Nossa Senhora apontou os canhões contra os hereges
Além dos ataques externos promovidos pelos suecos, os monges de Jasna Góra sofriam pressões de traidores que desejavam sua rendição.

Cerco de Jasna Góra Foto: Wikipedia
Redação (24/08/2026 17:25, Gaudium Press) Em 7 de dezembro de 1655, véspera da festa da Imaculada Conceição, um nobre polonês – detido pelos suecos quando voltava à sua aldeia procedente da Prússia – foi enviado à fortaleza com a incumbência de pressionar os monges a capitularem.
Mas, pelo contrário, ele os animou a não se entregarem, dizendo que os exércitos invasores começavam a sofrer suas primeiras derrotas, pois as contínuas violências dos hereges – saques nas propriedades, assassinato de sacerdotes, profanação de igrejas – estavam despertando grande reação no país. Todas essas violências sucediam, acrescentou, para castigo dos católicos amolecidos que não haviam sido fiéis à Santa Igreja.
É de grande valor para quem está lutando por Deus receber da parte de alguém o aviso: “Você faz bem, continue a batalhar!” Tal benefício esse homem fez e nós devemos esperar que, por causa disso, a alma dele já esteja no Céu.
Enquanto transcorriam no mosteiro as cerimônias comemorativas da Imaculada Conceição, um soldado sueco, que blasfemara contra a honra de Nossa Senhora, tombou atingido por uma bala procedente de Jasna Góra, e que não era a ele dirigida, mas que rebateu na neve e o atingiu.
Frei Kordecki comentou: “Recebeu o justo castigo das mãos de Deus, como indigno de olhar o Sol aquele que insultou o brilho e a glória sempiterna da Santíssima Mãe.”
Esse é um comentário feito por um homem de espírito sobrenatural.
Monges comemoram o Natal
Em certo momento, uma densa neblina envolveu Jasna Góra, possibilitando aos suecos aproximarem suas grandes máquinas de assalto sem serem percebidos.
O Superior compreendeu que aquilo era obra do demônio e ordenou a um monge sacerdote que efetuasse exorcismos a fim de expulsar os espíritos malignos, e benzesse as armas para que os tiros fossem certeiros e as espadas entrassem a fundo no corpo dos adversários. Pouco depois, a névoa se dissipou, os feiticeiros protestantes ficaram desapontados e o ataque planejado não foi realizado.
Entretanto, alguns monges começaram a incitar os demais à rendição, dizendo que o inimigo lhes assegurava a liberdade de culto. Frei Kordecki os reuniu e, embora indignado, disse-lhes com muita calma: “É mais prudente defendermos a integridade da casa de Deus e a Fé do que salvarmos nossas vidas e irmos para a escravidão eterna.”
O cerco já durava 38 dias. Embora os mantimentos e munições estivessem no fim, no Natal, realizou-se no mosteiro solenes comemorações do nascimento do Redentor.
Vendo isso, os suecos concluíram: “Está tudo perdido. Em nosso supremo élan essa gente começa a cantar e festejar o Natal! Eles têm munições em quantidade. Vamos embora!” Assim, os guerreiros mais terríveis da Europa naquele tempo foram desbaratados.
Maria Santíssima apareceu com face ameaçadora
Agora vem o mais belo.
O General Miller explicou que o único motivo pelo qual levara a levantar o cerco de Jasna Góra foram as palavras e a face ameaçadora de uma nobre Senhora que apareceu diante dele.
A Santíssima Virgem não se apresentou para os defensores, nem lhes contou que estava intimidando os suecos. Deixou os sitiados na escuridão completa, pois queria ter essa homenagem de confiança. Enquanto isso, Ela desbaratava os protestantes.
“No cerco de Jasna Góra Nossa Senhora parecia dormir, mas vigiava. Não estava entre os d’Ela, mas no meio dos inimigos. Ia à tenda do Miller meter medo nele, e o poderoso general fugiu. Isso me parece supremamente arquitetônico e característico de nossa via. Portanto, deveria ser marcado em letras de ouro e de fogo em nossas almas”.[1]
Alguns suecos viram uma Senhora sobre os muros apontando os canhões contra eles e fornecendo com as suas próprias mãos armas aos defensores.
Rainha e Mãe da Polônia
E aos que escavavam a base da montanha, onde estava o convento, apareceu um venerável ancião que os aconselhou a deixarem o trabalho pois era inútil. Amedrontados, eles se retiraram. Tratava-se de São Paulo, o Primeiro Eremita.
Reunidas as forças fiéis e para que a contraofensiva alcançasse o maior êxito, o Rei João Agripino, em companhia da nobreza e do povo, proclamou solenemente Nossa Senhora de Czestochowa como Rainha e Mãe da Polônia.
Logo depois dessa consagração, os suecos começaram a perder o seu ímpeto e, derrotados batalha após batalha, tiveram que recuar para a Prússia, perdendo a maior parte de seus contingentes.
Concluindo seus comentários, Dr. Plinio afirmou:
“Como eu lamento não ser pintor para pintar o Cerco de Jasna Góra, os heróis lutando e a Virgem Maria, como uma figura diáfana, cristalina, toda prateada, armando os canhões e fazendo disparar os tiros! Que esfacelamento para a ‘heresia branca’,[2] que liquidação para os sentimentais, que lição para confiarmos contra toda a esperança!
“Maria Santíssima, invisível aos olhos dos combatentes e disparando canhões nos altos da muralha, mereceria bem ser chamada Nossa Senhora da Confiança”.[3]
Peçamos a Nossa Senhora que nos dê a virtude da confiança, a qual é “a mais poderosa e destrutiva arma dos discípulos de Cristo na luta contra as potências do mal, coligadas para impedir a consolidação e expansão do Reino de Deus nos corações e na sociedade. Por esse motivo, a pérfida Serpente não poupa esforços para criar artimanhas a fim de extirpar tal virtude, tanto quanto possível, já dos fundamentos da estrutura psicológica do homem. Retirar da natureza humana a capacidade de confiar foi, sem dúvida, um dos mais funestos males que a Revolução logrou causar!
Por Paulo Francisco Martos
Noções de História da Igreja
[1] CORRÊA DE OLIVEIRA, Plinio. A vitória da confiança III – In Dr. Plinio. São Paulo. Ano XXIII, n. 264 (março 2020), p. 11
[2] Expressão criada por Dr. Plinio Corrêa de Oliveira para designar o erro doutrinário que considera a Religião com um otimismo sistemático, como se o pecado original e o mal não existissem e traz como consequência a falta de vigilância e de combatividade em relação aos defeitos morais próprios e alheios
[3] CORRÊA DE OLIVEIRA, Plinio. A vitória da confiança III – In Dr. Plinio. São Paulo. Ano XXIII, n. 264 (março 2020), p. 13.





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