte do ímpio? – diz o Senhor. – Não desejo, antes, que ele se converta e viva?” (Ez 18, 23).

Deus quer nos perdoar, e para isso estabelece esta condição: a confissão de nossos pecados a um de seus ministros. (PA)

 

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