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Santa Margarida Maria Alacoque e o Rei Sol

Se Luís XIV tivesse sido fiel à Mensagem do Sagrado Coração de Jesus transmitida pelo Redentor a Santa Margarida Maria Alacoque, a França inteira se converteria.

Foto: Wikipedia

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Redação (11/06/2026 17:21, Gaudium Press) Nascida em 1647 numa cidadezinha da Borgonha – Leste da França –, sua família possuía boa posição social, pois o pai era notário real e juiz. Instruída na doutrina católica, admirou de tal modo a pureza que, aos cinco anos, fez voto de virgindade.

Tendo seu progenitor falecido, um irmão do mesmo assenhoreou-se da casa da família para onde levou sua esposa e filhos, que passaram a tratar como escravos os verdadeiros proprietários.

Apiedando-se de Margarida, uma nobre senhora convidou-a para frequentar seu castelo, no qual lhe proporcionou formação religiosa; ela passava várias horas rezando na capela e ali recebeu a Primeira Comunhão.

Quando seus dois irmãos mais velhos atingiram a maioridade assumiram a direção da residência e dos bens da família. Margarida, então com 17 anos, passou a rezar menos e sua mãe incentivou-a a contrair matrimônio. Numa noite de carnaval, instigada por algumas moças, ela participou de um baile.

Regressou à sua casa e começou a preparar-se para o repouso. Jesus, então, apareceu-lhe ensanguentado, derramando lágrimas e disse-lhe:

“Filha cruel, olha em que estado as tuas vaidades Me puseram! Que tempo estás perdendo do qual deverás prestar contas rigorosas! Atraiçoas-Me e persegues-Me.”[1]

Com o coração contrito e humilhado, ela derramou abundantes lágrimas, renovou o voto de virgindade e desejou ardentemente tornar-se religiosa.

Troca de corações

Depois de grande número de contratempos e tribulações, Margarida integrou-se no Mosteiro de Paray-le-Monial, da Congregação das visitandinas fundada por Santa Joana de Chantal, e recebeu o hábito de noviça aos 24 anos de idade, acrescentando a seu nome a palavra “Maria”.

Situado na Borgonha, essa casa religiosa é uma obra prima do estilo românico e várias de suas freiras pertenciam a famílias nobres. Ali Nosso Senhor lhe apareceu diversas vezes, operando milagres e transmitindo mensagens.

Em 27 de dezembro de 1673, Jesus realizou a troca de corações com Margarida Maria. Recomendou a todos católicos a Comunhão nas primeiras sextas-feiras de cada mês, na intenção de reparar os pecados cometidos contra seu Sagrado Coração.

Entretanto, um certo número de sacerdotes e de suas irmãs de hábito começaram a propalar que tais revelações provinham do demônio. Certo dia, estando muito provada, ela ouviu a voz do Redentor que lhe disse: “Tem paciência e espera que venha o meu servo!”[2]

Poucos dias depois, veio a Paray-le-Monial São Cláudio de la Colombière que se tornou diretor espiritual de Irmã Margarida e declarou serem divinas as comunicações que ela recebia.

Nosso Senhor apareceu-lhe em 16 de junho de 1675 e recomendou que fosse instituída uma festa especialmente dedicada a desagravar seu Sagrado Coração pelos pecados cometidos contra Ele; encarregou ao seu “servo”, São Cláudio, a missão de alcançar esse objetivo junto às autoridades eclesiásticas. Por fim, a solenidade foi instituída pela Igreja em todo o mundo.

Considerando que entre Nosso Senhor e sua virginal Mãe há uma união sublime, São João Eudes (1601-1680) tornou-se apóstolo e doutor da devoção aos Sagrados Corações de Jesus e de Maria.

Descrição da pessoa de Luís XIV

Jesus apareceu à Santa em 17 de junho de 1689 e transmitiu-lhe mensagem de capital importância: pediu a Luís XIV – cujo reinado se estendeu de 1643 a 1715 – a consagração da França a seu Sagrado Coração e sua representação nos estandartes do reino.

Sintetizamos alguns comentários feitos por Dr. Plinio Corrêa de Oliveira sobre esse tema.

Luís XIV possuía uma “formosura viril e majestosa, acentuada por uma perfeita nobreza de porte e de gestos bem como por uma indumentária admiravelmente escolhida. As qualidades de inteligência e caráter estavam à altura desse físico magnífico. Sua inteligência era clara, vasta, metódica e idealmente equilibrada. Sua vontade era dotada de tal força imperativa que dobrava quaisquer obstáculos”.[3]  Tal era sua grandeza que recebeu o epíteto “Rei Sol”.

Por falta de vigilância e oração, cometeu graves pecados de luxúria e orgulho. Chegou até mesmo a aliar-se com os próprios muçulmanos contra o Sacro Império e mereceu a censura de todos os franceses verdadeiramente católicos de seu tempo.

Entretanto, a justiça manda acrescentar ter ele prestado assinalados serviços à Igreja, entre os quais figura com destaque a sapientíssima revogação do Edito de Nantes, promulgado em 1598 pelo Rei da França Henrique IV, que outorgava aos protestantes uma liberdade a que a heresia não tem direito.

Jesus o tratou com misericórdia e inteiro respeito

A atitude do Sagrado Coração de Jesus com Luís XIV foi de misericórdia, mas ao mesmo tempo de inteiro respeito – o Coração de Jesus podia chamar-Se “Coração infinitamente respeitoso de Jesus” – em relação à organização político-social vigente.

Ele queria considerar o rei de maneira tal que não fez nenhuma alusão direta às suas graves quedas morais, mas chamou de “filho dileto do meu Coração” um pecador que O tinha insultado publicamente de diversas maneiras.

Por meio de uma pessoa da nobreza com quem tinha relações, Santa Margarida Maria fez chegar a comunicação a Luís XIV. Evidentemente o Sagrado Coração de Jesus não desejava do rei apenas uma consagração “pro forma”, mas um ato solene que implicasse na renúncia a todos os seus pecados e erros.

Desgraçadamente o monarca não deu importância à mensagem e a consagração não foi efetuada.

Recusada assim essa providencial fonte de graças, o reino foi descambando cada vez mais pelos abismos da impiedade e da libertinagem, até que o extravasamento destes males, isto é a Revolução Francesa, veio lançar por terra a monarquia e atear pelo mundo inteiro o facho diabólico e incendiário do espírito de rebeldia.[4]

Alter ego de Maria Santíssima

Acometida por febre, Santa Margarida pediu o Sacramento da Extrema Unção. Após comungar, segurou um crucifixo, osculou-o e disse em alta voz: “Misericórdia, meu Deus, misericórdia!” Imediatamente, em seu rosto se estampou uma alegria serena e sua alma foi levada ao Céu. Era o dia 17 de outubro de 1690.

Devido às nefandas pressões de jansenistas e convulsões promovidas pela Revolução Francesa, ela somente foi canonizada em 1920, por Bento XV.

“Santa Margarida pode ser considerada um alter ego de Maria Santíssima, pois participou em alto grau de seus dons e graças. Nossa Senhora a elegeu com o intuito de dar ocasião a seu Filho de Se manifestar aos homens. Com efeito, vendo nela um espelho das virtudes de sua Mãe, Jesus encontrou um meio propício para inaugurar um prodigioso canal de graças: a devoção ao seu Sagrado Coração”.[5]

Por Paulo Francisco Martos

Noções de História da Igreja


[1] Cf. ROHRBACHER, René-François. Vida dos Santos. São Paulo: Editora das Américas. 1959, v. 18, p. 268.

[2] Idem, ibidem, p. 280.

[3] CORRÊA DE OLIVEIRA, Plinio. O Legionário, São Paulo, 20/10/1940.  

[4] Cf. Idem. A recusa ao chamado divino e a necessidade da reparação. In Dr. Plinio. São Paulo. Ano XXII, n.  255 (junho 2019), p. 10-15.

[5] CLÁ DIAS, João Scognamiglio, EP. Maria Santíssima! O Paraíso de Deus revelado aos homens. São Paulo: Arautos do Evangelho. 2020, v. III, p. 104.

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